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Trump suspende sanções dos EUA e beneficia economia da Rússia

Na véspera das eleições de meio de mandato, Trump assina ordem que isenta a Rússia de sanções recém-aprovadas pelo Congresso e esvazia o Ato Lindsay Graham, voltado a financiar pressão contra Moscou.

Trump suspende sanções dos EUA e beneficia economia da Rússia

Política Externa

Decisão de Trump impacta relações internacionais e altera dinâmica econômica entre EUA e Rússia.

Leia também: Trump anuncia cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na noite de sexta-feira (16) uma ordem executiva que suspende a aplicação das novas sanções econômicas contra a Rússia, esvaziando o Ato Lindsay Graham e abrindo caminho para um alívio imediato à economia russa em plena guerra na Ucrânia.

O que muda com a suspensão das sanções

A lei, aprovada recentemente pelo Congresso, previa atingir autoridades do governo russo, oligarcas e instituições financeiras, além de dar ao presidente poderes para punir países que continuassem negociando com Moscou. As medidas começariam a valer em 18 de setembro, mas Trump notificou o Congresso de que não aplicaria as punições e formalizou a decisão agora, por ordem executiva.

Na prática, a renúncia às sanções alivia a pressão financeira sobre o Kremlin, preserva o acesso de bancos e oligarcas russos ao sistema global e reduz a capacidade dos Estados Unidos de isolar economicamente Moscou. O setor de energia é um dos principais beneficiados, em linha com o movimento recente da Casa Branca de liberar a importação de diesel russo a preços baixos para o mercado americano.

No texto da ordem, Trump escreve: “Estou, por meio desta [ordem], renunciando à aplicação destas sanções, restrições e deveres previstos no Ato Graham” e afirma ter comunicado formalmente o Congresso: “Enviei ao Congresso um certificado de que a emissão desta dispensa neste momento é de interesse nacional dos Estados Unidos”. O documento, porém, não detalha publicamente os argumentos usados para sustentar essa avaliação.

Entenda o contexto

O Ato Lindsay Graham leva o nome do senador republicano que passou mais de um ano articulando o endurecimento das sanções contra Moscou, antes de morrer em julho. A lei foi desenhada para cortar fontes de recursos da Rússia, em resposta à continuidade da guerra na Ucrânia, e para dar a Washington instrumentos para pressionar outros países a reduzir laços econômicos com o regime de Vladimir Putin.

Ao mesmo tempo, a alta global nos preços de energia se transformou em um problema político interno para Trump. Ele atribui a escalada à ofensiva dos EUA contra o Irã e tenta conter o impacto do combustível caro sobre a inflação e sobre a popularidade de seu partido, a menos de três semanas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Nesse cenário, a volta do diesel russo ao mercado americano é vista pela Casa Branca como forma de reduzir custos para empresas e consumidores, ainda que signifique aliviar a pressão econômica sobre Moscou em meio ao conflito na Ucrânia.

Reação da Rússia, da Ucrânia e de aliados

A mudança na política de sanções foi recebida com entusiasmo em Moscou. O enviado de Putin, Kirill Dmitriev, classificou a decisão como um marco: “A suspensão por parte da administração Trump da lei Graham é um momento importante e realmente histórico”, escreveu, sinalizando que os “esforços de paz e diálogo econômico” entre os dois países devem continuar.

Do lado ucraniano, o presidente Volodymyr Zelensky criticou duramente o gesto de Washington, em especial o acordo sobre o diesel russo. “E agora podemos ver como o dinheiro começará a voltar a fluir para a Rússia por meio do acordo sobre o diesel. Esse acordo nunca será suficiente para compensar o impacto do Estreito de Ormuz sobre os mercados globais. Mas colocará mais dinheiro diretamente no bolso de Putin para financiar esta guerra”, afirmou.

Zelensky já vinha em rota de colisão com Trump desde o anúncio fracassado de um suposto “cessar-fogo energético”, declarado pelo americano sem que Kiev tivesse concordado com os termos. O retorno dos bombardeios russos à infraestrutura ucraniana enterrou a iniciativa e aprofundou o desgaste entre os dois líderes.

Governos europeus que defendem a manutenção de uma frente rígida contra Moscou também expressaram preocupação com o recuo americano, temendo que a decisão enfraqueça a coalizão de sanções e reduza a capacidade de conter a máquina de guerra russa.

Impactos econômicos e disputa eleitoral nos EUA

A suspensão das sanções e o relaxamento das restrições ao diesel russo tendem a favorecer o fluxo de petróleo e derivados russos para o mercado internacional, em um momento de oferta apertada e de preços em alta. Para os EUA, isso pode significar algum alívio nos postos de gasolina e nos custos logísticos, justamente quando o tema do custo de vida domina o debate eleitoral.

Dentro do país, a decisão promete acirrar embates entre republicanos alinhados ao falecido senador Lindsay Graham, que defendiam uma postura dura contra Moscou, e aliados de Trump mais preocupados com os efeitos imediatos da inflação sobre o eleitorado. A política externa volta a se misturar diretamente com a campanha, com acusações cruzadas sobre quem está disposto a “comprar” estabilidade econômica com concessões a Putin.

Ao mesmo tempo em que suspende sanções, a ordem executiva determina que os EUA continuem monitorando quais países compram petróleo bruto e gás natural russos. Esse mapeamento, segundo a Casa Branca, servirá de base para futuras decisões de política externa e pode influenciar alianças e eventuais medidas direcionadas a terceiros países.

Possíveis próximos passos de Washington

O gesto de Trump em relação ao Ato Lindsay Graham se soma a sinais de que o governo pode ir além no afrouxamento das medidas contra Moscou. O presidente estuda aliviar restrições contra petroleiros da chamada “frota fantasma”, usados para driblar controles sobre o comércio de petróleo russo, e chegou a cogitar o descongelamento de ativos russos mantidos no exterior.

Qualquer avanço nessa direção tende a ampliar tensões com Kiev e com capitais europeias, que veem no congelamento de bens russos um dos principais instrumentos de pressão. Ao mesmo tempo, a flexibilização interessa a setores do mercado de energia e a países que buscam alternativas para driblar a escassez e os preços elevados.

Por ora, a Casa Branca afirma que continuará acompanhando o comportamento de países importadores de petróleo e gás russos e que novas decisões dependerão da evolução do quadro econômico e de segurança. Nos bastidores, porém, diplomatas e analistas já tratam a ordem de sexta-feira como um ponto de inflexão na postura americana frente à Rússia e à guerra na Ucrânia.

Fonte: matéria original

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