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Economia

Queda bilionária expõe fase de ajustes no Grupo Mateus

Fortuna de Ilson Mateus encolhe R$ 4,2 bilhões em um ano em meio a fechamento de lojas, demissão de 6,6 mil funcionários e autuação fiscal de R$ 1,28 bilhão.

08/09/2026 23:04 8 min de leitura
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Economia

Grupo Mateus enfrenta desafios financeiros com redução significativa de ativos e reestruturação operacional.

A fortuna de Ilson Mateus Rodrigues, fundador do Grupo Mateus, encolhe R$ 4,2 bilhões em um ano e expõe a fase mais dura da rede desde sua estreia na Bolsa em 2020. Aos 63 anos, o empresário vê seu patrimônio cair de R$ 7,7 bilhões em 2025 para R$ 3,5 bilhões em 2026, segundo a lista de bilionários da Forbes.

O tombo acompanha uma reestruturação profunda da terceira maior rede de supermercados do país, que fecha 28 lojas da bandeira Eletro Mateus, demite 6.673 funcionários e revê a estratégia de expansão no Norte e Nordeste.

Reorganização em marcha e impacto imediato

A virada acontece entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, período em que o grupo passa a trocar crescimento acelerado por rentabilidade. A decisão pesa de forma direta sobre o emprego nas regiões em que a companhia é onipresente.

O quadro de colaboradores recua de 47,9 mil para 41,2 mil pessoas, uma redução de 13,9% em cerca de um ano. As demissões se concentram em seis estados — Maranhão, Pará, Piauí, Ceará, Sergipe e Bahia — e atingem sobretudo as operações de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos.

A empresa tenta enquadrar o movimento como ajuste estratégico, e não retração definitiva. Em nota, afirma que o fechamento das unidades da Eletro Mateus “fez parte do processo de otimização do portfólio da companhia”. E reforça que, apesar do encolhimento e da piora dos indicadores de lucro, não há colapso nas vendas. “Apesar do encolhimento do patrimônio do fundador e da reestruturação nas lojas, a empresa afirma que não enfrenta crise de faturamento”, registra o portal ND Mais.

Números bilionários, lucro em queda

Os balanços mais recentes traduzem a contradição da fase atual. No segundo trimestre de 2026, a receita líquida chega a R$ 9,85 bilhões, alta de 12,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro bruto atinge R$ 2,31 bilhões, avanço de 10,4% na mesma comparação.

O resultado final, porém, encolhe. “O lucro líquido do segundo trimestre de 2026 ficou em R$ 237 milhões — um avanço de 11,2% em relação ao primeiro trimestre do mesmo ano, mas uma retração de 39,3% na comparação com o segundo trimestre de 2025”, informa o ND Mais. As vendas em mesmas lojas, indicador que mede o desempenho de pontos já em operação, recuam 8%.

Esse descompasso — mais vendas, porém menos lucro — ajuda a explicar a leitura mais cautelosa do mercado em relação à companhia e ao seu controlador. Com a maior parte do patrimônio atrelada às ações GMAT3, listadas na B3, Ilson Mateus sente no bolso a desvalorização dos ativos, amplificada por um ambiente de maior aversão a risco e pela percepção de que o ciclo de expansão fácil ficou para trás.

O quadro se agrava com uma autuação fiscal de R$ 1,28 bilhão, ligada a créditos presumidos. O passivo pressiona o caixa, aumenta a incerteza sobre o resultado futuro e entra no radar de investidores que já acompanhavam com apreensão a combinação de margens menores, reorganização de lojas e competição intensa no varejo alimentar.

Do engraxate ao bilhão, e de volta ao freio de mão

A crise relativa atinge um grupo construído sobre a narrativa da escalada social de seu fundador. “Ilson Mateus fundou o negócio em 1986, em Balsas, no Maranhão, a partir de uma pequena mercearia de apenas 50 metros quadrados”, lembra o site gmconline.com.br. Antes disso, o empresário trabalha como engraxate, operário de fábrica de cachaça e garimpeiro.

Quatro décadas depois, o antigo mercadinho se converte em potência regional. Em 2025, o Grupo Mateus registra faturamento bruto de R$ 43,5 bilhões e soma cerca de 490 unidades operacionais em nove estados. É a maior rede de supermercados do Maranhão e a terceira do Brasil, atrás apenas de Carrefour e Assaí, segundo o ranking da associação do setor.

O ápice da expansão ocorre em 2020, com a abertura de capital na Bolsa de São Paulo. O IPO movimenta R$ 4,6 bilhões e consagra Ilson na lista da Forbes. A partir daí, a rede acelera inaugurações no atacarejo e no varejo alimentar, enquanto amplia a presença em cidades médias e capitais nordestinas.

Nesse percurso, prefeitos e governadores se aproximam do grupo, que se torna ativo em patrocínios e ações sociais. Em entrega recente de uma unidade em Caxias (MA), o prefeito Gentil Neto celebra em tom de campanha: “Sextou com mais empreendimento na nossa cidade de Caxias, onde hoje nós estamos aqui entregando mais um supermercado Mateus”. Em Recife, Maceió, Teresina e outras capitais, inaugurações reúnem autoridades de diferentes partidos.

Recuo familiar e nova lógica de expansão

A perda de valor não atinge apenas o patriarca. Os filhos, Denilson Pinheiro Rodrigues e Ilson Mateus Rodrigues Junior, também aparecem na lista da Forbes e veem seus patrimônios individuais recuarem de R$ 2,1 bilhões para R$ 1 bilhão cada em 2026. “A redução individual foi de aproximadamente 54,5% em um ano”, registra o gmconline.com.br.

O encolhimento conjunto de R$ 6,4 bilhões na riqueza da família indica um ajuste prolongado, não um soluço pontual. A mensagem do comando é que, a partir de agora, o passo será menor e mais calculado. A própria diretoria admite que novos investimentos passarão por filtros mais rígidos, com prioridade total para rentabilidade em vez de presença geográfica a qualquer custo.

Na prática, essa mudança significa menos inaugurações em regiões de menor poder de compra, revisão de pontos com desempenho aquém do esperado e foco maior no carro-chefe: supermercados e atacarejos de alimentos. O recuo do braço de eletro, com o fechamento das 28 lojas da Eletro Mateus, é o primeiro sinal concreto desse redesenho.

O movimento também reordena o mercado local de eletrodomésticos e eletrônicos, abrindo espaço para concorrentes nacionais e redes regionais em cidades onde o Mateus reduz presença. Para o trabalhador, o efeito mais imediato é a perda de milhares de vagas em mercados com poucas alternativas formais de emprego.

Influência preservada, futuro em disputa

Mesmo sob pressão, o grupo preserva poder econômico e influência política. Governadores como Rafael Fonteles, no Piauí, Raquel Lyra, em Pernambuco, e Fábio Mitidieri, em Sergipe, tratam a empresa como parceira na geração de emprego e na arrecadação de impostos. Prefeitos de capitais e cidades médias seguem comparecendo a inaugurações, enquanto a marca aparece em festas locais e projetos sociais.

Nas redes sociais, a figura do fundador continua explorada como símbolo de superação. Em um vídeo que circula amplamente, Ilson se dirige a colaboradores e clientes com uma pergunta que mistura retórica e autoafirmação: “Quem somos nós?”. A resposta ainda depende do sucesso da reestruturação em curso.

Os próximos capítulos passam por três frentes principais: a negociação da autuação de R$ 1,28 bilhão, a consolidação da nova estratégia de expansão seletiva e a capacidade de recuperar margens sem perder espaço para rivais. Se conseguir entregar mais lucro com a base atual de lojas, o grupo pode voltar a ser premiado pelo mercado. Se fracassar, terá de encarar nova rodada de cortes e pressão sobre seus controladores.

Para o Nordeste e a região Norte, onde a rede se tornou parte do cotidiano de milhões de consumidores, o desempenho do Grupo Mateus segue como termômetro da economia real. A fortuna menor de um bilionário chama atenção, mas o dado decisivo, para quem vive nas cidades atendidas pela rede, continua sendo se a loja do bairro abre ou fecha as portas.

Quem é Ilson Mateus Rodrigues e qual seu papel no Grupo Mateus?

Ilson Mateus Rodrigues é o fundador e principal acionista do Grupo Mateus. Criou a empresa em 1986, em Balsas (MA), e lidera a estratégia do conglomerado.

Por que a fortuna de Ilson Mateus Rodrigues caiu R$ 4,2 bilhões em um ano?

A queda reflete a desvalorização dos ativos ligados ao Grupo Mateus, pressionado por reestruturação, menor rentabilidade, fechamento de lojas e autuação fiscal de R$ 1,28 bilhão.

Quantas lojas o Grupo Mateus fechou recentemente e qual o impacto disso?

Entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026, o grupo fechou 28 lojas da bandeira Eletro Mateus. O ajuste resultou na demissão de 6.673 funcionários em seis estados.

Como a família de Ilson Mateus foi afetada financeiramente pela crise do Grupo Mateus?

Além de Ilson, que caiu para R$ 3,5 bilhões, os filhos Denilson e Ilson Junior viram seus patrimônios recuarem de R$ 2,1 bilhões para R$ 1 bilhão cada em 2026.

Quem são Ilson Junior e Denilson Rodrigues na estrutura do Grupo Mateus?

Ilson Mateus Rodrigues Junior e Denilson Pinheiro Rodrigues são filhos do fundador e acionistas do grupo, com participação relevante no capital e influência na gestão.


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