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Lançamentos de IA

Plataforma Cognittron usa grafos para mudar ensino corporativo

Cognita Learning Lab lança a Cognittron, plataforma que usa grafos e mapas interativos para criar trilhas não lineares e personalizadas em treinamentos corporativos, já aplicada em 31 empresas.

Plataforma Cognittron usa grafos para mudar ensino corporativo

Educação Corporativa

Conheça a plataforma que transforma treinamentos com trilhas personalizadas usando grafos e mapas interativos.

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A Cognita Learning Lab está implantando nas suas academias corporativas a plataforma Cognittron, que usa tecnologia de grafos para transformar cursos lineares em mapas visuais interativos, conectando desafios reais de trabalho a conceitos e materiais de apoio para 2.300 estudantes de 31 empresas.

Com isso, trabalhadores deixam de seguir trilhas fixas de vídeo e apostila e passam a navegar por caminhos personalizados, escolhendo quais problemas resolver e que conceitos explorar, em um modelo que a empresa define como aprendizagem ativa, baseada em perguntas e alinhada às decisões do dia a dia.

Neo4j sustenta mapas de conhecimento não lineares

No centro da Cognittron está um modelo de aprendizagem apoiado em grafos: em vez de módulos em sequência, o sistema organiza o conteúdo como uma rede de nós e conexões entre desafios, conceitos e objetos de aprendizagem. Cada nó pode ser um problema prático, uma decisão, um conceito-chave ou um material específico, como vídeo, texto ou simulador.

Para viabilizar essa navegação fluida, a Cognita construiu a plataforma sobre o banco de dados de grafos Neo4j, capaz de executar consultas complexas e de múltiplos saltos — por exemplo, sair de um desafio de obra no canteiro, passar por conceitos de segurança, depois por normas técnicas e, em seguida, por casos reais semelhantes.

Segundo a empresa, bancos relacionais tradicionais reforçavam trilhas rígidas e dificultavam o chamado “aprendizado em modo exploração”. Com o Neo4j, a lógica se inverte: as conexões entre ideias passam a ser o centro do sistema, e não apenas infraestrutura. Isso permite múltiplos caminhos para um mesmo objetivo, sem forçar todos os alunos a percorrer a mesma sequência.

A Cognittron já está em operação em 10 academias corporativas, atendendo 31 empresas e 2.300 estudantes, com uma taxa de conclusão orgânica muito acima dos cerca de 5% comuns em cursos online convencionais. Em um dos primeiros projetos, voltado a engenheiros e arquitetos da construção civil, empresas do setor criaram academias exclusivas com trilhas técnicas e desafios aplicados.

Entenda o contexto

A aposta em uma aprendizagem em rede ocorre em um cenário brasileiro de forte desigualdade educacional e escassez de mão de obra qualificada. Apenas 56% dos adultos concluíram a educação básica obrigatória, embora a taxa de alfabetização esteja em 94,8%, o que significa um grande contingente de trabalhadores alfabetizados, mas sem formação formal completa.

Ao mesmo tempo, 81% dos empregadores no país relatam dificuldade para encontrar talentos com as competências necessárias. Nesse contexto, programas corporativos de formação se tornam peça-chave para reduzir o descompasso entre o que o mercado precisa e o que os profissionais sabem fazer.

É aí que a Cognittron tenta se diferenciar dos cursos on-line tradicionais, marcados por baixa conclusão e pouco impacto no trabalho real. Em vez de despejar conteúdo padronizado, a plataforma parte de desafios concretos das funções dos alunos e os guia por mapas conectados que ajudam a tomar decisões melhores.

Aprendizagem baseada em perguntas e ação

A Cognita, que completa 23 anos de atuação em educação corporativa e já desenvolveu projetos premiados com organizações internacionais como o UNICEF, estruturou a Cognittron a partir de uma tese simples: as pessoas aprendem melhor quando precisam resolver problemas relevantes e formular boas perguntas, não quando apenas consomem conteúdo.

“Estamos tentando ensinar em rede, mas temos usado ferramentas de linha de montagem. Experiências passivas levam ao desengajamento, esquecimento rápido e fraca transferência para o trabalho real”, afirma Daniel Luzzi, fundador da Cognita Learning Lab.

Na prática, o aluno começa por um desafio — por exemplo, um problema de cronograma, uma falha de segurança ou uma decisão de investimento — e é estimulado a responder: que informação falta para tomar a próxima decisão? A partir dessa pergunta, a plataforma sugere nós relevantes no grafo: conceitos, casos, simuladores, boas práticas e documentos.

Para Luzzi, essa lógica acompanha o que pesquisas em neurociência já indicam. “As pessoas constroem conhecimento conectando informações. Essas conexões formam esquemas que suportam a retenção e permitem que o aprendizado se transforme em decisão e ação. Por isso a navegação pelo conhecimento conectado importa”, diz.

Um tutor digital, definido pela empresa como “mediador cognitivo”, atua como espécie de guia dentro desse mapa, contextualizando informações com base nos desafios práticos, destacando pontos-chave e incentivando a formulação de novas perguntas. Em vez de um assistente que apenas entrega respostas prontas, a ideia é ter um sistema que ajude o aluno a pensar melhor.

Como o Cognita Learning Lab utiliza o Neo4j para ensinar os alunos a pensar por meio de perguntas?

A Cognittron usa o Neo4j para registrar, como grafo, a relação entre perguntas, desafios, conceitos e materiais, permitindo que o aluno percorra diferentes caminhos investigativos a partir das questões que ele mesmo levanta.

Cada pergunta relevante feita pelo estudante — “por que esse erro de projeto aconteceu?”, “quais normas se aplicam aqui?”, “como reduzir esse risco?” — é um ponto de entrada para percorrer o grafo. O Neo4j identifica quais nós estão mais conectados àquele tipo de dúvida e devolve um subconjunto do mapa: conceitos pré-requisitos, casos semelhantes, decisões tomadas por outros profissionais e conteúdos de apoio.

Como o banco de dados é otimizado para relações, a plataforma consegue executar rapidamente consultas do tipo “mostre todos os conceitos que se conectam a este desafio em até três passos” ou “traga exemplos de decisões anteriores ligadas a este problema com bons resultados”. Isso viabiliza um estilo de aprendizagem “escolha seu próprio caminho”, em que a jornada é guiada pelas perguntas e não por um roteiro fixo.

Do ponto de vista pedagógico, a estrutura em grafo evita que o aluno fique preso em trilhas superficiais. Se uma pergunta revela uma lacuna básica, o sistema pode guiar para nós mais introdutórios; se a dúvida é avançada, o caminho segue por conceitos mais sofisticados e casos complexos, mantendo o desafio em um nível adequado.

Quais são os benefícios de ensinar os alunos a pensar e aprender por meio de questionamentos, segundo especialistas em educação?

Para especialistas em aprendizagem ativa, ensinar por meio de perguntas traz benefícios diretos: aumenta o engajamento, aprofunda a compreensão, melhora a retenção e facilita a transferência do conhecimento para situações reais de trabalho.

No modelo tradicional, o aluno recebe uma sequência de tópicos e, muitas vezes, não enxerga a relevância imediata do que está estudando. Já em uma abordagem orientada a questionamentos, o ponto de partida é um problema que importa para ele. A pergunta nasce de uma necessidade concreta e, por isso, o conteúdo que vem na sequência tende a ser percebido como útil.

Ao estruturar o ensino como um processo de investigação — formular hipóteses, buscar informação, conectar conceitos, testar soluções — o aluno treina pensamento crítico e julgamento, competências consideradas centrais em ambientes de trabalho cada vez mais complexos e automatizados.

Esse tipo de aprendizagem também é menos dependente do histórico escolar formal. Em um país em que pouco mais da metade dos adultos concluiu a educação básica, mas a esmagadora maioria é alfabetizada, modelos que partem da experiência e das perguntas reais dos trabalhadores podem incluir mais gente em processos de desenvolvimento profissional sofisticados.

Plataforma mira escassez de talentos e baixa conclusão em EAD

Além de reposicionar o papel do aluno, a Cognittron mira dois problemas crônicos do ensino corporativo: a alta taxa de evasão em cursos online e a dificuldade de desenvolver, em escala, as competências que as empresas não conseguem encontrar prontas no mercado.

Em muitos programas digitais, até 95% dos matriculados abandonam os cursos antes do fim. A Cognita relata que, nas academias que já rodam com a Cognittron, mais de 80% dos alunos orgânicos chegam ao final das jornadas propostas, o que representa uma inversão do padrão e indica maior aderência do formato.

Essa melhora de engajamento e conclusão, somada à ênfase em desafios diretamente conectados ao trabalho, tem se traduzido, segundo a empresa, em retorno financeiro para os clientes — um dos parceiros reporta retorno de investimento três vezes superior ao aplicado em treinamentos.

Do lado das companhias, especialmente em setores pressionados por transformação digital, sustentabilidade e novas exigências regulatórias, a lógica de “construir talento dentro de casa” ganha força. Em vez de afastar o funcionário por longos períodos em cursos genéricos, as empresas passam a oferecer experiências concentradas, contextualizadas e facilmente retomáveis no fluxo do trabalho.

Próximos passos e expansão internacional

Com a plataforma em operação nas academias existentes, a Cognita prepara a expansão do modelo baseado em grafos para novas empresas e setores, inclusive em projetos internacionais de universidades corporativas bilíngues em vários países da América Latina.

No horizonte de desenvolvimento da Cognittron estão recursos de hiperpersonalização mais finos, simuladores ampliados e uma arquitetura mais orientada a serviços para sustentar o crescimento da base de usuários. A aposta é que, ao colocar as conexões entre ideias e perguntas no centro da experiência, o ensino corporativo deixe de ser um requisito burocrático e se aproxime de algo mais próximo de curiosidade guiada e resolução de problemas reais.

Fonte: Neo4j