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20 de setembro Dia do Gaúcho movimenta RS com tradição e negócios

Neste 20 de setembro, Dia do Gaúcho, o Rio Grande do Sul celebra sua identidade com chimarrão, Semana Farroupilha e um ciclo econômico que envolve campo, comércio e cooperativas.

20/09/2026 13:01 9 min de leitura
20 de setembro Dia do Gaúcho movimenta RS com tradição e negócios
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Cultura Gaúcha

Celebrações e atividades econômicas marcam o tradicional 20 de setembro no Rio Grande do Sul.

O Rio Grande do Sul vive neste domingo, 20 de setembro de 2026, um Dia do Gaúcho que sai dos galpões e parques para movimentar também a economia regional. A data, símbolo da identidade gaúcha, celebra tradições como o chimarrão, a pilcha e a música nativista, mas hoje também impulsiona empreendimentos rurais, lojas de artigos tradicionalistas e o cooperativismo financeiro.

Ao longo da Semana Farroupilha, acesa em memória da Revolução Farroupilha, o estado transforma orgulho em negócios. Produtores de erva-mate, comerciantes de itens tradicionalistas e cooperados de instituições financeiras reforçam laços culturais enquanto alimentam uma cadeia produtiva que já alcança outros estados e mercados internacionais.

Chimarrão vira motor de renda e símbolo de resistência

Em Novo Barreiro, no norte gaúcho, o chimarrão deixa de ser apenas roda de conversa e vira estratégia de sobrevivência de uma família. Dalvino Ribeiro, à frente da Ervateira Prenda e Peão desde 1997, produz cerca de cinco toneladas de erva-mate por mês, volume impulsionado pelas comemorações deste período.

O empresário enxerga cada pacote como um pedaço de história. “Mais do que produzir erva-mate, nós ajudamos a manter viva uma tradição que faz parte da nossa identidade. O chimarrão está presente na vida do gaúcho, nos encontros, nas conversas e nos momentos compartilhados em família e com os amigos. Para nós, é uma satisfação poder fazer parte dessa cultura e, através do nosso trabalho, contribuir para que esse costume continue passando de geração em geração”, afirma.

O relato encontra respaldo nos números. A Secretaria da Agricultura do estado calcula cerca de 300 mil toneladas de erva-mate produzidas em mais de 170 municípios, o que coloca o Rio Grande do Sul como segundo maior produtor nacional e maior exportador do país. O mate gaúcho chega hoje a 34 países, numa rota que leva o chimarrão para bem além do pampa.

Nesse ciclo, a cultura tradicional serve de marca e diferencial competitivo. Em plena Semana Farroupilha, a demanda cresce em supermercados, agroindústrias e casas especializadas. Para pequenos e médios produtores, o calendário cultural ajuda a garantir previsibilidade, giro de estoque e margem para novos investimentos.

Tradição cruza fronteiras em selarias e e-commerce

O apego às origens gaúchas também sustenta negócios fora do território gaúcho. Em Curitibanos, no meio-oeste catarinense, o casal Carlos e Rose Goeten mantém há 11 anos a Agro Caíque, loja de artigos tradicionalistas que se apoia na herança tropeira da região.

O ponto de partida foi afetivo. “Eu sempre quis ter uma agropecuária e para ter um diferencial a gente apostou nessa parte de artigos tradicionalistas, selaria e cutelaria. Era uma vontade que eu tinha desde jovem. A gente investiu nisso e deu certo”, conta Carlos Goeten, entre arreios, facas artesanais e chapéus de aba larga que hoje saem pelo Brasil.

Além do balcão físico, a empresa abraça o comércio eletrônico para ampliar o alcance da cultura gaúcha. A loja despacha bombachas, lenços e cintos para estados como Amazonas, Amapá e Pernambuco, e se prepara para atender clientes na Argentina e no México. No mês do Dia do Gaúcho, a vitrine digital ganha tração e ajuda a fincar a bandeira tradicionalista em novos mercados.

Rose percebe o efeito direto da data no caixa. “A data reflete nas nossas vendas, porque a pessoa quer se apresentar na Semana Farroupilha bem pilchado, então busca uma bombacha nova, um chapéu novo ou outro artigo. A nossa região é de tropeiros e por isso a procura aqui por esses produtos também é grande. O pessoal quer se apresentar bonito”, diz.

A história do casal sintetiza uma transformação silenciosa. Parte do tradicionalismo que nasceu em galpões de chão batido agora se apoia em plataformas digitais, embalagens reforçadas e logística interestadual. A estética campeira, da bota de couro à fivela de metal trabalhado, torna-se ativo econômico e identidade de marca.

Cooperativismo financia a cultura que gera negócios

Por trás desse movimento, o crédito rural e urbano tem papel decisivo. Tanto a Ervateira Prenda e Peão quanto a Agro Caíque são cooperadas de uma instituição financeira que se especializa em atender empreendedores ligados ao campo e à economia local. No Rio Grande do Sul, a cooperativa soma 285 agências e mais de 345 mil cooperados, número que mostra a capilaridade do sistema em municípios pequenos e médios.

O modelo de relacionamento, baseado em atendimento presencial, ainda pesa na escolha de muitos empreendedores. “Quando abrimos a loja, nós abrimos a conta na Cresol. Abrimos pela confiança. Hoje em dia nós temos muitas ofertas de bancos digitais, mas o olho no olho faz a diferença. Nada melhor do que sentar e olhar nos olhos da pessoa que você está negociando. Nossa parceria segue firme e só temos a agradecer”, relata Carlos Goeten.

A cooperativa planeja abrir 25 novas unidades no estado ao longo de 2026, ampliando o acesso a crédito, financiamento de máquinas, capital de giro e meios de pagamento. Na prática, cada agência nova tende a reforçar o ecossistema que sustenta o Dia do Gaúcho o ano inteiro: agricultores familiares, indústrias de alimentos, comércios locais e prestadores de serviços ligados ao turismo e ao lazer.

Nesse arranjo, a data vai além da festa. Ao concentrar consumo em produtos regionais e fortalecer marcas associadas ao imaginário gaúcho, o 20 de setembro reposiciona a cultura como vetor de desenvolvimento. Ganham os negócios que se conectam às tradições; perdem espaço segmentos que ignoram essa identidade e veem o calendário apenas como feriado prolongado.

Identidade, pertencimento e próximos passos

As atividades deste domingo, de desfiles farroupilhas a churrascos em família, reforçam um sentimento de pertencimento que se estende das capitais às pequenas cidades. Em escolas, entidades tradicionalistas e grupos de cavalarianos, a narrativa da Revolução Farroupilha é retomada como referência de resistência, autonomia e cooperação.

O impacto extrapola o pampa. Produtos como a erva-mate de Novo Barreiro e as selarias de Curitibanos circulam hoje em redes sociais, marketplaces e catálogos digitais, aproximando jovens urbanos de um modo de vida que parecia restrito ao interior. A pilcha vira figurino de festa, mas também instrumento de afirmação identitária.

O próximo ciclo aponta para maior integração entre cultura e negócios. Se os planos de expansão do cooperativismo se confirmam e o comércio eletrônico segue crescendo, o Dia do Gaúcho tende a consolidar-se não só como marco cívico, mas como data-chave do calendário econômico do Sul. Nesse cenário, exportação de produtos tradicionalistas, turismo temático e serviços ligados ao universo campeiro podem ganhar novo fôlego.

O desafio será equilibrar tradição e inovação. Manter viva a memória da Revolução Farroupilha e de seus símbolos, sem engessar uma cultura que hoje dialoga com consumidores do Norte ao Cone Sul. No galpão, na tela do celular ou na agência da cooperativa, o que está em jogo neste 20 de setembro é a capacidade do gaúcho de transformar orgulho em projeto de futuro.

Por que o dia 20 de setembro é comemorado como o Dia do Gaúcho?

O Dia do Gaúcho é comemorado em 20 de setembro porque a data marca o início da Revolução Farroupilha, levante republicano que começou no século XIX e se tornou símbolo de resistência, autonomia e identidade do Rio Grande do Sul, hoje celebrado durante a Semana Farroupilha em todo o estado.

O que se celebra no Dia do Gaúcho no Rio Grande do Sul?

O Dia do Gaúcho celebra a cultura, a história e os valores do Rio Grande do Sul, reunindo a memória da Revolução Farroupilha, o culto ao chimarrão, à pilcha, à música nativista, à culinária campeira e às tradições dos CTGs, além de reforçar o orgulho regional e o sentimento de pertencimento das comunidades.

O Dia do Gaúcho é feriado no Rio Grande do Sul?

O Dia do Gaúcho, em 20 de setembro, é feriado civil no Rio Grande do Sul, com repartições públicas, escolas e parte do comércio fechados, enquanto serviços essenciais funcionam em regime especial, o que libera a população para participar de desfiles, eventos tradicionalistas, encontros em família e atividades da Semana Farroupilha.

Quais são as tradições e hábitos típicos do Dia do Gaúcho em Porto Alegre?

No Dia do Gaúcho, Porto Alegre costuma ter desfiles farroupilhas, acampamentos tradicionalistas, rodas de chimarrão, apresentações de música e dança, churrascos em família, uso de pilcha completa e programação especial em escolas e CTGs, transformando parques e espaços públicos em grandes galpões a céu aberto.

Quem pode ser considerado gaúcho no Dia do Gaúcho?

No Dia do Gaúcho, é considerado gaúcho quem nasce no Rio Grande do Sul e também quem adota a cultura, os valores e os costumes do estado, participando da Semana Farroupilha, vivenciando o tradicionalismo, valorizando o chimarrão, a música e a história, independentemente do local de origem ou residência atual.

Como é comemorado o Dia do Gaúcho nas escolas e na educação infantil?

Nas escolas e na educação infantil, o Dia do Gaúcho é comemorado com crianças pilchadas, rodas de chimarrão simbólicas, oficinas de culinária típica, contação de histórias da Revolução Farroupilha, músicas e danças tradicionais, trabalhos sobre símbolos do estado e atividades lúdicas que apresentam, de forma acessível, a cultura gaúcha.


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