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Economia

Ibovespa bate recorde e dólar tem maior queda desde 2018

Ibovespa salta 7,7% e fecha a 206.912 pontos, novo recorde nominal, enquanto dólar recua 4,12% a R$ 5,00 após 1º turno das eleições de 2026.

05/10/2026 21:26 8 min de leitura
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Mercado Financeiro

Ibovespa alcança novo patamar histórico enquanto o dólar registra forte desvalorização após as eleições.

O mercado brasileiro vive um dia de euforia nesta segunda-feira (5). O Ibovespa dispara 7,7%, zera perdas no ano e fecha a 206.912 pontos, novo recorde nominal. O dólar comercial desaba 4,12%, a R$ 5,0018, na maior queda diária desde 2018, após o primeiro turno das eleições presidenciais.

Bolsa e câmbio respondem às urnas

A reação vem menos de 24 horas depois da votação. Com 47,03% dos votos válidos, Flávio Bolsonaro (PL) sai do primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obtém 45,16%. A diferença curta, mas favorável ao opositor, somada a um Congresso mais conservador, redesenha as expectativas de política econômica a partir de 2027.

Investidores leem o resultado como sinal de maior probabilidade de ajuste nas contas públicas nos próximos anos. O PL se consolida como maior partido do Senado, elegendo 19 senadores e formando bancada de 28 parlamentares a partir de fevereiro de 2027, quase o dobro dos 15 atuais. A perspectiva de um Legislativo mais alinhado a uma agenda de contenção de gastos alimenta apostas em juros mais baixos, moeda fortalecida e valorização da Bolsa.

Juros futuros desabam e real lidera ranking global

O movimento mais silencioso, mas decisivo, acontece no mercado de juros. As taxas futuras, que embutem a expectativa para a Selic e a inflação nos próximos anos, recuam mais de 8% nos vencimentos intermediários e longos. Títulos atrelados à inflação passam a pagar prêmios menores: o Tesouro IPCA+ 2032 rende 7% reais ao ano; o 2040, 6,68%; o 2050, 6,59%.

Nos papéis prefixados, o Tesouro 2029 oferece 12,62% ao ano, enquanto o 2032 paga 12,81%. Ainda são juros elevados, mas mais baixos que na sessão anterior. Essa correção reduz o custo de financiamento do governo e das empresas, e, sobretudo, muda a conta para quem decide entre deixar o dinheiro em títulos públicos ou correr mais risco em ações.

Entre as 31 moedas mais negociadas do mundo, o real lidera o ranking de ganhos frente ao dólar. Depois de encerrar a sexta-feira (2) a R$ 5,21, a moeda americana cai para R$ 5,0018, depois de tocar a mínima de R$ 4,95 ao longo do pregão. “O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital.

Por que a Bolsa dispara

A queda dos juros futuros funciona como combustível direto para a B3. Quando a taxa livre de risco cede, as ações valem mais nas planilhas e ficam relativamente mais atraentes que a renda fixa. “Esta queda nos juros gera uma valorização para a própria Bolsa através do custo de oportunidade e da taxa de desconto dos preços das ações, alimentando um clima de otimismo e um fluxo expressivo para os ativos brasileiros”, diz Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos.

O rali é amplo, mas tem campeões claros. O setor financeiro concentra parte importante do salto. Itaú (ITUB4) sobe 10,37%. Banco do Brasil (BBAS3) avança 11%. Bradesco registra altas de 15,03% (BBDC3) e 13,57% (BBDC4). BTG Pactual (BPAC11) dispara 22,52%. Santander (SANB11) ganha 2,63%.

A própria B3 (B3SA3), termômetro do apetite por risco no país, salta 22,63%, indicando expectativa de maior giro de negócios e retomada das ofertas de ações. No varejo e no setor ligado ao consumo, nomes que vinham apanhando se tornam estrelas do dia: Magazine Luiza (MGLU3), Cosan (CSAN3), Cyrela (CYRE3) e Localiza (RENT3) sobem entre 18,40% e 24,18%, embaladas pela perspectiva de crédito mais barato e renda menos pressionada por inflação e juros altos.

Nem todos surfam a onda. Apenas oito ações do índice fecham no vermelho. Entre elas estão Suzano (SUZB3), que recua 5,39%, e Vale (VALE3), com queda de 0,97%. A valorização do real tende a pesar sobre exportadoras, que recebem em dólar e têm custos relevantes em reais, além do receio de mudanças regulatórias em setores de commodities.

Entrada de capital estrangeiro e efeito histórico das eleições

O entusiasmo não se limita à Praça da Bandeira, onde fica a B3. Em Nova York, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), principal fundo que replica um cesto de ações brasileiras, avança 13,35% no dia, reflexo de forte demanda de estrangeiros. Nos Estados Unidos, S&P 500, Nasdaq e Dow Jones também operam em alta, criando um pano de fundo favorável para ativos de risco.

Gestores lembram que essa não é a primeira vez que o pós-primeiro turno vira um gatilho de alta. Levantamento da consultoria Elos Ayta mostra que, nas três últimas eleições presidenciais, a segunda-feira seguinte ao pleito registra ganhos superiores a 4% no Ibovespa. A diferença, agora, está na combinação de preços deprimidos, juros historicamente altos e uma disputa que o mercado enxerga como decisiva para a trajetória da dívida pública.

“Ainda pode ter algum ajuste, dado que, para muitos investidores grandes, é difícil ajustar toda a posição em um dia. Não seria surpresa se observássemos mais altas nos próximos pregões”, diz Fernando Siqueira, head de Research da Eleven. A leitura predominante é de que o rali de hoje antecipa, em parte, um cenário de alternância de poder, mas ainda depende das sinalizações de ambos os candidatos no segundo turno.

Quem ganha, quem perde com o novo humor

Na prática, o setor financeiro surge como principal vencedor imediato desse giro de humor. Bancos listados ganham bilhões em valor de mercado em horas, apostando em crescimento de crédito com inadimplência sob controle e menor risco de intervenções regulatórias. O mercado de capitais também sai fortalecido, com a ação da B3 decolando e reabrindo a possibilidade de novas ofertas e captações.

Empresas voltadas ao mercado interno, como varejistas, construtoras, administradoras de shoppings e companhias de serviços, sentem alívio duplo: moeda mais forte, que barateia importados e parte dos insumos, e curva de juros em queda, que reduz o custo da dívida e melhora a disposição das famílias para consumir e financiar a casa própria ou o carro.

Exportadores de commodities enfrentam cenário menos confortável. A alta do real corrói receitas em moeda local e pressiona margens. Investidores também reavaliam o impacto de um eventual governo mais conservador sobre temas como política ambiental, regulação mineral e incentivos ao setor de papel e celulose.

O novo patamar do dólar tem efeito imediato no bolso. Importados e viagens ao exterior tendem a ficar menos caros se a cotação se mantiver em torno de R$ 5. Mas a mesma dinâmica reduz a competitividade de exportações industriais e agrícolas, o que pode pesar sobre crescimento e emprego em algumas regiões se o movimento se prolongar.

Próximos capítulos dependem do 2º turno

A euforia desta segunda-feira não encerra a disputa entre os candidatos nem a incerteza sobre o rumo da política econômica. O segundo turno definirá não apenas quem comandará o Palácio do Planalto, mas também qual desenho de ajuste fiscal, reforma administrativa e regra para o teto de gastos será efetivamente proposto ao Congresso.

Analistas e gestores falam em otimismo cauteloso. A continuidade da valorização do Ibovespa e de um real mais forte depende da apresentação de um plano crível para conter a dívida pública e reduzir gradualmente os juros de forma sustentável. Qualquer sinal de recuo nessa direção pode inverter o fluxo de capital e trazer de volta a volatilidade a Bolsa e câmbio.

O comportamento dos próximos pregões deve seguir fortemente atrelado às pesquisas eleitorais, às declarações das campanhas e à negociação em torno de alianças no Congresso. O mercado financeiro mostra hoje o que está disposto a pagar por um cenário de disciplina fiscal a partir de 2027. Resta saber se, passada a disputa nas urnas, o governo eleito entregará as reformas que os investidores precificam agora.

Por que o dólar caiu hoje após o 1º turno das eleições?

A queda reflete a leitura de que o resultado aumenta a chance de ajuste fiscal e juros mais baixos no futuro, o que torna o real mais atraente para investidores.

Qual foi a maior queda diária do dólar desde 2018?

Nesta segunda-feira (5), o dólar comercial recua 4,12%, a R$ 5,0018, na maior desvalorização diária desde 8 de junho de 2018.

Como o resultado do 1º turno impactou o Ibovespa e o dólar?

O Ibovespa sobe 7,7% e fecha em recorde de 206.912 pontos, enquanto o dólar cai para perto de R$ 5, com melhora nas expectativas para a política fiscal.

Até onde o dólar pode cair após o desabamento pós-eleição?

Não há nível garantido. A cotação vai depender das sinalizações de ajuste fiscal, do resultado do 2º turno e do cenário externo, sujeito a reversões rápidas.

Qual a relação entre o avanço do bolsonarismo e a queda do dólar hoje?

Parte do mercado vê Flávio Bolsonaro e um Congresso mais conservador como mais propensos a conter gastos, o que reduz risco fiscal percebido e fortalece o real.

Como acompanhar a cotação do dólar em tempo real após as eleições?

Acompanhe em sites de finanças, aplicativos de corretoras e da B3, além das plataformas de bancos, que atualizam a cotação do dólar minuto a minuto.


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