Quaest mostra empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula
Primeira pesquisa Quaest do segundo turno presidencial de 2026 aponta empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula; ruas e redes entram no centro da disputa.

Pesquisa Eleitoral
Nova sondagem revela equilíbrio na disputa presidencial entre os principais candidatos no segundo turno.
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Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) chegam ao segundo turno em empate técnico, segundo a primeira pesquisa Quaest desta fase da disputa presidencial. O senador aparece com 46% das intenções de voto, o presidente com 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira, ajuda a reposicionar uma campanha que passa a ser decidida em detalhes. Com a votação marcada para 25 de outubro e abstenção recorde no primeiro turno, cada ato de rua e cada postagem nas redes entra na conta das duas campanhas.
O que mostram os números da Quaest e do Datafolha
A Quaest ouviu 2.154 eleitores com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de outubro, em entrevistas presenciais em todo o país. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08729/2026 e tem nível de confiança de 95%.
O instituto mediu não só intenção de voto, mas também rejeição, avaliação do governo Lula e conhecimento das propostas dos candidatos. Os percentuais de 46% para Flávio Bolsonaro e 44% para Lula mantêm a disputa aberta e contrastam com a folga que o senador chegou a registrar em levantamentos anteriores.
Na pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na semana passada, Flávio tinha 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Em cenário de votos válidos, outro levantamento do instituto havia mostrado 52% para o senador e 48% para o presidente, diferença de quatro pontos.
Uma nova pesquisa Datafolha está em campo desde ontem, com 2.520 entrevistas previstas até amanhã. O estudo, também com margem de erro de dois pontos percentuais e registrado no TSE sob o código BR-00466/2026, é aguardado por ambos os comitês como confirmação ou correção da tendência captada pela Quaest.
Ruas voltam ao centro da campanha
O cenário mais apertado vem na esteira da volta das grandes manifestações de rua. No domingo, Lula reuniu milhares de apoiadores na avenida Paulista, em São Paulo, e puxou atos em Copacabana, no Rio de Janeiro, e em dezenas de cidades.
Flávio Bolsonaro passou o dia em um almoço de campanha na capital paulista, enquanto aliados organizaram um ato para o próximo domingo, também na Paulista. As imagens dos dois campos ocupando o espaço público viram combustível para análises sobre o quanto as ruas conseguem, de fato, mover votos.
Pesquisadores ouvidos pela reportagem veem nas mobilizações um impacto indireto, mas relevante. Andreza Aruska, diretora do Instituto Brasil da King’s College London, afirma que os atos “podem mudar as eleições, sim, pensando principalmente na abstenção e nos indecisos”.
Para ela, a força das manifestações está menos na conversão direta de adversários e mais na ativação de quem pensa em não comparecer. “Pode informar, animar, dar um sentido de urgência que pode levar as pessoas a sentirem a importância individual da sua presença”, diz.
Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, lembra que a campanha petista sai do primeiro turno sob críticas pela pouca presença nas ruas. “As críticas enfatizavam, de certa maneira, que o PT havia perdido a conexão com as ruas, sua base histórica, e com a juventude, então houve uma reconfiguração”, afirma.
Abstenção recorde e disputa pelo eleitor desmotivado
Os movimentos de Lula miram um alvo específico: os 33,4 milhões de eleitores que não apareceram nas urnas no primeiro turno, o equivalente a 21,08% do eleitorado, maior índice de abstenção desde o fim dos anos 1990. A esse contingente se somam os votos brancos e nulos, que chegaram a 4,77%.
Maria do Socorro Braga, professora da UFSCar, vê relação direta entre atos volumosos e redução desse desinteresse. “No segundo turno, o comparecimento é decisivo. Manifestações volumosas mantêm o clima eleitoral aquecido, incentivando o eleitor desmotivado”, afirma.
Na avaliação da cientista política, a imagem de uma avenida lotada pode ajudar a redesenhar percepções de força e viabilidade. “Uma rua cheia passa a percepção de que determinado candidato tem fôlego e viabilidade de virada ou consolidação, o que pode atrair apoios de lideranças políticas regionais neutras”, diz.
O acirramento captado pela Quaest tende a reforçar a disputa por esse eleitor de baixa motivação. Nas campanhas, cresce a leitura de que o resultado pode ser definido menos pela mudança de lado de quem já tem preferência consolidada e mais por quem decide, ou não, sair de casa em 25 de outubro.
Campanha se converte em batalha digital
A guerra por atenção, porém, não se limita ao asfalto. Em paralelo às manifestações, as equipes de Flávio Bolsonaro e Lula travam uma batalha diária por alcance e engajamento nas redes sociais, especialmente entre jovens e grupos organizados de fãs, os chamados fandoms.
Levantamento baseado em dados de plataformas de monitoramento como Social Blade e Zeeng aponta forte expansão das bases digitais dos dois candidatos entre 4 e 13 de outubro. No Instagram, Lula aumenta o número de seguidores em 8,18%, de 15,8 para 17,1 milhões; Flávio cresce 9,36%, de 12,7 para 13,9 milhões.
No YouTube, o presidente registra alta de 3,45% nos inscritos; o senador, de 7,14%. No TikTok, o crescimento é de 3,39% para Lula e 4,17% para Flávio. No Facebook, onde o dado é o número de curtidas nas páginas, Lula avança 4,65%, enquanto o adversário salta 12,99%.
Um recorte mais curto, entre 10 e 12 de outubro, mostra Lula na frente no crescimento de Instagram, YouTube e TikTok logo após os atos de rua, enquanto Flávio mantém vantagem no Facebook. A Zeeng monitora 121 publicações recentes dos dois perfis, o que permite às equipes calibrar, dia a dia, formatos, temas e linguagens que performam melhor.
Esse ambiente favorece campanhas que conseguem integrar rua e rede, transformando discursos e imagens de comícios em vídeos virais. Também amplia a importância de figuras intermediárias — influenciadores, artistas e políticos regionais — capazes de emprestar credibilidade e multiplicar mensagens para públicos segmentados.
Disputa aberta nos últimos dez dias
Com a pesquisa Quaest apontando empate técnico e o novo Datafolha prestes a sair, as próximas horas são tratadas como termômetro fino por marqueteiros e estrategistas. No entorno de Lula, o plano é manter a sequência de grandes atos, com foco em capitais do Sudeste e do Nordeste e em agendas voltadas à juventude.
Aliados de Flávio Bolsonaro apostam em eventos de rua de forte apelo simbólico, como a manifestação programada na avenida Paulista, e em reforço da comunicação segmentada em redes em que o senador cresce mais rápido. A ordem é preservar a vantagem estreita captada pelos levantamentos anteriores e evitar erros que comprometam o voto conservador.
O País entra nos últimos dez dias de campanha diante de dois cenários plausíveis e sem um favorito claro. As pesquisas seguem como fotografia de momento, não como previsão. A incógnita central permanece a mesma: quantos dos milhões de eleitores hoje desmobilizados decidirão, na reta final, transformar engajamento em voto efetivo.
O que diz a pesquisa Quaest sobre o segundo turno?
A pesquisa Quaest de hoje, registrada no TSE sob o número BR-08729/2026, mostra Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44% das intenções de voto no segundo turno, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, após ouvir 2.154 eleitores entre 10 e 13 de outubro.
Manifestações de rua podem mudar o resultado da eleição?
As manifestações de rua, segundo cientistas políticos como Andreza Aruska e Maria do Socorro Braga, podem influenciar o resultado ao reduzir a abstenção de 21,08% e mobilizar indecisos, ao “informar, animar” e criar senso de urgência, mantendo o clima eleitoral aquecido e estimulando o comparecimento no dia 25 de outubro.
Como está o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro nas redes sociais?
Entre 4 e 13 de outubro, Lula aumenta em 8,18% seus seguidores no Instagram (de 15,8 para 17,1 milhões), enquanto Flávio Bolsonaro cresce 9,36% (de 12,7 para 13,9 milhões), com ambos também expandindo bases em YouTube, TikTok e Facebook, sinalizando disputa intensa por engajamento digital na reta final.


