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Mendonça libera post de Erika Hilton e intensifica disputa no TSE

Decisão de André Mendonça libera postagem de Erika Hilton sobre projeto de 2007 ligado a Nossa Senhora Aparecida e expõe nova frente de tensão entre TSE e STF.

30/09/2026 10:00 7 min de leitura
Mendonça libera post de Erika Hilton e intensifica disputa no TSE
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Política

André Mendonça autoriza publicação que reacende debate entre TSE e STF sobre temas sensíveis.

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), libera a postagem da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) que relaciona, de forma condicional, o candidato Flávio Bolsonaro a um antigo projeto contra o título de Nossa Senhora Aparecida. A medida reverte ordem anterior que mandava retirar o conteúdo por suposta disseminação de notícia falsa.

Liberdade de expressão no centro da disputa

A decisão de Mendonça ocorre em meio à campanha presidencial e toca em dois nervos expostos do debate público: liberdade de expressão e combate à desinformação. A postagem de Erika cita um projeto de lei apresentado em 2007, já arquivado, que pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Na publicação, a deputada liga o tema ao atual cenário eleitoral e alerta para uma possível retomada do debate caso Flávio Bolsonaro vença a eleição. “Apesar de a proposta ser de 2007 e já ter sido arquivada, qualquer movimento que sugira que ela pode retornar ao debate público pelas mãos de Flávio Bolsonaro, que quer ser presidente do Brasil, ou pelas mãos de seus aliados políticos, precisa ser observado com cautela e atenção”, escreveu a parlamentar.

O candidato, que não é autor do projeto, havia recorrido ao TSE para derrubar postagens que o associavam à iniciativa. Inicialmente, Mendonça atendeu ao pedido e determinou a remoção de conteúdos que ligavam Flávio à tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. A decisão de ontem, porém, muda o entendimento em relação ao texto específico de Erika Hilton.

O que Mendonça libera — e o que continua proibido

Ao reconsiderar o caso, Mendonça analisa o conteúdo da postagem linha a linha. Conclui que a deputada não afirma como fato que Flávio Bolsonaro pretende retomar a proposta, mas trabalha com uma hipótese condicionada a uma eventual vitória eleitoral. “Examinada especificamente a publicação da manifestante, verifico que ela, de fato, não reproduz o núcleo factual considerado notoriamente inverídico”, escreve o ministro.

Com isso, ele autoriza que a rede social X restabeleça o post ou se abstenha de bloqueá-lo. Ao mesmo tempo, preserva barreiras claras para o que considera desinformação: continua proibida a veiculação de conteúdos que afirmem, como verdade, que Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família propuseram, apoiaram ou pretendem promover o fim do título de Padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida.

A linha desenhada por Mendonça separa, de um lado, críticas políticas e alertas sobre riscos percebidos, ainda que duros; de outro, acusações factualmente falsas, apresentadas como se fossem realidade. Na prática, dá sinal verde para o debate político áspero, mas tenta blindar o candidato contra imputações que não encontram lastro em atos concretos.

Tabet, Nossa Senhora e a escalada até o STF

O caso ganha temperatura alguns dias antes, quando o humorista Antonio Tabet escreve, no dia 24, em seu perfil no X: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”. A publicação vem na esteira de mensagens que circulam ligando Flávio Bolsonaro ao antigo projeto contra o título de Padroeira.

A pedido do candidato, Mendonça manda retirar o post de Tabet e conteúdos semelhantes, sob o argumento de que espalham notícia falsa. Flávio, embora não citado nominalmente na mensagem do humorista, sustenta que está sendo atingido no contexto de uma narrativa que o acusa de tentar atacar a santa e o símbolo religioso nacional.

A decisão provoca reação imediata no Supremo Tribunal Federal (STF). No dia 27, o ministro Flávio Dino acolhe recurso de Tabet e derruba a ordem de remoção assinada por Mendonça. Dino entende que o humorista exerce o direito de crítica, ainda que ácida, e que a intervenção judicial fere a liberdade de expressão.

Flávio Bolsonaro recorre então ao ministro Luiz Fux, também no STF, que restaura a decisão de Mendonça e volta a mandar tirar o conteúdo do ar. A sequência de ordens e contraordens expõe divergências internas na Corte sobre até onde vai o poder de limitar discursos em nome do combate à desinformação.

TSE julga hoje, STF permanece em aberto

Em meio ao vaivém, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, leva o caso a julgamento no plenário da Justiça Eleitoral. A análise está marcada para hoje, 30, com o objetivo de consolidar a posição do tribunal sobre a postagem de Erika Hilton e sobre os limites para associar, em campanha, um candidato a um projeto antigo e arquivado.

A decisão colegiada pode se transformar em referência para outras disputas envolvendo conteúdos políticos nas redes sociais. Partidos, candidatos e plataformas digitais acompanham o desenrolar com atenção, porque o tribunal eleitoral tende a fixar parâmetros que serão aplicados a uma enxurrada de processos similares.

No STF, o cenário é mais incerto. Os recursos que tratam das ordens conflitantes dadas por Dino e Fux ainda aguardam data para julgamento em plenário. A expectativa é que a Corte precise, em algum momento, harmonizar a atuação dos ministros em casos que misturam honra de candidatos, crítica política, humor e fé religiosa.

Impactos para a campanha e para as redes sociais

A disputa jurídica envolve diretamente um candidato à Presidência, uma deputada de oposição e um símbolo religioso que mobiliza milhões de fiéis. O episódio ajuda a moldar a percepção do eleitorado em torno de dois eixos caros à campanha: a relação dos Bolsonaro com temas religiosos e o comportamento da Justiça frente às críticas.

Para políticos, a mensagem é ambígua e poderosa. De um lado, Mendonça indica que o debate público pode citar riscos, fazer alertas e até projetar cenários futuros, desde que deixe claro o caráter hipotético. De outro, quem cruzar a linha e atribuir fatos inexistentes a adversários corre o risco de censura judicial.

Plataformas como o X também são afetadas. A ordem do TSE para restabelecer a postagem de Erika Hilton, ao mesmo tempo em que mantém a proibição a fake news sobre Flávio Bolsonaro, vira termômetro para as políticas internas de moderação. Empresas terão de calibrar seus filtros para diferenciar opinião dura de desinformação factual, sob risco de confronto com a Justiça.

O desfecho de hoje no TSE e o julgamento futuro no STF tendem a produzir um mapa mais claro — ou mais conturbado — sobre o espaço para contestação política nas redes em tempos de eleição. Enquanto isso, candidatos e eleitores caminham sobre terreno movediço, entre a urgência de coibir boatos e o risco de sufocar o debate democrático.

O que exatamente André Mendonça decidiu sobre o post de Erika Hilton?

O ministro André Mendonça, do TSE, decidiu liberar a postagem da deputada Erika Hilton que cita o projeto arquivado de 2007 sobre Nossa Senhora Aparecida e relaciona, de forma condicional, eventual retomada do tema a uma vitória de Flávio Bolsonaro, mantendo porém proibidos conteúdos que o acusem falsamente de propor ou apoiar o fim do título.

Como essa decisão afeta a campanha de Flávio Bolsonaro e o debate nas redes?

A decisão de André Mendonça afeta a campanha de Flávio Bolsonaro ao permitir críticas que associem, em tese, sua vitória à volta do debate sobre Nossa Senhora Aparecida, mas garante proteção contra acusações factualmente falsas, o que incentiva discurso político duro nas redes, porém impõe limites claros à desinformação eleitoral dirigida ao candidato.


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