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Economia

Euro hoje cai com dólar despencando e Ibovespa a 206 mil pontos

Dólar tem maior queda diária desde 2018, fecha a R$ 5,00 e Ibovespa salta 7,7% após liderança de Flávio Bolsonaro no 1º turno, com forte alívio no risco fiscal.

06/10/2026 09:01 8 min de leitura
Euro hoje cai com dólar despencando e Ibovespa a 206 mil pontos
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Mercado Financeiro

Dólar registra maior queda diária desde 2018, impulsionando alta expressiva do Ibovespa em meio a alívio no risco fiscal.

O dólar tem a maior queda em um único pregão desde 2018 e volta para perto de R$ 5,00 enquanto a Bolsa brasileira rompe, pela primeira vez, os 206 mil pontos. A reação ocorre logo após o primeiro turno das eleições presidenciais, que coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O movimento derruba o câmbio, impulsiona ações e comprime juros futuros, em um recado claro de que o mercado passa a precificar um cenário fiscal considerado mais austero sob um eventual governo de Flávio. O fortalecimento do PL no Congresso reforça, na visão de investidores, a chance de avanço de reformas econômicas.

Rali histórico no câmbio, Bolsa e juros

Ao fim do pregão, o dólar à vista recua 4,12% e fecha em R$ 5,0022, menor cotação desde maio. O dólar futuro para novembro cai 4,28%, para R$ 5,0280. A moeda americana acumula queda de 8,87% no ano, em um dia em que o real lidera os ganhos entre 33 moedas mais líquidas do mundo.

Na Bolsa, o Ibovespa salta 7,7% e encerra em 206.911 pontos, novo recorde histórico, tanto em termos nominais como reais. O índice supera o pico anterior de 198.557 pontos e ultrapassa também o antigo recorde ajustado pela inflação, equivalente hoje a 201.263 pontos.

A sessão é marcada por fortes altas em ações de maior peso no índice. Papéis de bancos, petroleiras e varejistas avançam em bloco, com Petrobras subindo cerca de 6%, BTG Pactual disparando 22% e Magazine Luiza em alta de 24%. O rali remete aos choques de eleições anteriores, mas em intensidade ainda maior na Bolsa.

Os juros futuros acompanham o giro de humor. A taxa do DI para 2029 recua 109 pontos-base, para 12,66% ao ano, enquanto contratos mais curtos também desabam. A curva de juros passa a embutir expectativa de Selic mais baixa à frente, refletindo percepção de menor risco fiscal e queda no prêmio exigido para financiar a dívida pública.

Resultado eleitoral vira chave do risco fiscal

O gatilho para a reprecificação agressiva dos ativos é a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O senador obtém 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. O placar contraria a expectativa das pesquisas na reta final e alimenta a leitura de alternância de poder em novembro.

Investidores veem no desempenho do candidato do PL a chance de uma política fiscal mais conservadora, com maior controle da dívida e ambiente mais favorável a reformas. Analistas lembram a onda de vitórias de aliados do bolsonarismo em estados e no Senado, o que tende a facilitar a negociação de medidas econômicas com o Congresso.

“As reações dos agentes do mercado financeiro desde agosto já revelavam uma preferência pela mudança, com a ideia de que Flávio Bolsonaro poderia ser mais conservador em sua política fiscal. Por isso, essa perspectiva hoje causa euforia, diminuindo a percepção de riscos fiscais dos ativos brasileiros e favorecendo o desempenho do real”, afirma Leonel Oliveira Mattos, analista da StoneX.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, diz que a amplitude da vantagem no primeiro turno surpreende. “Analistas já trabalhavam com uma perspectiva positiva para uma eventual vitória de Flávio, mas não esperavam uma vantagem tão expressiva no primeiro turno. Por isso, a reação apareceu já na abertura, com alta do Ibovespa e valorização do real”, afirma.

Real forte, inflação menor e exportador sob pressão

A queda de 4,1% do dólar em um dia representa uma valorização expressiva do real, com impacto rápido em diversos setores. Um câmbio mais baixo reduz o custo de importados e de insumos atrelados à moeda americana, aliviando pressões inflacionárias em combustíveis, eletrônicos, remédios e parte dos alimentos.

Para empresas endividadas em dólar, o movimento melhora balanços e reduz a pressão sobre o caixa. Já para exportadores, o real forte é um desafio: produtos brasileiros ficam relativamente mais caros no exterior, o que pode comprimir margens em segmentos como agronegócio e indústria de base se o movimento se prolongar.

A queda dos juros futuros tende a baratear o crédito para empresas e famílias adiante, estimula novos investimentos e desloca parte do dinheiro hoje estacionado em renda fixa para a Bolsa e outros ativos de risco. Ao mesmo tempo, investidores conservadores podem ver retornos mais magros em aplicações atreladas ao CDI, se a Selic de fato recuar.

Na renda variável, o maior apetite aparece com clareza. Estimativas de grandes casas internacionais apontam espaço adicional para valorização. Estrategistas do Goldman Sachs escrevem que “uma cotação de R$ 4,80 seria consistente tanto com a compressão completa do prêmio fiscal ‘residual’ decorrente do episódio de desvalorização do real em 2024 quanto com as avaliações de longo prazo”.

Projeções para o câmbio e nervos de aço até o 2º turno

A leitura de que o risco fiscal encolhe anima projeções. Economistas e estrategistas do UBS avaliam que, “caso o segundo turno reforce o resultado de ontem e, desde que o petróleo continue dando suporte, o dólar poderia caminhar para R$ 4,50 e R$ 4,60 nos três a seis meses seguintes”. A faixa de R$ 4,50-R$ 4,80 aparece em vários relatórios de bancos globais como cenário possível.

José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, recomenda cautela nas decisões de câmbio de empresas e pessoas físicas. “Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra”, afirma. Na visão dele, o mercado já mira cotações mais baixas: “Dada a estimativa de grande movimento, não seria surpresa cair em direção a R$ 4,90-R$ 4,80”.

René Lichtschlag, gestor da Union Invest, condiciona o aumento da exposição ao real ao próprio comportamento do câmbio. “A decisão de aumentar a exposição ao real dependerá principalmente do comportamento dos preços do câmbio. Para ele, o dólar acima de R$ 5,00 é um bom espaço para posições”, afirma.

O humor mais construtivo também aparece na volatilidade. O Vix, índice que mede as oscilações esperadas do Ibovespa, despenca 27,7%, para 23,68 pontos, após ter encostado na máxima histórica na última sexta-feira. O recuo indica menos medo de choques repentinos, embora o caminho até o segundo turno ainda prometa sobressaltos.

Internamente, a campanha recomeça em ritmo acelerado. Lula tenta reorganizar a base e conquistar votos no centro, enquanto Flávio busca consolidar a vantagem e ampliar apoios. O segundo turno, marcado para 25 de outubro, será decisivo para confirmar ou reverter o rali atual. Analistas avisam que qualquer sinal de afrouxamento fiscal ou de instabilidade política pode interromper, ou mesmo inverter, o movimento.

Por ora, o recado dos preços é direto: com a liderança de Flávio Bolsonaro e a leitura de um Congresso mais alinhado à agenda liberal, o investidor local e estrangeiro volta a apostar no Brasil. As próximas semanas dirão se o entusiasmo de hoje se transforma em tendência duradoura ou se este será lembrado apenas como um dos grandes pregões da história eleitoral do país.

Por que o dólar caiu 4,1% após o primeiro turno das eleições?

O dólar cai 4,12% e fecha a R$ 5,0022 principalmente porque o mercado lê a liderança de Flávio Bolsonaro como sinal de política fiscal mais austera, com maior controle da dívida pública, aprovação facilitada de reformas econômicas e redução do risco fiscal, o que aumenta a demanda por reais e ativos brasileiros.

Como o resultado do primeiro turno das eleições influenciou a cotação do dólar?

O resultado do primeiro turno, com Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 47,03% a 45,16% dos votos válidos, leva investidores a antecipar um governo mais conservador nas contas públicas, reduzindo o prêmio de risco do Brasil e provocando forte entrada de capital em reais, o que derruba a cotação do dólar ao redor de R$ 5,00.

Qual foi o impacto da queda do dólar na bolsa de valores?

A derrocada do dólar para R$ 5,0022 ajuda a impulsionar o Ibovespa, que salta 7,7% e fecha em 206.911 pontos, novo recorde histórico, favorecendo especialmente ações de bancos, petroleiras e varejistas, ao reforçar a percepção de menor risco fiscal, juros futuros mais baixos, crédito potencialmente mais barato e maior apetite por ativos brasileiros.

Qual é o valor atual do dólar após o primeiro turno das eleições?

O dólar à vista fecha o pregão a R$ 5,0022, queda diária de 4,12%, no menor nível desde maio, enquanto o contrato futuro para novembro encerra negociado a R$ 5,0280, após recuo de 4,28%, consolidando o real como a moeda de melhor desempenho entre 33 divisas mais líquidas no dia posterior ao primeiro turno.

Como a queda do dólar afeta os juros futuros no Brasil?

A queda do dólar para perto de R$ 5,00, combinada à leitura de menor risco fiscal, derruba as taxas dos DIs em bloco, com o contrato de 2029 recuando 109 pontos-base para 12,66% ao ano, o que embute expectativa de Selic mais baixa, reduz o custo futuro do crédito e torna a renda variável relativamente mais atraente que a renda fixa.


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