Quaest expõe país rachado entre Lula e Flávio Bolsonaro
Levantamento Quaest em 25 estados e DF mostra empate técnico em nove unidades entre Lula e Flávio Bolsonaro, virada regional e efeito da crise no STF às vésperas de 7/9.
Política
Pesquisa revela empate técnico e mudanças regionais na disputa presidencial em meio a tensão política nacional.
Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à primeira semana de setembro de 2026 em empate técnico em nove estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, segundo a Quaest. Os números, divulgados entre 24 de agosto e 5 de setembro em parceria com TV Globo, O Globo e emissoras afiliadas, redesenham o mapa da disputa presidencial e ampliam a pressão sobre as campanhas na reta de aquecimento do calendário eleitoral.
País dividido, tabuleiro regional
O conjunto de pesquisas estaduais, feito em 25 estados e no Distrito Federal — o Piauí fica de fora — revela um Brasil eleitoralmente rachado. De um lado, o petista se consolida no Nordeste e em parte do Norte. Do outro, o senador do PL abre vantagem no Sul, no Centro-Oeste e em áreas da Amazônia.
Os dados mostram Lula numericamente à frente, fora da margem de erro, em nove estados: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Flávio Bolsonaro lidera em sete: Acre, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rondônia, Roraima e Santa Catarina. Há empate técnico em nove unidades — Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Tocantins — “entre eles os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro”, registra o g1.
Em termos de faixas de intenção de voto, Lula oscila entre 28% e 54% conforme o estado, enquanto Flávio Bolsonaro varia de 16% a 42%. As amostras consideram entrevistas presenciais e/ou telefônicas, com margem de erro de 2 pontos percentuais em São Paulo e 3 pontos nos demais estados, nível de confiança de 95%.
Polarização com brecha para terceiros
O novo cenário nacional reforça a polarização, mas não elimina espaço para candidaturas alternativas. Em alguns estados, nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), o escritor Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) aparecem acima da margem de erro, ainda que distantes dos líderes.
Goiás se torna o caso mais simbólico dessa brecha. Ali, a Quaest registra Ronaldo Caiado com 32%, Flávio Bolsonaro com 27% e Lula com 20%. O governador goiano assume a dianteira e empurra a disputa para um tripé. Em termos práticos, abre-se um laboratório de terceiro campo em um ambiente nacional marcado pela disputa entre petismo e bolsonarismo.
Em outros estados, a presença de candidatos menores, que variam entre 1% e 4%, reforça a fragmentação na margem do tabuleiro. O desempenho desses nomes, somado aos percentuais de brancos, nulos e indecisos, ajuda a explicar por que tantos estados aparecem em situação de empate técnico, mesmo quando um dos polos parece à frente no debate público.
Ceará tem Ciro na frente e Senado embolado
No Ceará, a disputa estadual adiciona uma camada própria de tensão. Pesquisa Quaest para governo e Senado, realizada entre 31 de agosto e 3 de setembro com 900 entrevistados, mostra Ciro Gomes (PSDB) na liderança para o Palácio da Abolição. No cenário estimulado, ele aparece com 45% das intenções de voto, contra 34% de Elmano de Freitas (PT). “Ciro Gomes (PSDB) lidera o cenário estimulado de primeiro turno com 45% das intenções de voto, contra 34% de Elmano de Freitas (PT)”, destaca a Gazeta do Povo.
A fotografia reforça o peso do clã Ferreira Gomes na política cearense, mesmo após ciclos de desgaste e alianças rompidas com o PT. A pesquisa, contratada pela Televisão Verdes Mares, tem margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e está registrada no TSE sob o nº CE-01149/2026. Segundo o mesmo levantamento, Cid Gomes (PSB) e Capitão Wagner (União) despontam como favoritos para as duas cadeiras ao Senado em disputa, em um confronto que opõe uma das famílias mais tradicionais da política local a um dos principais nomes da direita no estado.
O quadro cearense dialoga com o cenário nacional, mas não o replica. Em nível federal, o PT lidera com folga no Nordeste. Em nível estadual, o PSDB de Ciro ocupa o espaço de comando, obrigando o partido de Lula a disputar voto a voto um eleitorado que, na mesma urna, pode escolher petistas para o Planalto e tucanos para o governo.
Crise no STF entra no radar do eleitor
A Quaest também aproveita o auge da crise no Supremo Tribunal Federal, envolvendo o embate público entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, para medir o efeito institucional sobre a eleição presidencial. “O impacto na opinião pública da crise dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) será medido pela terceira pesquisa de intenção de voto da eleição presidencial da Quaest encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo”, informa o Valor.
Essa rodada específica ocorre entre 3 e 6 de setembro e tem divulgação prevista para 7 de setembro, feriado nacional. O calendário não é detalhe. A combinação de tensão institucional com o simbolismo da data tende a amplificar o peso dos resultados no debate público, em um ambiente em que ataques e defesas do Supremo se tornaram parte do discurso de campanha.
Analistas e operadores do mercado financeiro acompanham com atenção a reação dos eleitores à crise. Mudanças na confiança nas instituições podem mexer nas apostas sobre governabilidade e reformas, especialmente num quadro em que o próximo presidente precisa negociar com um Congresso fragmentado e um Judiciário mais assertivo.
O que muda para campanhas, partidos e mercado
A radiografia da Quaest redefine prioridades de viagem, propaganda e alianças. Nos nove estados em que há empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, cada ponto vira ativo estratégico. As campanhas tendem a concentrar recursos em São Paulo, Minas e Rio, onde pequenas variações podem decidir o resultado nacional.
No Nordeste, o favoritismo de Lula reforça a tentativa do PT de transformar a região em colchão de votos capaz de compensar eventuais derrotas no Sul e no Centro-Oeste. No campo bolsonarista, o desempenho robusto em estados como Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso alimenta o discurso de resistência a um eventual governo adversário e fortalece lideranças locais alinhadas ao PL.
Partidos médios, como o PSD de Ronaldo Caiado, olham para os números como mapa de oportunidades. Espaços abertos pela rejeição cruzada a Lula e Flávio Bolsonaro podem render governos estaduais, cadeiras no Senado e bancadas federais reforçadas, mesmo sem vitória presidencial. O mesmo vale para siglas menores, que usam o detalhamento regional para negociar apoios e tempo de TV.
No mercado financeiro, as pesquisas funcionam como termômetro para cenários de política econômica, ambiente regulatório e estabilidade institucional pós-2026. A polarização nas urnas, somada à crise no STF, alimenta a percepção de um país em disputa prolongada, no qual a margem de manobra de qualquer futuro governo será estreita.
A próxima rodada de levantamentos, especialmente a que captura o impacto direto da crise no Supremo, tende a calibrar esse quadro. Se a turbulência institucional alterar intenções de voto ou confiança nas instituições, campanhas e investidores terão de reavaliar estratégias. Se os números se mantiverem estáveis, o recado será outro: o eleitor naturaliza o conflito e segue decidido por outros critérios. Em ambos os casos, o mapa traçado pela Quaest indica que a eleição de 2026 se decide mais nos detalhes regionais do que em um único grande movimento nacional.
A Quaest pesquisa é confiável?
A Quaest utiliza metodologia quantitativa, amostras representativas, margens de erro conhecidas e nível de confiança de 95%. Os levantamentos são registrados na Justiça Eleitoral.
Quem é o dono da Quaest pesquisa?
A Quaest é um instituto privado de pesquisa de opinião e consultoria política, fundado e dirigido pelo cientista político Felipe Nunes, conforme registros públicos da empresa.
Quaest pesquisa hoje já indica o resultado da eleição?
Não. Pesquisas medem intenção de voto no momento da coleta. Elas ajudam a entender tendências e cenários, mas não são previsão definitiva do resultado.
Onde encontrar a Quaest pesquisa completa em PDF?
Os relatórios completos costumam ser publicados nos sites da Quaest e dos veículos contratantes, como TV Globo, O Globo e Televisão Verdes Mares, em arquivos PDF.


