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Quaest mostra Lula à frente no 1º turno e empate com Flávio

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 7 de setembro mostra Lula com 36% e Flávio Bolsonaro com 29% no 1º turno e empate em 41% no 2º turno, a 27 dias da eleição.

07/09/2026 21:30 7 min de leitura
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Eleições 2024

Levantamento revela cenário eleitoral com Lula liderando e empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo turno.

A 27 dias da eleição de 4 de outubro, a nova pesquisa Genial/Quaest para a Presidência mostra Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente no primeiro turno, mas em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno. O levantamento, divulgado neste 7 de setembro, reforça o cenário de polarização dura que domina a política brasileira.

Polarização cristalizada na reta final

A pesquisa, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais entre 3 e 6 de setembro, em entrevistas presenciais em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE é BR-01720/2026.

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula tem 36% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro aparece com 29%. Augusto Cury (Avante) registra 8%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) marcam 3% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) soma 2%. Samara Martins (UP) tem 1%, e os demais nomes — Edmilson Costa (PCB), Rui Costa Pimenta (PCO), Wilson Grassi (Democrata), Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) — não passam de 1%.

Os indecisos somam 10% e votos em branco ou nulo chegam a 8%, um contingente que pode ser decisivo em uma disputa tão apertada. Na pesquisa espontânea, em que o instituto não apresenta a lista de candidatos, Lula tem 28% e Flávio Bolsonaro, 20%. Outros nomes somam 4% e 42% dos eleitores ainda não citam nenhum candidato.

O diretor da Quaest, o cientista político Felipe Nunes, descreve o momento como um equilíbrio raro. “Ele [empate] aparece em praticamente todas as dimensões que ajudam a medir a força dos dois candidatos. Lula tem hoje potencial de voto de 44% e rejeição de 53%. Flávio Bolsonaro, potencial de 40% e rejeição de 55%. As diferenças estão dentro da margem de erro. Até o medo, sentimento que tem organizado boa parte da polarização brasileira nos últimos anos, chegou ao equilíbrio: 43% dizem temer mais a volta da família Bolsonaro ao poder e os mesmos 43% temem mais a continuidade de Lula”, afirma.

Segundo turno travado e rejeição alta

Nas simulações de segundo turno, a disputa se estreita ainda mais. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambos aparecem com 41% das intenções de voto. Brancos e nulos somam 13% e indecisos, 5%, dentro da margem de erro de 2 pontos.

Lula também empata tecnicamente com Ronaldo Caiado, por 41% a 38%, e com Augusto Cury, por 39% a 35%. Contra Renan Santos, o petista abre 42% a 37%. Diante de Romeu Zema, tem 44% contra 33%. Os números confirmam Lula e o bolsonarismo como polos centrais, enquanto os demais nomes orbitam como alternativas mais frágeis.

Nunes resume esse desenho em uma frase que ajuda a entender a dificuldade de viradas bruscas nas próximas semanas. “Essa simetria talvez seja a melhor definição do estágio atual da eleição. Lula e o bolsonarismo continuam representando os dois polos dominantes da política brasileira. Cada um dispõe de uma base extremamente fiel, cada um provoca enorme resistência do outro lado e ambos encontram grande dificuldade para atravessar a fronteira que separa os convertidos dos eleitores que decidirão a eleição.”

Os índices de rejeição confirmam o bloqueio mútuo. Segundo a Quaest, 55% dos eleitores dizem que conhecem Flávio Bolsonaro e não votariam nele de jeito nenhum. A taxa de Lula é de 53%. Entre os demais, Pablo Marçal (PRTB) aparece com 45% de rejeição, Ronaldo Caiado com 41%, Romeu Zema com 39%, Renan Santos com 29% e Augusto Cury com 26%. Para legendas menores, a rejeição é mais baixa, mas acompanhada de desconhecimento elevado.

Base consolidada, centro comprimido

Os dados sobre consolidação de voto ajudam a entender por que o centro tem pouca margem de manobra. Para 71% dos eleitores, a escolha de candidato já é definitiva. Entre os que declaram voto em Lula, 80% dizem que não vão mudar. Entre os que preferem Flávio Bolsonaro, 78% afirmam o mesmo.

Nesses dois grupos, a campanha atua mais para evitar deserções do que para crescer. Entre os eleitores de Augusto Cury, 49% afirmam ter decisão fechada e 51% admitem trocar de candidato. Renan Santos e Ronaldo Caiado dependem ainda mais da reta final: 59% dos eleitores de Renan e 61% dos de Caiado dizem que podem mudar de voto até 4 de outubro.

Essa compressão do espaço intermediário alimenta a leitura de que as próximas três semanas serão marcadas por disputas milimétricas por indecisos e descontentes. “Lula pode se beneficiar do medo dos Bolsonaro da mesma maneira que Flávio pode se beneficiar da fadiga com Lula”, resume Nunes.

Governo sob desgaste, mas ainda competitivo

O desempenho de Lula ocorre sob um ambiente de avaliação desfavorável do governo. Segundo a Quaest, 50% dos entrevistados desaprovam a gestão, enquanto 43% aprovam. Na avaliação direta do governo, 38% o classificam como ruim ou péssimo, 34% como ótimo ou bom e 25% como regular. Outros 3% não sabem ou não respondem.

Nunes enxerga aí um dos pontos mais delicados para o presidente. “Lula entra na reta decisiva da campanha com um problema relevante. Hoje, 50% desaprovam seu trabalho e 43% aprovam. Na avaliação mais estrita do governo, 38% o consideram ruim ou péssimo, diante de 34% que o classificam como ótimo ou bom; outros 25% avaliam a administração como regular. O dado chama atenção não apenas pelo nível, mas pela direção. Desde julho, a aprovação caiu de 48% para 43%, enquanto a desaprovação passou de 47% para 50%”, afirma.

A leitura do pesquisador, porém, não é de derrota antecipada para o governo. “Lula não precisa necessariamente transformar desaprovação em aprovação para vencer. Em eleições polarizadas, é possível conquistar votos de pessoas que não avaliam bem um governo, desde que a alternativa provoque rejeição ainda maior.”

O sentimento econômico também pesa. Metade do país não vê melhora no bolso: 49% dizem que a economia piorou nos últimos 12 meses, 29% afirmam que ficou igual e apenas 19% enxergam melhora. Esse humor contido dificulta promessas otimistas, mas reforça a estratégia de comparar riscos entre os dois projetos em disputa.

Campanhas ajustam mira nos indecisos

O empate no segundo turno e a estabilidade dos índices entre as duas rodadas de pesquisa — a anterior foi divulgada em 2 de setembro — levaram os comandos de campanha a enxergar pouco espaço para mudanças radicais de rota. O foco tende a se concentrar em reduzir rejeição e explorar o medo do “outro lado”, sentimento que aparece dividido de forma cirúrgica.

A pesquisa mostra que 43% dos eleitores temem mais a volta da família Bolsonaro ao poder. Exatamente o mesmo percentual diz temer mais a continuidade de Lula. Para Nunes, essa divisão resume o ambiente emocional da disputa. “Campanhas podem mudar percepções, acontecimentos podem reorganizar prioridades e a própria economia pode alterar o humor do eleitor (…) E Lula chega à largada ainda na frente. Só que, pela primeira vez, olhando para o retrovisor e vendo Flávio Bolsonaro exatamente à mesma altura quando a estrada se estreita para dois”, escreve.

A Genial/Quaest integra um pacote de 130 levantamentos que serão divulgados até 3 de outubro por Globo, O Globo, GloboNews e afiliadas, acompanhando a corrida presidencial, ao Senado e aos governos estaduais. Os próximos números vão indicar se o quadro permanece congelado ou se algum movimento de última hora rompe a simetria entre lulismo e bolsonarismo.

Com tamanha divisão e alta rejeição dos dois polos, o desfecho do pleito tende a ser apertado. A forma como o país chegará ao dia seguinte — com governabilidade assegurada ou novo ciclo de instabilidade — dependerá não só de quem vencer, mas da margem e da capacidade de dialogar com o Brasil que hoje olha a disputa com medo de todos os lados.

Pesquisa Quaest é confiável?

A Quaest segue metodologia consolidada: amostra nacional de 2.004 entrevistas presenciais, margem de erro de 2 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no TSE. A confiança não significa acerto automático, mas indica que, em 95 de 100 levantamentos com o mesmo método, os resultados ficam dentro da margem.

Como participar das pesquisas da Quaest?

O eleitor não se inscreve para participar. Os entrevistados são escolhidos por sorteio amostral, a partir de critérios como região, idade, gênero e renda. Pesquisadores vão a campo e abordam pessoas em domicílios ou pontos pré-definidos. Se alguém se recusa, outro endereço ou ponto é sorteado para manter a aleatoriedade.


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