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Brasil e Austrália empatam 1 a 1 e revelam crise no meio-campo

Seleção brasileira fica no 1 a 1 com a Austrália em Townsville, com gol salvador de Rayan no último lance, e início de ciclo pós-Mundial expõe velhos problemas.

25/09/2026 22:00 7 min de leitura
Brasil e Austrália empatam 1 a 1 e revelam crise no meio-campo
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Futebol

Empate expõe desafios do meio-campo brasileiro no início do ciclo pós-Mundial.

O Brasil empata em 1 a 1 com a Austrália em amistoso na manhã desta sexta-feira, no Queensland Country Bank Stadium, em Townsville, e inicia o novo ciclo com mais dúvidas do que certezas. Irankunda marca em cobrança de falta, e Rayan salva a seleção no último lance.

Gol de falta, VAR e empate no apagar das luzes

A partida começa às 7h, no horário de Brasília, com gramado irregular e muitas placas de grama soltas. O cenário trava o jogo curto e afeta principalmente o time de Carlo Ancelotti, que tenta construir desde a defesa e mantém mais posse de bola, com 56% ao fim dos 90 minutos.

O Brasil mistura nomes rodados com três estreantes — Vitor Reis, Matheuzinho e Mauro Júnior — e cria pouco. Estêvão é o mais ativo no primeiro tempo, recebe pela direita, busca tabelas e chega a balançar a rede. O gol, porém, cai nas mãos do árbitro de vídeo: o VAR aponta falta de Bruno Guimarães na origem da jogada, e o 1 a 0 é anulado.

A Austrália se fecha bem, espera o erro brasileiro e aproveita cada chance de bola parada. O prêmio vem aos 22 minutos do segundo tempo. Após falta cometida por Douglas Luiz na entrada da área, Irankunda cobra com efeito, por cima da barreira, e surpreende Hugo Souza. O goleiro nem salta. “Por mais que Irankunda tenha cobrado muito bem a falta, o goleiro poderia ter se posicionado melhor. Hugo nem sequer saltou para tentar evitar o gol”, reconhece a própria análise sobre a atuação do camisa 1.

O gol muda o clima em Townsville. A seleção se vê atrás no placar em seu primeiro jogo após a eliminação nas oitavas do Mundial de Seleções e volta a repetir sinais de nervosismo. Ancelotti mexe em bloco, aciona Samuel Lino, Mauro Júnior e, aos 30 minutos da etapa final, lança Rayan no lugar de Estêvão.

Meio travado, Vini apagado e pressão sobre Ancelotti

O roteiro do amistoso expõe um velho problema. O Brasil produz pouco pelo centro do campo, mesmo com Bruno Guimarães e Douglas Luiz em campo. O time termina com sete finalizações, contra seis da Austrália, mas constrói poucas situações claras em jogo corrido. “O técnico Carlo Ancelotti mantém a base da última Copa e traz algumas caras novas, mas o time mais uma vez preenche pouco o meio e demonstra dificuldades para envolver o adversário”, resume a análise tática interna.

Bruno vive noite abaixo de sua média. Erra 12 dos 50 passes que tenta, comete a falta que anula o gol de Estêvão e é o primeiro a deixar o campo. Douglas Luiz se limita ao toque lateral, sem quebrar linhas, e ainda comete a infração que origina a cobrança perfeita de Irankunda. O sistema com dois volantes e quatro homens de frente volta a deixar espaços e a travar a criatividade.

No ataque, a decepção atende pelo nome de Vini Jr. Escolhido para vestir a camisa 10, o atacante não reproduz o protagonismo que mostra no clube. Perde lances simples, finaliza duas vezes e sai aos 19 minutos do segundo tempo, substituído por Samuel Lino. Endrick se movimenta, participa da jogada do gol anulado, mas termina sem uma finalização sequer.

A seleção só ganha alguma fluidez quando Raphinha recua alguns metros para ajudar na criação. “O Brasil só foi entrar no jogo após os 15 minutos, quando Raphinha recuou um pouco mais para a criação e Estêvão virou boa opção pela direita”, descreve a avaliação do primeiro tempo feita pela comissão.

Gramado ruim, lições duras e papel dos jovens

O campo em Townsville vira personagem central. “O gramado do Queensland Country Bank deixou a desejar. Placas de grama soltavam facilmente e as grandes áreas eram os pontos mais danificados, algo que prejudicou o andamento da partida”, aponta o relatório técnico. O problema atinge sobretudo uma seleção que tenta se apoiar na circulação rápida da bola.

No fim, a reação brasileira vem mais na base da insistência do que da organização. Aos 44 minutos do segundo tempo, Rayan perde boa chance na área. Pouco depois, se redime. “Desperdiçou boa chance aos 44 do segundo tempo, mas se redimiu minutos depois e evitou a derrota da Seleção. Bem posicionado, aproveitou cruzamento preciso e testou firme para marcar o gol do Brasil no último lance do jogo”, registra a análise sobre o atacante.

O lance decisivo nasce em escanteio cobrado por Raphinha pela esquerda, aos 49 minutos. Rayan sobe mais alto que a zaga australiana, o goleiro Beach ainda toca na bola, que bate no travessão e entra. O 1 a 1 final evita que o início de ciclo termine em derrota, mas não mascara a atuação fraca.

Para Ancelotti, o amistoso serve como retrato cru do estágio da seleção pós-Mundial de Seleções. A ausência de nomes como Alisson, Casemiro e Fabinho abre espaço aos jovens, mas também escancara a falta de liderança em campo e a necessidade de reorganizar o miolo do time. O empate contra uma Austrália em renovação, que tem a Copa da Ásia de 2027 como alvo, dá combustível ao projeto de Tony Popovic e aumenta a pressão sobre o italiano.

Pressão imediata e próximos testes no ciclo até 2030

O resultado em Townsville não encerra o capítulo, apenas o abre. A seleção brasileira volta a enfrentar a Austrália na próxima terça-feira, desta vez em Brisbane, em novo amistoso de preparação. Depois, viaja para a Índia, onde encara a seleção anfitriã em 3 de outubro.

Os dois compromissos ganham peso de laboratório urgente. A comissão técnica trabalha com a necessidade de ajustar o meio-campo, redefinir o papel de Vini Jr. e testar alternativas táticas para fugir do desenho com dois volantes e quatro atacantes. O setor de preparação física também será cobrado, após o time apresentar dificuldade de explosão em gramado pesado.

No horizonte, o ciclo até o Mundial de Seleções de 2030 já começa cercado de desconfiança. Torcedores e analistas discutem a lista de convocados, pedem mais minutos a jovens como Estêvão e Rayan e cobram soluções claras para que o Brasil volte a controlar jogos, mesmo em condições adversas. A resposta de Ancelotti começa a ser escrita já na próxima semana, em novo encontro com a Austrália.

Por que o empate com a Austrália preocupa a seleção?

O empate por 1 a 1 com a Austrália preocupa porque expõe dificuldades antigas da seleção brasileira, como meio-campo pouco criativo, dependência de jogadas individuais e problemas para controlar adversários organizados mesmo com 56% de posse de bola e sete finalizações, em pleno início do ciclo pós-Mundial de Seleções.

Quem se salva na atuação do Brasil contra a Austrália?

O principal destaque positivo é Rayan, que entra aos 30 minutos do segundo tempo, perde uma chance clara, mas se recupera com o gol de empate aos 49, mostrando personalidade. Estêvão também se apresenta bem, com mobilidade e presença na área, apesar do gol anulado após falta de Bruno Guimarães na origem da jogada.

Quais são os próximos jogos da seleção brasileira após o amistoso?

Os próximos jogos da seleção brasileira são um novo amistoso contra a própria Austrália, na próxima terça-feira, desta vez em Brisbane, e depois um duelo diante da Índia, em 3 de outubro, em Calcutá. As duas partidas servem como continuação dos testes de Carlo Ancelotti no início do ciclo até o Mundial de Seleções de 2030.


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