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Lançamentos de IA

Replit ARR salta 7x ao trocar Anthropic pela OpenAI em 2026

Replit deixou de usar modelos da Anthropic e passou a priorizar a OpenAI, em movimento guiado por custo, desempenho e estratégia. Receita empresarial saltou de 2% para 15% em um ano.

Replit ARR salta 7x ao trocar Anthropic pela OpenAI em 2026

Tech Desk

Mudança estratégica impulsiona crescimento expressivo na receita anual recorrente da Replit.

Leia também: Jev: modelo de IA atinge 35% adoção na Vercel em 2 semanas

A Replit decidiu deixar de lado os modelos de inteligência artificial da Anthropic e passar a operar sua plataforma principalmente com tecnologia da OpenAI, em uma mudança guiada por custo, desempenho e alinhamento estratégico, enquanto a fatia de receita vinda de contratos empresariais salta de 2% para 15%.

O que aconteceu com a parceria entre Replit e Anthropic?

Na apresentação no TechCrunch Disrupt, o CEO e cofundador da Replit, Amjad Masad, afirmou que a empresa “não está mais trabalhando” com a Anthropic, cuja família de modelos Claude vinha sendo usada para tocar boa parte das funções de IA da plataforma de desenvolvimento em nuvem.

Segundo Masad, a Replit agora prioriza os modelos da OpenAI, após uma parceria anunciada em agosto. Ele disse no palco que a decisão foi tomada a partir de métricas internas e públicas de desempenho, além de análises de custo e de qualidade da relação comercial.

Fontes ligadas à Anthropic, porém, contestam a leitura de ruptura total e afirmam que a parceria ainda existe. Conteúdos recentes em blog e redes sociais da própria Replit, publicados em setembro, citam o uso de versões do Claude em ambiente de produção, o que indica um cenário de transição gradual ou coexistência temporária de tecnologias.

Na prática, o recado público da Replit é de que a Anthropic deixa de ser o motor principal da IA na plataforma, enquanto a OpenAI assume esse papel central. Os sinais contraditórios nos bastidores sugerem negociações em andamento sobre o formato e a extensão da relação entre as duas empresas.

Por que a Replit decidiu encerrar o trabalho com a Anthropic?

Amjad Masad atribui o movimento a uma combinação direta de fatores técnicos e econômicos: desempenho dos modelos, custo e qualidade da parceria. “Acho que o ChatGPT está melhor agora”, disse o CEO, ao comentar os testes comparativos feitos pela companhia.

De acordo com ele, a Replit usa benchmarks internos e estudos públicos para avaliar a performance de diferentes modelos em tarefas específicas de desenvolvimento de software e geração de aplicações. “Publicamos um benchmark público e, consistentemente, Sol e Astra performam melhor na construção de aplicações vibe-coded do zero”, afirmou, citando modelos fornecidos via OpenAI que hoje dão suporte ao Replit Agent.

No pacote de argumentos, entra também o custo de rodar esses sistemas em escala e o grau de alinhamento estratégico oferecido por cada parceiro. Masad resumiu que a decisão foi tomada somando “custo, parceria e performance” e que, por esses critérios, a OpenAI é vista como “melhor parceira por agora”.

Ao mesmo tempo, o CEO reforça que, para a Replit, não basta ter um bom modelo: é preciso encaixá-lo em uma infraestrutura capaz de garantir segurança e confiabilidade no uso da IA por desenvolvedores e empresas.

Como a saída da Anthropic impacta os planos da Replit?

A mudança de foco para a OpenAI mexe diretamente com a operação do Replit Agent e de outras ferramentas da plataforma, usadas por programadores e startups para criar e implantar apps no navegador. Com modelos que, segundo a empresa, entregam melhor desempenho e custo-benefício, a expectativa é reduzir gastos com infraestrutura de IA e, ao mesmo tempo, melhorar respostas, velocidade e precisão para o usuário final.

Isso se conecta a uma estratégia mais ampla de crescimento no segmento corporativo. Ao adotar modelos considerados mais robustos em benchmarks internos, a Replit tenta se posicionar como fornecedora de um ambiente de desenvolvimento alimentado por IA que seja ao mesmo tempo poderoso e confiável, algo visto como crucial para conquistar e manter grandes clientes.

Para a Anthropic, a perda de protagonismo dentro da Replit significa menos visibilidade num ecossistema popular entre fundadores de startups e programadores, além do risco de perda de receita associada ao uso intensivo de seus modelos. Em um mercado de IA cada vez mais competitivo, especialmente em assistentes de programação e automação de código, o movimento reforça a pressão por oferecer modelos mais performáticos, seguros e financeiramente atraentes.

No setor de desenvolvimento em nuvem, a leitura é de consolidação: plataformas tendem a concentrar suas apostas em poucos fornecedores de IA que combinem performance, preço e maturidade em segurança, gerando ainda mais disputa entre grandes laboratórios como OpenAI e Anthropic.

Como está o desempenho financeiro da Replit atualmente?

O próprio Masad evitou divulgar números absolutos de receita recorrente (ARR), mas compartilhou indicadores que mostram aceleração no negócio empresarial. “Enterprise era 2% da receita no ano passado, agora é 15%, e mais de 50% da receita é B2B”, disse o CEO.

Na prática, contratos com empresas — tanto grandes corporações quanto startups que usam a plataforma para desenvolver produtos — já respondem por mais da metade do faturamento da Replit. O salto da vertical enterprise, de 2% para 15% em um ano, indica que o foco em soluções de IA para uso profissional e corporativo passou a ser um dos pilares da estratégia.

Esse avanço ocorre no momento em que a empresa reforça sua infraestrutura de IA, aliando a adoção de modelos considerados mais competitivos à oferta de um ambiente controlado para execução de agentes inteligentes dentro das aplicações dos clientes.

Entenda o contexto

A Replit oferece uma plataforma de desenvolvimento em nuvem que permite criar, testar e implantar aplicativos diretamente no navegador, sem necessidade de configurar servidores ou ambientes locais. Com a onda de IA generativa, o serviço ganhou impulso ao embutir modelos de linguagem em assistentes capazes de sugerir código, automatizar tarefas e até gerar aplicações inteiras com base em comandos em linguagem natural.

Nesse cenário, a disputa entre fornecedores de modelos — como OpenAI e Anthropic — se tornou peça central da estratégia da empresa. O que está em jogo não é só quem fornece o cérebro da operação de IA, mas também quem oferece o melhor equilíbrio entre performance, custo, segurança e suporte para que esses agentes funcionem bem dentro da infraestrutura da Replit.

Masad tem enfatizado que essa camada de infraestrutura é determinante para o uso responsável de IA. “Agentes precisam de um habitat para existir e fazer um bom trabalho, com boa orquestração, recuperação de erros, segurança, sandboxing, rede, identidade e autorização”, afirmou. Segundo ele, só com esse conjunto de proteções e controles é possível “implantar IA com segurança” em ambientes corporativos.

Os próximos passos da Replit passam por consolidar a integração com a OpenAI, definir o futuro da relação com a Anthropic e continuar expandindo a receita B2B. A forma como essa disputa por bastidores se resolver vai ajudar a desenhar não apenas o mapa de fornecedores da empresa, mas também o rumo da competição no mercado de plataformas de desenvolvimento movidas a IA.

Fonte: matéria original