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Inteligência Artificial

Funcionários da Riachuelo criam IA que libera 3.600 horas no RH

Programa interno Builders capacita funcionários da Riachuelo a criar soluções de IA para RH, escalas de lojas e crédito, com economia projetada de até R$ 25 milhões e foco em eficiência, não em demissões.

Funcionários da Riachuelo criam IA que libera 3.600 horas no RH

Inteligência Artificial

Iniciativa interna da Riachuelo capacita colaboradores a desenvolver IA que otimiza processos e gera significativa economia.

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Dois funcionários do RH da Riachuelo desenvolveram em 12 dias uma plataforma de inteligência artificial para automatizar etapas das avaliações de desempenho, já testada por 52 colaboradores e com potencial de liberar 3.600 horas de trabalho da área de recursos humanos, sem substituir a avaliação humana.

A ferramenta é um dos primeiros resultados do Builders, programa que transforma funcionários de áreas como RH, lojas, fábrica e finanças em criadores de soluções de IA para problemas do dia a dia. A iniciativa, que começou com um movimento espontâneo de uso de assistentes de IA dentro da empresa, hoje reúne 30 projetos em desenvolvimento, dos quais 20 estão em fase piloto.

Com as primeiras aplicações, a Riachuelo projeta um retorno financeiro expressivo: a conta interna da companhia estima que dez projetos do Builders possam gerar, ainda neste ano, R$ 16 de retorno potencial para cada R$ 1 investido, em ganhos como automação de tarefas, mitigação de riscos e substituição de softwares de terceiros.

Como os funcionários da Riachuelo estão criando IAs sem saber programar?

Os funcionários da Riachuelo criam soluções de IA usando ferramentas no-code e mentoria técnica, sem precisar escrever código tradicional.

O Builders foi desenhado para que especialistas de negócio, e não apenas desenvolvedores, consigam tirar ideias do papel. Participantes usam plataformas de inteligência artificial para montar interfaces, painéis e fluxos de automação, enquanto a equipe de tecnologia entra nas etapas mais complexas, como integração com sistemas centrais, uso de dados sensíveis ou solução de barreiras técnicas.

Na primeira turma, a incubadora interna ofereceu 120 sessões individuais de mentoria, em que os times são orientados sobre desenho de processos, segurança de dados e boas práticas de uso de IA. “O programa permite tirar das planilhas manuais aqueles processos que antes não teriam a chance de se tornarem sistemas automatizados”, afirma Ney Santos, diretor executivo de tecnologia e inovação da Riachuelo.

O programa surgiu depois que funcionários criaram por conta própria mais de 1.500 agentes de inteligência artificial para tarefas individuais, como organizar rotinas e apoiar análises simples. O volume de experimentos levou a companhia a organizar essa energia em projetos com mais escala e impacto sobre times inteiros.

Entenda o contexto

Ao estruturar o Builders, a Riachuelo tenta responder a um desafio comum no varejo: falta gente que entenda ao mesmo tempo de operação e de IA. A empresa passou a apostar no conhecimento de quem vive os processos todos os dias e a combinar isso com suporte técnico pontual, em vez de depender apenas de soluções prontas do mercado.

Segundo Santos, a “velocidade que o negócio precisa exige uma nova forma de trabalhar com tecnologia”. A lógica é dar protagonismo a quem está na ponta, reduzindo o tempo entre identificar um problema e ter uma solução rodando, ainda que em piloto.

Quantas horas de trabalho foram liberadas com o uso de IA na Riachuelo?

A Riachuelo calcula que a automação das etapas administrativas de avaliação de desempenho pode liberar 3.600 horas de trabalho por ciclo.

A ferramenta de RH, criada dentro do Builders, atende cerca de 33 mil colaboradores em processos de avaliação que ocorrem duas vezes por ano. Ela automatiza formulários, lembretes, consolidação de relatórios e parte das calibrações, atividades que antes consumiam muitas horas de equipes de gestão de pessoas e de lideranças.

Segundo a empresa, a inteligência artificial não escreve sozinha as avaliações nem decide sobre carreira. O sistema sugere ajustes de tom em textos produzidos por gestores, indica pontos para planos de desenvolvimento individual e assume a parte burocrática. As decisões continuam a cargo de pessoas.

Ferramentas atacam escalas, crédito e tarefas de RH

Além da plataforma de desempenho, um dos destaques do Builders é o WFM Hub, sistema que organiza escalas de trabalho nas lojas. Implantado em todas as unidades em agosto, ele substitui planilhas semanais por um painel que enxerga o mês inteiro, identifica picos de demanda e envia alertas sobre necessidades de ajuste.

A empresa projeta que a mudança na forma de escalar equipes pode gerar uma economia entre R$ 20 milhões e R$ 25 milhões, resultado de uma distribuição mais eficiente da força de trabalho e da possibilidade de evitar contratações adicionais na mesma proporção do crescimento das vendas.

No financeiro, um agente de IA passou a analisar cerca de 3 mil propostas diárias de crédito consignado da Midway, braço financeiro da varejista. A ferramenta cruza dados cadastrais e societários para sinalizar inconsistências e riscos, com potencial de proteger R$ 6 milhões em exposição. A aprovação ou recusa, porém, continua com o analista humano.

Quais os impactos da adoção de IA na rotina dos funcionários da Riachuelo?

Na rotina, a IA reduz tarefas manuais, acelera decisões e muda o foco do trabalho de planilhas para análise.

No RH, times antes presos à conferência de formulários e consolidação de dados passam a dedicar mais tempo a conversas de desenvolvimento e leitura dos resultados das avaliações. Nas lojas, gerentes deixam de montar escalas semanais em planilhas e usam o WFM Hub para simular cenários de atendimento, reforçando equipes em dias de maior movimento.

Na área de crédito, analistas recebem propostas já classificadas por grau de risco e podem concentrar energia nos casos mais sensíveis. A empresa afirma que, até o momento, não há plano de redução do quadro atual. “O foco absoluto está na maximização da eficiência e na melhor distribuição da força de trabalho, e não na redução do atual quadro de funcionários”, diz Santos.

Próximos passos do Builders

Com 30 projetos em desenvolvimento e 20 em piloto, a Riachuelo planeja ampliar o acesso às novas ferramentas para toda a força de trabalho e seguir investindo em capacitação interna e mentoria. A expectativa é consolidar a cultura de inovação, elevar a eficiência operacional e reduzir riscos financeiros.

Dentro da companhia, o clima em torno do Builders é descrito como positivo, com destaque para o protagonismo dos funcionários que, mesmo sem formação técnica, assumem o papel de construtores das próprias ferramentas. A tendência, na avaliação da empresa, é que iniciativas desse tipo se espalhem pelo varejo, à medida que a pressão por eficiência e modernização cresce no setor.

Fonte: exame.com