Datafolha mede disputa Flávio Bolsonaro x Lula em 2026
Datafolha faz 2.520 entrevistas para a primeira pesquisa do segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro e Lula, em cenário acirrado após diferença de 2,2 milhões de votos.
Eleições 2026
Pesquisa Datafolha revela cenário apertado no segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula para presidência.
O Datafolha entra em campo nesta semana para medir, pela primeira vez, o segundo turno presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento nacional, em andamento com 2.520 entrevistas, busca traçar o retrato mais detalhado até aqui da disputa que hoje divide o país.
O instituto colhe as respostas ainda sob o impacto do primeiro turno, que termina com Flávio à frente de Lula por uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-02949/2026, tem divulgação prevista para esta quinta-feira e margem de erro de dois pontos percentuais.
Cenário acirrado após virada no primeiro turno
O resultado da votação de domingo redesenha o mapa eleitoral e surpreende campanhas e analistas. Flávio Bolsonaro soma 47,03% dos votos válidos, o equivalente a 56.104.503 eleitores. Lula termina o primeiro turno com 45,16%, ou 53.879.538 votos.
A vantagem apertada de Flávio contrasta com o quadro captado pela última pesquisa Datafolha antes da ida às urnas, quando o petista aparecia numericamente à frente. A inversão alimenta a disputa sobre quem chega mais forte à etapa final, mas também reforça a ideia de que nada está resolvido até o voto do último indeciso.
As campanhas leem os números como sinal de corrida aberta. O entorno de Flávio tenta consolidar o discurso de virada, mirando a imagem de continuidade do campo bolsonarista. Lula, por outro lado, mira a reconstrução da narrativa de favoritismo frustrado e a reaproximação com faixas do eleitorado que se afastam desde o início do governo.
O que o Datafolha pergunta ao eleitor
O questionário em campo vai além da pergunta direta sobre em quem o eleitor pretende votar. O instituto mede a intenção de voto de duas formas. Na pesquisa estimulada, o entrevistador apresenta uma lista com os dois nomes. Na espontânea, pede que o eleitor cite seu candidato sem qualquer sugestão.
Os pesquisadores buscam saber se o voto já está totalmente decidido ou se ainda pode mudar até o dia da eleição, marcada para 25 de outubro. A pergunta é crucial para identificar o tamanho do eleitorado flutuante, alvo prioritário das campanhas nas próximas semanas. Motivos da escolha, rejeição a cada candidato e grau de confiança também entram na conta.
O levantamento cruza política com vida real. O Datafolha pergunta se o entrevistado recebe Bolsa Família, se trabalha, se estuda e qual é sua religião. Tenta captar ainda se a pessoa acredita que sua vida vai melhorar, ficar igual ou pior caso Lula ou Flávio vença o segundo turno. A resposta indica não só esperança ou medo, mas prioridades concretas de cada grupo social.
A pesquisa dedica um bloco específico à influência dos debates de TV e internet. Os eleitores são questionados sobre a importância desses confrontos e se admitem mudar de voto depois de assisti-los. Em uma disputa tão estreita, qualquer oscilação após uma noite de debate pode redefinir estratégias de marqueteiros e conselheiros políticos.
Memória de 2022 e mapa da polarização
Uma das chaves do questionário está na memória recente do eleitor. O Datafolha pergunta em quem o entrevistado votou na eleição presidencial de 2022 e oferece alternativas para Jair Bolsonaro, Lula, voto em branco, nulo ou nenhum. A resposta ajuda a medir o grau de fidelidade a cada campo político e a força de um possível voto cruzado neste ano.
O instituto também convida o eleitor a se posicionar em uma escala simbólica que vai do bolsonarismo ao petismo. A ideia é entender onde ele se enxerga nesse espectro e se há espaço político para um deslocamento entre os dois polos. Em outras palavras, até que ponto um eleitor que se declara bolsonarista pode cogitar Lula, e vice-versa.
Esse tipo de dado interessa diretamente às campanhas. A equipe de Flávio deve buscar consolidar o voto bolsonarista raiz, herdado do pai, e ampliar pontes com conservadores menos ideológicos. Lula tenta, por sua vez, manter o núcleo petista, segurar o apoio de centro-esquerda e reconquistar parte do eleitorado que migrou para o rival em busca de mudança.
Mercado, comunicação e clima político em alerta
O impacto do levantamento não se restringe aos comitês eleitorais. O mercado financeiro acompanha de perto cada oscilação nas intenções de voto, atento aos reflexos sobre juros, câmbio e decisões de investimento. A frase de um dirigente europeu sobre economia, por exemplo, serve de termômetro desse olhar global. “A alta dos juros de longo prazo está contribuindo para uma redução do repasse dos preços da energia para outros preços e para os salários”, diz o presidente do Banco Central da Finlândia, ao comentar outro cenário. O raciocínio ajuda a entender como política, inflação e confiança se misturam em tempos de eleição.
Empresas de comunicação, agências de marketing político e equipes de análise de dados também se movem. Cada ponto percentual captado pelo Datafolha pode significar mudança de tom na propaganda, reorientação de redes sociais e deslocamento de candidatos para regiões específicas do país.
O próprio setor financeiro, acostumado a ler números frios de balanços, cruza dados políticos com desempenho de carteiras. “O portfólio do banco tem performando melhor que a média e está há seis trimestres com inadimplência estável, sendo que a carteira vem crescendo de forma consistente”, afirma Milton Maluhy, executivo de uma grande instituição privada, ao comentar os resultados recentes. A fala ilustra como a expectativa de estabilidade ou turbulência política entra no cálculo de risco de grandes grupos.
A divulgação desta e de outras pesquisas, como as já registradas por AtlasIntel e PoderData, tende a aumentar a volatilidade do debate público. As campanhas tentam capturar cada centímetro de vantagem, enquanto parte do eleitorado manifesta cansaço com a escalada da polarização. A tensão se espalha por famílias, ambientes de trabalho e redes sociais.
Disputa segue aberta até 25 de outubro
O Datafolha planeja divulgar também, nesta mesma leva, pesquisas de segundo turno para os governos do Distrito Federal e do Rio de Janeiro. No caso fluminense, a discussão sobre eventual dispensa de segundo turno após reviravoltas jurídicas adiciona ruído ao cenário político regional e reforça a sensação de instabilidade.
O quadro nacional, porém, permanece o centro da disputa. Com Flávio Bolsonaro e Lula separados por pouco mais de 2,2 milhões de votos, qualquer movimento entre indecisos e eleitores propensos a mudar de lado pode ser decisivo. As campanhas tratam a semana como ponto de partida de uma nova eleição, agora sob escrutínio diário de pesquisas, redes e mercado.
Até 25 de outubro, Datafolha e outros institutos devem voltar a campo várias vezes. Cada nova rodada pode corrigir rumos, derrubar estratégias e criar fatos políticos inesperados. A pergunta que permanece em aberto, à espera dos próximos números, é se o país caminha para consolidar a virada bolsonarista ou para um novo fôlego lulista na reta final.
O que a pesquisa Datafolha para o segundo turno mede?
A pesquisa Datafolha para o segundo turno presidencial de 2026 mede intenção de voto estimulada e espontânea, decisão ou dúvida do eleitor, rejeição aos candidatos, avaliação do governo Lula, perfil socioeconômico e religioso, influência dos debates e comparação com o voto dado na eleição presidencial de 2022.
Qual é a situação atual de Flávio Bolsonaro e Lula?
Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno com 47,03% dos votos válidos, ou 56.104.503 votos, enquanto Lula soma 45,16%, o equivalente a 53.879.538 votos, diferença de pouco mais de 2,2 milhões, em cenário considerado acirrado e ainda dentro do alcance de mudança até a votação final.


