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Polícia busca vereador Milton Leite por ligação com PCC no ônibus

Polícia Civil deflagra Operação Vectura Corrupta e mira Milton Leite, acusado de ser o 'dono de fato' da Transwolff em esquema de infiltração do PCC no transporte de SP.

17/09/2026 10:01 9 min de leitura
Polícia busca vereador Milton Leite por ligação com PCC no ônibus
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Segurança Pública

Operação policial investiga envolvimento de vereador em esquema criminoso no transporte público de São Paulo.

A Polícia Civil de São Paulo tenta prender o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), apontado como peça-chave de um esquema de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo da capital. Ele é alvo de mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17), e é considerado foragido pelos investigadores.

O desembargador Sérgio Antônio Ribas determina a prisão por 30 dias. A decisão sustenta que o político teria influência direta sobre empresas de ônibus suspeitas de controle pela facção e atuaria como articulador político do grupo.

Mandado não cumprido e disputa de narrativa

Policiais vão ao endereço de Milton Leite nas primeiras horas da manhã para cumprir o mandado e não o encontram. Equipes permanecem no imóvel para executar busca e apreensão. Diante do vazio na casa e de relatos de que ele estava no local até a tarde anterior, a polícia passa a tratá-lo como foragido.

O ex-vereador reage em nota e tenta descolar sua imagem da condição de fugitivo. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, afirma.

Com sete mandatos consecutivos e 28 anos de atuação na Câmara Municipal, quatro deles como presidente da Casa, Milton Leite deixa o Legislativo no ano passado e mantém influência no tabuleiro político paulistano. Hoje, preside o diretório municipal do União Brasil e comanda a federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas em São Paulo.

‘Dono de fato’ da Transwolff e influência em decisões

O núcleo central da Operação Vectura Corrupta mira o papel de Milton Leite no transporte coletivo da capital. Interceptações telefônicas e documentos de outras investigações apontam que decisões estratégicas de empresas ligadas ao PCC, como Transwolff e Alfa RodoBus, dependeriam de sua anuência política.

No despacho que embasa a operação, o desembargador Sérgio Antônio Ribas registra que “Milton Leite da Silva é citado nominalmente por diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pelo PCC”. O magistrado acrescenta que, segundo declarações de policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, o ex-vereador “seria o dono de fato da empresa Transwolff”.

A Transwolff nega qualquer vínculo societário ou de gestão com o político. Em nota, a empresa afirma que “Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou ‘deu ordens’ na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade”.

Intervenção da prefeitura e risco ao transporte

A Transwolff está sob intervenção da Prefeitura de São Paulo desde 2024, por meio do Decreto Municipal nº 63.328, de 9 de abril daquele ano, que também declara a caducidade do contrato. As linhas que a companhia operava são redistribuídas, principalmente para Sancetur e Alfa RodoBus. A Alfa hoje atende cerca de 90,3 mil passageiros por dia com 148 ônibus.

Com a nova operação, cresce o temor de impacto na rotina de quem depende do transporte coletivo, sobretudo na zona sul, antiga área de atuação da Transwolff. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) tenta conter a apreensão. “Nenhum risco. Fiz a intervenção em 2024 na Transwolff e [decretei a] caducidade. Essa empresa é administrada pela prefeitura”, declara.

A Alfa RodoBus, que assume parte das linhas da Transwolff, também entra no radar da investigação. Policiais e promotores veem sinais de que a facção continua a influenciar empresas sucessoras, mantendo o controle de um serviço essencial e a geração de caixa bilionária.

Estrutura do esquema e alvos da operação

A Operação Vectura Corrupta é conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público paulista. O nome faz referência à tentativa de “contaminar” a cadeia logística do transporte urbano com interesses do crime organizado.

Os agentes saem às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Entre os presos estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.

A defesa de Levi tenta blindar sua imagem. Em manifestação, seus advogados afirmam que ele “não tem antecedentes” e constrói, ao longo de décadas, “trajetória de relevantes serviços públicos prestados” à cidade, consolidando-se como referência técnica na área de transportes.

Danilo Morgado já havia sido alvo de mandado de busca na Operação Decurio, que desnuda o braço político do PCC em municípios da Grande São Paulo. Agora, a polícia aponta “forte vínculo” dele com integrantes da facção e suspeita que sua campanha à prefeitura tenha sido financiada pelo grupo criminoso.

Braço empresarial e político do PCC em foco

A Vectura Corrupta se apoia em uma trilha de investigações que mapeiam a expansão do PCC para além do tráfico de drogas. No setor de ônibus, a polícia identifica ao menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros como controladas direta ou indiretamente pela facção, entre elas Transwolff, Alfa RodoBus, Viação Transcap, A2 Transportes, Imperial Transportes e Move Bus.

Os investigadores descrevem um desenho em que empresários, advogados, políticos e servidores atuam como ponte entre a facção e o poder público, interferindo em licitações, concessões e decisões técnicas do transporte. Um dos núcleos, apelidado de “Sintonia dos Gravatas”, reúne advogados suspeitos de extrapolar o exercício profissional e operar a engrenagem jurídica e financeira do esquema.

No centro desse tabuleiro, segundo a polícia, está José Daniel Satilite, o Alemão, descrito como intermediário entre empresários, advogados, políticos, pessoas ligadas a políticos e integrantes do PCC. As provas reunidas em operações anteriores sobre a atuação de Satilite ajudam a embasar os pedidos de prisão e de busca desta quinta-feira.

Defesa de Milton e impacto político

Na tentativa de conter o desgaste, Milton Leite retoma episódios da própria trajetória no setor de transportes para justificar sua atuação. “A minha atuação em relação ao setor de transportes se deu a pedido do então prefeito Bruno Covas, em 2019, já que naquela ocasião, como presidente da Câmara, eu ocupava também a função de vice-prefeito na linha sucessória. É público, inclusive, que eu atuei em negociações envolvendo greves no setor”, afirma.

A estratégia busca pintar a aproximação com empresas de ônibus como parte de uma agenda institucional, e não como elo com o crime organizado. A investigação, porém, descreve um papel bem mais amplo, com influência sobre escolhas empresariais e políticas, inclusive após a intervenção na Transwolff.

O caso coloca em xeque a governança do transporte paulistano e pressiona o União Brasil e aliados, que veem um de seus principais articuladores mergulhado em suspeitas de associação ao crime organizado. Também reacende o debate sobre a vulnerabilidade de contratos públicos estratégicos diante de grupos criminosos com grande capacidade financeira.

Os próximos dias devem ser decisivos. A polícia aguarda a apresentação espontânea de Milton Leite para interrogatório e possível renovação ou conversão da prisão temporária. O Ministério Público prepara novas diligências, enquanto a Prefeitura tenta garantir a continuidade dos serviços sem novos sobressaltos. A ofensiva tende a intensificar a pressão por mais transparência em concessões e contratos, e a redefinir o equilíbrio de forças no setor de transportes de São Paulo.

Quem é Milton Leite e qual sua relação com o PCC em São Paulo?

Milton Leite, ex-vereador de São Paulo com 28 anos de mandato e quatro passagens pela presidência da Câmara, é hoje presidente do União Brasil na capital e alvo da Operação Vectura Corrupta, que o aponta como articulador político de empresas de ônibus suspeitas de controle pelo PCC, especialmente a Transwolff.

Por que Milton Leite é considerado foragido pela polícia?

Milton Leite é considerado foragido porque a Polícia Civil vai à sua casa nesta quinta-feira para cumprir mandado de prisão temporária de 30 dias, não o encontra e, diante de indícios de que ele estava no local até a véspera, passa a tratá-lo como alguém que se ausentou para evitar a ação policial.

Qual é a ligação de Milton Leite com a empresa de ônibus Transwolff?

A ligação apontada pela investigação é que Milton Leite seria o “dono de fato” da Transwolff, exercendo controle informal sobre decisões estratégicas da empresa e usando sua influência política para favorecer interesses do grupo, suspeito de ligação com o PCC; a defesa nega qualquer participação societária ou ingerência na gestão.

Quais são as acusações contra Milton Leite na investigação sobre o PCC?

As acusações centrais contra Milton Leite são de atuar como responsável direto pela operação de empresas de ônibus ligadas ao PCC, usar sua influência política para direcionar decisões no transporte coletivo e, segundo policiais militares, ser o “dono de fato” da Transwolff, que já está sob intervenção da Prefeitura desde 2024.

O que Milton Leite declarou sobre sua situação com a justiça?

Milton Leite declarou estar em viagem, disse que “não está foragido” e prometeu se apresentar às autoridades em até 24 horas, afirmando ainda que pretende provar sua inocência em todas as acusações e que sua atuação no setor de transportes ocorreu em caráter institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas.

Quais operações policiais já envolveram Milton Leite em investigações contra o PCC?

Milton Leite é alvo direto da Operação Vectura Corrupta, que mira a infiltração do PCC no transporte de São Paulo e o aponta como articulador político de empresas suspeitas, especialmente a Transwolff; seu nome também surge em desdobramentos de operações anteriores, como Decurio e Fim da Linha, que mapearam o braço empresarial e político da facção.


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