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Homenagem de Zezé a Rick vira ato político e gera reação

Em shows em MT e MG, Zezé Di Camargo homenageia Rick, morto em acidente aéreo, e associa “lado direito de Deus” à direita política. Vídeos viralizam e dividem fãs.

27/09/2026 14:00 9 min de leitura
Homenagem de Zezé a Rick vira ato político e gera reação
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Zezé Di Camargo transforma homenagem a Rick em declaração política que repercute entre fãs e nas redes sociais.

Ao homenagear o amigo Rick Sollo em dois shows nesta semana, Zezé Di Camargo mistura luto e política no palco e provoca uma onda de críticas nas redes sociais.

O sertanejo exalta o parceiro de longa data como “do lado direito de Deus” e emenda que deseja ver o Brasil “totalmente do lado direito”, em referência explícita ao campo político conservador. A fala, registrada em vídeo e amplamente compartilhada, acirra a polarização em torno do artista em plena reta final para as eleições municipais deste ano.

Do velório ao palco: a homenagem em meio ao luto

Zezé deixa claro ao público que cruza o país em meio ao choque da morte do amigo. Antes de subir ao palco em Cáceres, no interior de Mato Grosso, passa pelo velório de Rick em Sorocaba, no interior paulista. Ele conta que reorganiza a agenda para se despedir do parceiro de estrada.

“Mudei a minha logística para chegar aqui hoje, porque eu tinha um compromisso com o meu coração, que era passar para fazer a despedida de um grande amigo meu da música”, diz, segurando o microfone diante de uma plateia emocionada.

Rick, de 59 anos, morre na queda de um helicóptero na Serra Catarinense. A aeronave, um Bell 430 de prefixo PP-MGR, decola de Porto Belo com destino a São Joaquim e perde contato em área de mata. As buscas mobilizam Corpo de Bombeiros, Força Aérea e Polícia Militar catarinense. Os destroços são localizados no dia seguinte, com cinco mortos a bordo, entre eles o empresário Bruno Avelar.

“Lado direito de Deus” e a entrada da política no discurso

Em Cáceres, durante a exposição agropecuária, a homenagem ganha contornos religiosos. O cantor fala da amizade com Rick e tenta consolar o público ao projetar a imagem do amigo ao lado de Deus. A frase, porém, já carrega um duplo sentido.

“Que Deus o tenha muito, do seu lado direito. O lado direito é que ficam as coisas boas. É o lado direito que é bom ou não é? O Rick está ao lado direito de Deus e eu espero que o Brasil logo, logo esteja totalmente do lado direito”, afirma, sob aplausos e celulares erguidos.

No dia seguinte, em Frutal, no interior de Minas Gerais, Zezé aprofunda a mesma ideia. Admite que enxerga o país “do lado esquerdo” e conecta, de forma direta, moralidade e alinhamento ideológico.

“Que Deus o tenha bem do lado direito. É do lado direito que ficam as coisas boas. Apesar do Brasil estar do lado esquerdo, quando você fala que uma pessoa é do bem, diz que é uma pessoa direita. O Rick está do lado direito de Deus. Eu espero que o Brasil, logo, logo, também esteja totalmente do lado direito”, diz, desta vez sem deixar dúvidas sobre a conotação política.

Vídeos viralizam e dividem fãs do sertanejo

Os trechos circulam em poucas horas. Nas redes sociais, a comoção com a morte de Rick se mistura à indignação com o tom do discurso. Parte dos fãs acusa Zezé de usar o luto como palanque e de reduzir o amigo a metáfora eleitoral em plena dor da família e dos parceiros de palco.

Perfis comentam que esperavam uma homenagem mais sóbria, sem associação entre “lado direito de Deus” e o mapa da política brasileira. Outros apontam falta de respeito com Renner, que ainda digere a perda do parceiro de décadas, ao ver a despedida do amigo transformada em palavra de ordem ideológica.

Há quem aplauda. Eleitores alinhados à direita comemoram o gesto e compartilham os vídeos como um ato de coragem. Para esse público, Zezé apenas verbaliza uma convicção: a ideia de que ser “direita” é ser “pessoa de bem” e de que o país precisa desse rumo.

Um histórico de idas e vindas na política

A fala não surge do nada. A trajetória pública de Zezé mostra um movimento constante entre campos políticos. Em diferentes momentos, ele se aproxima de candidatos de perfis opostos e vira rosto conhecido em campanhas.

Há alguns anos, participa de atos em apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Mais tarde, migra para o grupo de artistas que cercam Jair Bolsonaro, ecoando pautas conservadoras nas redes e em entrevistas.

Em dezembro passado, entra em confronto direto com uma grande emissora de TV ao criticar a presença de Lula e do ministro Alexandre de Moraes em um evento da casa. Em vídeo, diz que a direção do canal está “se prostituindo” e pede para tirar do ar um especial de Natal gravado por ele. O programa acaba retirado da grade.

Esse vai-e-vem ajuda a explicar o peso atual de suas palavras. Ao associar o “lado direito de Deus” à política, Zezé aciona um repertório já conhecido, mas agora em um contexto especialmente sensível: a morte recente de um amigo e colega de profissão, com o país em clima de campanha.

Quem ganha e quem perde com a politização do luto

Para os apoiadores do discurso de direita, a fala de Zezé funciona como reforço simbólico. Um ídolo popular do sertanejo legitima, diante de plateias cheias, uma leitura moral da política em que “direita” é sinônimo de “coisas boas” e “pessoa correta”. Em um cenário de disputa apertada, cada gesto público importa.

Outros segmentos saem arranhados. Uma parcela do público que acompanha a carreira do cantor desde os anos 1990 reage com desconforto à mistura de morte, religião e eleição no mesmo parágrafo. Nas redes, muitos dizem que passaram a ver o artista com “outros olhos” e sinalizam boicote a shows e produtos.

A cena também afeta o próprio universo sertanejo, acostumado a flertar com pautas rurais e conservadoras, mas nem sempre disposto a transformar homenagens fúnebres em ato político. Artistas do meio, mesmo sem se manifestar publicamente, acompanham o caso com atenção, cientes de que episódios assim podem espantar parte da plateia em turnês futuras.

Acidente sob investigação e pressão por resposta

Enquanto o país debate a fala de Zezé, a tragédia que matou Rick segue em apuração. Peritos analisam destroços do helicóptero e dados de voo para entender por que a aeronave cai na Serra Catarinense, matando os cinco ocupantes em questão de minutos.

A investigação busca esclarecer se falhas mecânicas, condições climáticas ou erros humanos estão por trás do acidente. Familiares aguardam respostas oficiais e ainda lidam com a exposição intensa dos últimos dias, entre enterro, homenagens e repercussão virtual.

No campo político e cultural, a tendência é que a pressão sobre Zezé aumente. Perfis organizados já cobram um posicionamento mais detalhado, seja para explicar a intenção da fala, seja para pedir desculpas a quem se sentiu desrespeitado. Assessores monitoram o impacto em contratos de shows e campanhas publicitárias.

O episódio reforça um movimento que ganha força nos últimos anos: artistas que transformam eventos íntimos, muitas vezes trágicos, em plataforma para suas posições políticas. Com o calendário eleitoral avançando, a frase sobre o “lado direito de Deus” deve seguir ecoando, tanto nos palanques quanto nas conversas de bar, como símbolo dos limites — ou da falta deles — entre luto, fé e disputa por votos.

O que Zezé Di Camargo falou sobre Rick durante o show em MT?

No show em Cáceres, em 24 de setembro, Zezé Di Camargo disse que Rick Sollo “está do lado direito de Deus”, afirmou que “é no lado direito que ficam as coisas boas” e completou que espera ver o Brasil “logo, logo totalmente do lado direito”, unindo homenagem religiosa e sinal político.

Por que Zezé Di Camargo foi criticado nas redes sociais após homenagem a Rick?

Zezé Di Camargo é criticado porque muitos fãs consideram desrespeitoso usar a morte recente de Rick Sollo para sustentar um discurso político, associando o “lado direito de Deus” à direita partidária. A mistura de luto, fé e eleição, em plena comoção pelo acidente aéreo, é vista como oportunismo e falta de sensibilidade.

Como Zezé Di Camargo relacionou a morte de Rick com política nas eleições de 2026?

Zezé Di Camargo relacionou a morte de Rick às eleições de 2026 ao dizer, em shows em Cáceres e Frutal, que o amigo está “do lado direito de Deus” e que espera ver o Brasil “totalmente do lado direito”, usando a imagem religiosa do amigo morto para reforçar um alinhamento explícito com a direita política.

Qual foi a reação do público à declaração política de Zezé Di Camargo usando a morte de Rick?

A reação do público foi dividida: parte dos fãs se indignou, acusando Zezé de transformar o luto por Rick em palanque ideológico, enquanto apoiadores de direita comemoraram a fala e a compartilharam nas redes sociais. A polêmica gerou desgaste de imagem e ameaças de boicote, mas também reforçou laços com seu público mais alinhado.

O que Zezé Di Camargo quis dizer ao dizer que Rick está “do lado direito de Deus”?

Ao dizer que Rick está “do lado direito de Deus”, Zezé Di Camargo primeiro recorre a uma imagem religiosa de proteção e bondade, mas em seguida amplia o sentido ao afirmar que “pessoa de bem é pessoa direita” e desejar o Brasil “totalmente do lado direito”, ligando moralidade pessoal à defesa da direita política.

Qual foi o contexto da homenagem de Zezé Di Camargo a Rick Sollo no show em Mato Grosso?

A homenagem de Zezé a Rick em Mato Grosso ocorre três dias após o acidente de helicóptero na Serra Catarinense, que matou cinco pessoas, incluindo o cantor e o empresário Bruno Avelar. Zezé vai ao velório em Sorocaba e, depois, no palco de uma exposição em Cáceres, mistura lembranças afetivas, discurso religioso e defesa da direita política.


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