Dell promove cúpula global sobre segurança em IA
Dell lidera o AI Cybersecurity and Resilience Summit, em 27 e 28 de outubro, com foco em recuperação cibernética, governança de IA e proteção de dados em larga escala.

Segurança em IA
Dell organiza evento global para discutir estratégias avançadas de proteção e governança em inteligência artificial.
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A Dell Technologies vai liderar, nos dias 27 e 28 de outubro de 2026, o AI Cybersecurity and Resilience Summit, evento online transmitido ao vivo pelo estúdio theCUBE, para debater como empresas podem recuperar sistemas, garantir resiliência cibernética e reforçar a governança em infraestruturas de inteligência artificial em larga escala.
Dell aposta em arquitetura unificada para resiliência
O programa principal, batizado de “From AI to Quantum: A New Era of Cyber Resilience”, ocorre no dia 27 e terá participação de executivos da Dell e analistas do theCUBE Research. A proposta é mostrar como integrar proteção de dados, automação e governança em uma arquitetura única voltada a ambientes corporativos de IA.
A Dell vem conectando sua AI Data Platform ao portfólio de proteção PowerProtect, às capacidades de detecção avançada do CyberSense e a camadas de automação. A combinação busca garantir acesso contínuo a dados críticos, pipelines preparados para IA e operações que respeitam políticas de segurança e conformidade, ao mesmo tempo em que oferecem planos de recuperação testados para ataques sofisticados.
Rob Emsley, diretor de marketing de resiliência cibernética da Dell, resume a estratégia em três pilares que guiam o treinamento de equipes internas e parceiros. “We train our sellers and our partners about three keywords when it comes to cyber resilience : secure, detect and recover”, disse. Em tradução livre, são os eixos segurança, detecção e recuperação.
Em português, Emsley detalha: “Secure é sobre reduzir a superfície de ataque. Detect é sobre detectar e responder a ameaças. [Recovery] de ataques cibernéticos, no fim das contas, é o que os clientes esperam quando precisam”.
Entenda o contexto
O encontro acontece em um momento em que ataques impulsionados por agentes de IA ganham velocidade e sofisticação, pressionando empresas a reverem processos de proteção e resposta a incidentes. Em setores altamente regulados, como finanças e saúde, falhas de segurança podem derrubar operações, comprometer dados sensíveis e gerar multas milionárias.
Analistas do theCUBE Research destacam que a resiliência cibernética deixa de ser apenas backup e passa a incluir visibilidade de metadados, validação de recuperação e entendimento de contexto dos dados corporativos. A meta é que sistemas de IA continuem confiáveis mesmo sob ataque, com trilhas de auditoria e mecanismos de restauração rápida.
Krista Case, analista do theCUBE Research, alerta para o papel dos fornecedores: “Organizations should pay close attention to how vendors establish governance and validation for AI environments”. A recomendação mira empresas que estão escolhendo plataformas para projetos de IA generativa e modelos especializados, muitas vezes sem avaliar os impactos na segurança.
Camada imutável e limites da governança
Um dos pontos centrais do evento será a ideia de manter uma camada segura, isolada e imutável para dados e sistemas essenciais, conceito que a Dell trata como diferencial do seu portfólio. Segundo Simon Jelley, vice-presidente de gerenciamento de produtos da companhia, essa abordagem responde diretamente à aceleração das ameaças com uso de agentes de IA.
“The threat is evolving more quickly than ever with agents, and that’s why having this secure, isolated, immutable layer — which is a core differentiation for how we build our portfolio — is necessary”, afirmou. Para ele, apenas governança não basta: “Governance is necessary, but governance, as unfortunately we know, is never 100% guaranteed”.
Na prática, essa camada funciona como um “cofre” de dados, projetado para resistir a alterações maliciosas e servir de base para recuperação confiável após um ataque de ransomware ou sabotagem em modelos e pipelines de IA.
IA como risco e ferramenta de defesa
Além de enfrentar ameaças movidas por IA, a Dell vem usando a própria inteligência artificial para reforçar a segurança de seus produtos. A empresa adota ferramentas autônomas, como o Claude Mythos Preview, e outros modelos de fronteira para criar cenários de teste altamente imprevisíveis, capazes de revelar falhas que métodos tradicionais não enxergam.
Jelley descreve o movimento como uma via de mão dupla: “AI is going to actually be a contributor to helping there, in terms of randomizing the vulnerability. It’s definitely both a risk and a tool in terms of how we help our customers”. Ao randomizar vulnerabilidades e simular comportamentos atípicos, a equipe consegue ajustar arquiteturas e políticas antes que criminosos explorem essas brechas.
Segurança da infraestrutura de IA entra no radar
Para os analistas do theCUBE Research, as preocupações com segurança em projetos de IA deixaram de se limitar ao vazamento de dados de treino ou de clientes. A própria infraestrutura que sustenta modelos, agentes e APIs passou a ser alvo, seja por ataques diretos, seja por mau uso interno.
“Cyber resiliency risk is not just on the data, what you have to go through every day, it’s also starting to appear in the actual AI infrastructure itself”, afirmou Christophe Bertrand, analista do theCUBE Research. Ele reforça que, para muitas empresas, exposição cibernética já é apontada como principal desafio operacional na implementação de IA, ao lado de custos.
Na visão de Bertrand, sem base segura não há projeto de IA sustentável: “There is no AI without a secure infrastructure, and that means data that is also recoverable, that it is secure and is of course compliant”. Isso inclui não só proteção técnica, mas alinhamento com regras regulatórias e requisitos de auditoria em diferentes países.
Impacto global e próximos passos do mercado
A transmissão do AI Cybersecurity and Resilience Summit será ao vivo, com programação voltada para audiências na América do Norte, EMEA (Europa, Oriente Médio e África) e APJ (Ásia-Pacífico e Japão), o que reforça o caráter global do debate. Participam das análises em estúdio os especialistas Dave Vellante, Krista Case, Christophe Bertrand e Scott Hebner.
No curto prazo, a expectativa é de que a cúpula acelere a adoção de arquiteturas com dados imutáveis, isolamento de cargas de trabalho de IA e uso de ferramentas autônomas para caça a vulnerabilidades. Em paralelo, fornecedores de tecnologia devem intensificar a disputa por diferenciais em resiliência cibernética embutida em plataformas de IA.
Em horizonte mais longo, a consolidação dessas práticas tende a elevar o padrão mínimo de segurança corporativa em projetos de inteligência artificial, ao custo de maior complexidade operacional e da necessidade de atualização constante frente à rápida evolução das ameaças impulsionadas por agentes de IA.
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