Datafolha mede força de Lula e Flávio após 1º turno
Primeira pesquisa Datafolha do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro ouve 2.520 eleitores após diferença de 2,3 milhões de votos no 1º turno de 2026.
Eleições 2026
Pesquisa Datafolha revela a atual popularidade dos candidatos após o primeiro turno das eleições presidenciais.
O Datafolha encerra nesta quinta-feira (8) a primeira pesquisa do segundo turno presidencial de 2026 entre Flávio Bolsonaro e Lula, iniciada um dia após o 1º turno. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pelo grupo Globo, promete redesenhar o mapa da disputa poucas horas depois de uma votação marcada por forte avanço da direita no Congresso.
Corrida reaberta e disputa por 8% do eleitorado
A pesquisa tenta medir o efeito imediato da votação de domingo (5), quando Lula termina à frente de Flávio Bolsonaro por 2,3 milhões de votos. O placar é apertado o bastante para tornar decisiva a movimentação dos cerca de 8% dos votos válidos que foram para candidatos eliminados, entre eles Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e Romeu Zema.
Aliados de Flávio Bolsonaro trabalham com a expectativa de que boa parte desse contingente siga o campo conservador no segundo turno. “A expectativa é de que Flávio Bolsonaro aumente a distância de 2,3 milhões de votos que o separou de Lula no primeiro turno”, afirma o colunista Lauro Jardim, de O GLOBO. As campanhas tratam esses eleitores como prioridade absoluta pelos próximos dias.
No entorno de Lula, a leitura é que a disputa não está definida e depende da capacidade de reter o voto popular conquistado no 1º turno. Dirigentes admitem, nos bastidores, dificuldade para alinhar estratégia e discurso desde a noite de domingo, enquanto adversários ocupam o noticiário com vitórias locais e alianças em formação.
Como o Datafolha entra em campo
O levantamento é conduzido entre 6 e 8 de outubro, com 2.520 entrevistas presenciais em várias regiões do país. “Foram 2.520 eleitores entrevistados presencialmente a um custo de R$ 384,5 mil. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos”, detalha Lauro Jardim. O tamanho da amostra permite traçar um retrato inicial do segundo turno, mas ainda sujeito a mudanças ao longo da campanha.
A abordagem começa com uma pergunta direta, sem exibir opções ao entrevistado. “Se o segundo turno da eleição fosse hoje, em quem você pretende votar para presidente da República?”, questiona o pesquisador. A resposta espontânea mostra quem está consolidado na cabeça do eleitor e quem ainda depende da lembrança estimulada.
Na sequência, o entrevistador apresenta a cartela com os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro e repete a pergunta, para confirmar a escolha. O questionário avança então para um teste simples de memória política: “Qual é o número que você vai digitar na urna eletrônica para confirmar o seu voto para presidente?”. O instituto usa essa checagem para avaliar o grau de informação e engajamento do eleitor com o candidato escolhido.
O Datafolha também quer saber se o entrevistado está decidido ou ainda pode mudar de voto, e mede a rejeição de cada nome. Outra questão investiga a avaliação do governo Lula, hoje no poder, um dado que costuma influenciar o comportamento de parte do eleitorado, especialmente o menos ideológico.
O roteiro inclui ainda perguntas sobre o voto do 1º turno: em quem o eleitor apertou o botão para presidente e em que momento tomou essa decisão, se um mês antes, 15 dias, na última semana, na véspera ou no próprio dia. Para quem se ausentou da urna, o questionário lista motivos práticos e políticos, como doença, viagem, desinteresse ou distância do local de votação.
Vitória da direita redefine o tabuleiro
O pano de fundo da pesquisa é um Congresso redesenhado pela onda conservadora. “A apuração do primeiro turno neste domingo (5/10) definiu 54 novos senadores”, lembra reportagem da BBC sobre a renovação de dois terços das 81 cadeiras. O PL, partido de Flávio Bolsonaro, sai desta disputa ampliado e fortalecido.
“O PL foi o grande vencedor: foram 19 eleitos ao todo, com vitórias em alguns Estados-chave”, registra a BBC. A sigla passa a contar com 28 senadores, formando a maior bancada da Casa. O MDB elege 7, e o PT, de Lula, 6, resultado que pressiona ainda mais a campanha petista a falar não apenas em vitória nas urnas, mas em governabilidade concreta a partir de 2027.
No plano estadual, nomes alinhados à direita como Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira se tornam trunfos para o palanque de Flávio Bolsonaro. Governadores e campeões de voto na Câmara tendem a entrar de forma mais explícita na campanha, oferecendo tempo, estrutura e base social numa tentativa de transformar a vantagem numérica no Senado em impulso na corrida presidencial.
Para Lula, o desafio é reequilibrar o jogo num ambiente claramente adverso no Congresso. A tarefa passa por consolidar o voto de centro-esquerda, reduzir rejeição em segmentos conservadores e buscar apoios entre candidatos derrotados que resistem a embarcar na candidatura de Flávio Bolsonaro. A própria indefinição sobre que tom adotar no horário eleitoral, se de confronto ou de conciliação, aparece como obstáculo imediato.
Pesquisas, apuração veloz e olhos do mundo
A disputa brasileira volta a ser acompanhada de perto no exterior. A rapidez da contagem de votos no 1º turno novamente vira vitrine do sistema eletrônico, alvo recorrente de teorias conspiratórias ao longo dos últimos anos. “Trump menciona eleição brasileira e elogia rapidez da apuração, mas não cita candidatos”, relata a BBC ao registrar a reação do ex-presidente dos Estados Unidos.
A fala valoriza a eficiência do processo, mas não alivia a pressão interna de uma campanha polarizada, em que qualquer oscilação de poucos pontos nas pesquisas pode redefinir estratégias. A margem de erro de dois pontos percentuais do Datafolha será examinada com lupa por marqueteiros, dirigentes partidários e investidores à espera de sinais mais claros sobre o humor do eleitorado.
O Tribunal Superior Eleitoral ainda confirma a data exata do segundo turno, tradicionalmente realizado poucas semanas depois do 1º. Até lá, novas sondagens devem captar o efeito das alianças, do tom dos programas de TV e rádio e de eventuais debates entre Lula e Flávio Bolsonaro, ainda em negociação.
A fotografia que o Datafolha apresenta nesta quinta à noite não encerra a disputa, mas inaugura uma nova fase. A partir dela, campanhas ajustam roteiros de viagens, discurso econômico, ataques e defesas. O que está em jogo vai além de quem ocupa o Planalto pelos próximos quatro anos: define também o equilíbrio entre um Congresso de maioria conservadora e um eventual governo de centro-esquerda, ou a consolidação de um bloco de direita com força nas duas pontas da Praça dos Três Poderes.
As próximas semanas dirão se a vantagem inicial de Lula resiste ao cerco de Flávio Bolsonaro ou se o campo conservador transforma seu ímpeto legislativo em vitória nacional. Até lá, o eleitor brasileiro volta a ser cortejado em cada esquina, escola e praça, com as planilhas das pesquisas abertas em tempo real nos comitês de campanha.
Quando será o segundo turno das eleições de 2026?
A data ainda não é oficialmente confirmada pelo TSE, mas, como em pleitos anteriores, o segundo turno ocorre algumas semanas após o primeiro, realizado em 5 de outubro.
Quem venceu o primeiro turno das eleições presidenciais?
Lula termina o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro, com uma diferença de 2,3 milhões de votos, mas sem atingir maioria suficiente para evitar o segundo turno.
Como ficou o Congresso após o primeiro turno de 2026?
Foram definidos 54 novos senadores. O PL elegeu 19 e passou a ter 28 na bancada. O MDB elegeu 7 e o PT, 6, reforçando a força da direita no Senado.
A pesquisa Datafolha define quem será o novo presidente?
Não. A pesquisa indica tendências do eleitorado em um momento específico, com margem de erro de 2 pontos percentuais. O resultado final depende do voto no dia do segundo turno.


