Flamengo segura Estudiantes em 0 a 0 e decide vaga no Maracanã
Estudiantes pressiona, finaliza 18 vezes, mas empata em 0 a 0 com o Flamengo na ida da semifinal da Libertadores. Fla sente ausência de Jorginho e decide vaga no Maracanã.

Libertadores
Flamengo enfrenta Estudiantes na semifinal e busca classificação com jogo decisivo no Maracanã.
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Mesmo pressionado durante quase todo o jogo em Buenos Aires, o Flamengo segurou o 0 a 0 contra o Estudiantes na partida de ida da semifinal da Libertadores, nesta quinta-feira, e leva a decisão para um Maracanã lotado, já com o retorno do meio-campista Jorginho, ausente e claramente sentido pelo time rubro-negro.
Estudiantes domina, arbitragens vira alvo e Fla não chuta no gol
Empurrado pela torcida e fiel ao estilo intenso do técnico Alexandre Medina, o Estudiantes tomou a iniciativa desde o início, empurrou o Flamengo para o próprio campo e acumulou 18 finalizações, contra apenas cinco da equipe de Leonardo Jardim. O goleiro Muslera passou a noite praticamente como espectador: o Flamengo não acertou uma vez sequer a meta argentina.
Medina saiu de campo frustrado com o resultado, mas satisfeito com a atuação. “A análise não é positiva porque não vencemos e queríamos muito, mas a equipe jogou muito bem, jogamos da maneira que o Estudiantes queria. Faltou efetividade, não conseguimos marcar. Tivemos as melhores chances, eles não criaram nada contra nós. Muslera não fez nenhuma defesa”, afirmou o treinador, destacando a solidez defensiva e a capacidade de controlar o rival.
O duelo foi truncado, cheio de divididas fortes e interrupções. O técnico uruguaio criticou a postura da arbitragem, especialmente no lance em que Lucas Paquetá acertou uma cotovelada em Piovi, no segundo tempo, sem ser expulso. “Foi um jogo muito físico também. Eles fizeram muitas divididas, cometeram muitas faltas, não houve muita fluidez no jogo, houve faltas táticas de ambos os lados e eles não receberam alguns cartões que deveriam ter recebido. Nas semifinais da Libertadores, ninguém vai facilitar as coisas”, disse Medina.
O Flamengo, por sua vez, teve dificuldade para escapar da pressão alta argentina, perdeu a maior parte das segundas bolas e quase não conseguiu conectar seus atacantes em boas condições. A estratégia acabou sendo mais de sobrevivência do que de imposição técnica.
Entenda o contexto
O empate sem gols mantém o confronto completamente aberto para o jogo de volta, no Maracanã, na próxima quinta-feira, às 21h30. Quem vencer avança à final; qualquer novo empate, por qualquer placar, leva a decisão para os pênaltis, cenário que já entra no planejamento das duas comissões técnicas.
O Estudiantes sai de casa com a sensação de superioridade no desempenho e de que poderia ter construído vantagem, mas também com a confiança de ter neutralizado um dos elencos mais fortes do continente. Do outro lado, o Flamengo valoriza o resultado fora de casa, mas reconhece internamente que precisará jogar bem mais no Rio para confirmar a vaga.
Como a ausência de Jorginho afetou o Flamengo?
Sem Jorginho, suspenso, o Flamengo perdeu seu principal organizador e sentiu diretamente no desempenho. O volante é hoje o jogador que dita o ritmo rubro-negro: organiza a saída de bola, oferece linhas de passe, orienta os companheiros e escolhe quando acelerar ou cadenciar as jogadas.
Leonardo Jardim entregou a função a Saúl, que cumpriu o papel com disposição, mas com características distintas. O espanhol participa menos da condução do jogo, o que deixou o time mais previsível na circulação da bola. Faltaram justamente os passes que quebram a primeira linha de pressão, fundamentais contra um adversário que marca em bloco alto, como fez o Estudiantes.
Os números da temporada ajudam a dimensionar o peso de Jorginho. Em 34 partidas em 2026, 29 delas como titular, ele soma 92% de acerto nos passes, média de um passe decisivo por jogo e contribuição defensiva relevante: 1,3 desarmes, 1,1 interceptações e 4,6 bolas recuperadas por partida. É um meio-campista que, além de construir, protege a defesa e acelera a transição quando rouba a bola.
Curiosamente, o aproveitamento geral do Flamengo em 2026 é de 62,7% com Jorginho em campo, contra 69,7% sem ele. O recorte, porém, não leva em conta o nível dos adversários e o contexto de cada partida. A atuação em La Plata reforça que, taticamente, a equipe sente a falta do camisa 21 justamente em noites grandes, sob pressão e com pouco espaço para errar.
Sem o maestro, o Flamengo teve posse em alguns momentos, mas quase sempre longe da área de Muslera e com dificuldade para entrar entre as linhas argentinas. Faltou controle para esfriar o ritmo do Estudiantes e, ao mesmo tempo, qualidade na construção para transformar os raros avanços em chances reais.
O que esperar do jogo de volta no Maracanã?
O retorno de Jorginho para a partida decisiva tende a mudar o desenho do confronto, ao menos na forma como o Flamengo sai jogando e tenta furar a marcação. Com ele, Jardim recupera uma referência técnica e tática no meio-campo, capaz de ajudar a equipe a escapar da pressão, circular a bola com mais velocidade e estabelecer domínio territorial.
O treinador, porém, sabe que a solução não passa apenas por um jogador. O time ainda precisa melhorar coletivamente: oferecer mais opções de passe, aproximar setores, aumentar a movimentação no último terço e ser mais agressivo na hora de finalizar. A forte marcação e a imposição física do Estudiantes, aprovadas por Medina na ida, devem se repetir no Rio.
De olho na possibilidade de decisão por pênaltis, os dois lados já tratam o aspecto mental como prioridade. A comissão técnica rubro-negra deve intensificar o treino de penalidades e a escolha dos cobradores, enquanto o Estudiantes aposta na experiência do elenco em jogos de mata-mata e na confiança de quem já deixou claro que consegue travar o ataque rival.
Em campo, a tendência é de um Flamengo mais propositivo, embalado pela torcida e com Jorginho de volta ao comando do meio, contra um Estudiantes disposto a repetir a solidez defensiva da ida e explorar os espaços nos contra-ataques. A vaga na final seguirá em aberto até o último minuto — e, se necessário, até a marca da cal.
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