Senado aprova fim da escala 6×1 e reduz jornada para 40h semanais
Senado aprova PEC que extingue a escala 6x1, reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem corte de salário.

Direitos Trabalhistas
PEC aprovada no Senado elimina a escala 6×1 e estabelece jornada semanal de 40 horas com descanso remunerado.
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Com 75 votos a favor e apenas 1 contra, o Senado aprova hoje a PEC que extingue a escala 6×1, reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, sem redução de salário, para a maior parte dos trabalhadores brasileiros.
A proposta consolida uma das principais bandeiras sociais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha à reeleição e entra na reta final do segundo turno como símbolo de disputa entre governo e oposição sobre o futuro das regras trabalhistas no país.
Pressão eleitoral e virada no plenário
A sessão é aberta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sob forte mobilização de centrais sindicais e do Palácio do Planalto. Ele reforça o caráter social da mudança antes da votação. “Neste momento, milhões de trabalhadoras e trabalhadores acompanham esta sessão com esperança. São pessoas que conhecem, na própria rotina, o valor de um dia a mais de descanso”, afirma.
A emenda constitucional passa em dois turnos, com margem folgada: 75 dos 81 senadores votam a favor; apenas Hamilton Mourão (Republicanos-RS) se posiciona contra. O placar supera com folga o mínimo de 49 votos exigidos para alterar a Constituição. O texto segue para promulgação e passa a valer em etapas.
O acordo costurado pelo governo envolve a retirada de uma emenda da oposição que poderia abrir brecha para excluir da redução de jornada categorias já protegidas por leis específicas com carga inferior a 40 horas. A retirada destrava a votação e reduz a resistência de setores empresariais representados por senadores da direita.
O que muda na jornada e quem fica fora
A nova regra constitucional fixa um teto de 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos. Na prática, a escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias seguidos para folgar apenas um, deixa de ser admitida como padrão nas relações formais de emprego, e o país caminha para uma escala 5×2.
A transição é escalonada. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, já com dois dias de repouso remunerado. Um ano depois dessa etapa, o limite desce a 40 horas. O salário não pode ser reduzido em razão da mudança, o que obriga empresas a readequar turnos, contratar mais pessoal ou reorganizar processos.
O texto, porém, cria uma faixa de exceção. A nova proteção não se aplica a trabalhadores com ensino superior que ganhem mais de 2,5 vezes o teto do INSS, hoje R$ 21.188 por mês. Profissionais com alta remuneração e formação avançada, como executivos e especialistas, poderão negociar jornadas distintas, preservando maior flexibilidade para cargos de confiança e funções estratégicas.
Vitória para Lula, desconforto na oposição
A aprovação ocorre a 11 dias do segundo turno da eleição presidencial e é tratada por aliados como triunfo direto de Lula. O presidente pressiona publicamente pela votação antecipada e transforma o fim da escala 6×1 em contraste com a agenda de flexibilização defendida por adversários. Nas galerias, sindicalistas comemoram e atribuem o resultado à mobilização de rua.
O senador Paulo Paim (PT-RS), histórico defensor da redução da jornada, celebra em tom emocionado. “Vamos entrar para a história de cabeça erguida. Aqui eu só tenho a dizer a todos vocês, ao povo brasileiro que foi às ruas em todos os estados, eu termino só dizendo a vocês que o Congresso, este Senado, só tem que dizer: gratidão, gratidão, gratidão e gratidão!”, diz, sob aplausos.
O PL, principal partido de oposição e legenda do presidenciável Flávio Bolsonaro, libera a bancada, mas vota majoritariamente a favor. A sigla tenta conciliar a pressão popular com a defesa de um modelo alternativo de remuneração por horas trabalhadas, que permitiria salário variável, sem piso de horas nem garantias como 13º e férias, em regime fora da Consolidação das Leis do Trabalho.
Críticas à falta de estudos e ao uso político
Mesmo apoiando o texto, o líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), aponta incertezas econômicas e sugere que um eventual governo de Flávio Bolsonaro poderia rever parte dos efeitos. “O que a gente pode fazer no futuro, no governo Flávio, que será nosso presidente, é mitigar trazendo instrumentos que a gente já viveu no governo Bolsonaro”, afirma.
Valderlan Cardoso (PSD-GO) vota a favor, mas critica a condução política do tema pelo Planalto e pela oposição. “Esse tema passou meses sendo tratado como pauta de campanha. Foi adiado ou apressado por cálculo eleitoral. Atacado e defendido como conveniência do calendário das urnas. Fico indignado com este tipo de situação. Quando um tema de interesse nacional vira disputa de palanque, o Brasil perde”, diz.
Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência e senador pelo PL, também ajusta o discurso. Após semanas atacando a proposta como tentativa oportunista de Lula para ganhar votos, ele acaba votando a favor do fim da 6×1. “Vou votar a favor do fim da 6×1, mas a gente defende algo ainda melhor, sempre”, declara. Em seguida, volta a acusar o governo de agir por interesse eleitoral: “Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto para ele”.
Impacto nas empresas e nos trabalhadores
A medida atinge diretamente setores com forte uso de escala 6×1, como comércio, serviços, saúde, segurança privada e parte da indústria. Empresas terão de redesenhar plantões, ampliar quadros ou investir em automação para manter a produção com quatro horas a menos por semana, sem cortes salariais.
Para os trabalhadores, a combinação de jornada menor e manutenção do salário promete efeito imediato na rotina familiar e na saúde. Dois dias de folga representam mais tempo para convívio, estudo e descanso em atividades que hoje consomem seis dias da semana. Sindicatos veem ainda potencial para reduzir afastamentos por exaustão e acidentes de trabalho.
A aprovação marca também a primeira redução da jornada máxima diretamente inscrita na Constituição desde sua promulgação, reforçando o peso simbólico da mudança. A depender dos efeitos econômicos e da capacidade de fiscalização, o novo modelo pode abrir caminho para debates futuros sobre semana de quatro dias, ampliação do teletrabalho e recomposição de direitos suprimidos em reformas anteriores.
Os próximos meses serão decisivos para medir o impacto real da PEC. A promulgação deve ocorrer rapidamente, colocando em contagem o prazo de dois meses para chegar às 42 horas e o de um ano para consolidar as 40. No meio desse processo, governo e oposição disputarão a narrativa sobre quem, de fato, melhora ou ameaça a vida de quem depende do salário no fim do mês.
Quem propôs a PEC do fim da escala 6×1 aprovada no Senado?
A Proposta de Emenda à Constituição que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada de 44 para 40 horas nasce de articulação da base governista no Congresso, encampada por senadores aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e construída a partir de antigas propostas da bancada trabalhista, em especial de nomes como Paulo Paim.
Qual foi o resultado da votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado?
A PEC do fim da escala 6×1 é aprovada em dois turnos no Senado por 75 votos a favor e apenas 1 contra, o do senador Hamilton Mourão, num universo de 81 parlamentares, bem acima do mínimo de 49 votos exigidos para emenda constitucional, o que evidencia amplo consenso político apesar das críticas.
Como ficará a escala de trabalho após a aprovação da PEC do fim da escala 6×1?
Com a PEC aprovada, a jornada máxima cai gradualmente até 40 horas semanais e os trabalhadores passam a ter direito a dois dias de descanso remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, o que, na prática, substitui a escala 6×1 tradicional por um arranjo próximo da escala 5×2, sem redução de salário.
Quando a PEC do fim da escala 6×1 começará a valer?
A PEC entra em vigor após a promulgação, a partir da qual começa a contagem do cronograma: em dois meses, a jornada máxima cai para 42 horas semanais com dois dias de descanso remunerado; um ano após essa etapa, o limite se fixa em 40 horas, consolidando plenamente o novo regime de trabalho.
Qual foi o voto de Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1?
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro vota a favor da PEC que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada para 40 horas semanais, apesar de ter feito críticas duras à proposta durante a campanha e de defender um modelo alternativo de remuneração por horas, mais flexível e com menos garantias trabalhistas.


