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Brasil

Lula liga obras em MG à reeleição e pede silêncio a Cleitinho

Em comício em Juiz de Fora, Lula diz que governador Cleitinho não precisa apoiá‑lo, mas deve ‘ficar quietinho’ para evitar paralisação de obras em Minas e celebra PEC que acaba com escala 6x1.

Lula liga obras em MG à reeleição e pede silêncio a Cleitinho

Política

Durante comício em Juiz de Fora, Lula relaciona andamento de obras em MG à sua reeleição e pede discrição ao governador Cleitinho.

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Em comício na tarde de sexta-feira em Juiz de Fora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou a continuidade das obras federais em Minas Gerais à própria reeleição e mandou um recado direto ao governador recém-eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos): segundo ele, o aliado de Flávio Bolsonaro não precisa apoiá-lo na disputa presidencial, mas deve “ficar quietinho” para que o estado não vire um “cemitério de obras paralisadas”.

Lula condiciona obras em Minas à própria reeleição

Diante de apoiadores, Lula reconheceu a vitória de Cleitinho, mas disse que a recuperação de Minas depende de parceria com o governo federal comandado por ele. O presidente fez críticas à gestão do ex-governador Romeu Zema e associou diretamente os investimentos em andamento no estado ao resultado da eleição presidencial.

“Minas Gerais elegeu um governador que não foi o nosso, mas a vontade do povo tem que ser respeitada. O Cleitinho é o governador do povo mineiro e ele tem que saber que a única chance que ele tem de recuperar esse estado que o Romeu Zema estragou, de ter as obras acontecendo aqui, é eu ganhar as eleições para tratar ele com o respeito que o povo de Minas dedicou a ele. Se a gente não ganha, tudo que está investido em Minas vai ser paralisado. Isso aqui vai ficar um cemitério de obras paralisadas. Eu tenho certeza que o Cleitinho é esperto, ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho porque ele só tem a ganhar”, afirmou o presidente.

O recado expõe a tentativa do Planalto de garantir que a mudança de comando em Belo Horizonte não contamine a relação institucional nem trave a liberação de verbas federais. Cleitinho assumirá o estado alinhado ao senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na disputa presidencial.

Até o momento, não houve reação pública do governador eleito às declarações do presidente. A fala, porém, tende a pressionar Cleitinho a calibrar o tom em relação a Brasília, em meio à expectativa de prefeitos e empresários mineiros pela continuidade das obras de infraestrutura e construção civil no estado.

Minas como campo decisivo da disputa

A passagem por Juiz de Fora marcou o primeiro retorno de Lula a Minas Gerais desde o primeiro turno, quando ele ficou cerca de 588 mil votos atrás de Flávio Bolsonaro no estado, apesar de ter priorizado a região na campanha.

Ao longo da disputa, o presidente fez ao menos quatro viagens a Minas para impulsionar o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) ao governo estadual. Patrus acabou em segundo lugar, derrotado por Cleitinho ainda no primeiro turno. Em contrapartida, o PT conseguiu eleger para o Senado a ex-prefeita de Contagem Marília Campos.

A nova investida de Lula em Minas reforça o peso estratégico do estado na reta final da eleição presidencial. Ao acenar a Cleitinho e, ao mesmo tempo, alertar para o risco de paralisação de obras, o Planalto tenta, de um lado, neutralizar resistência do novo governador e, de outro, falar diretamente a prefeitos, trabalhadores e eleitores que dependem dos projetos federais.

O que muda com o fim da escala 6×1?

A PEC promulgada nesta semana acaba com a escala 6×1, regra que permitia seis dias seguidos de trabalho para um dia de descanso, e estabelece dois dias de folga a cada cinco dias trabalhados. A medida vale principalmente para categorias como comerciários e trabalhadores do setor de serviços, acostumados a jornadas alongadas e folgas esparsas.

Em Brasília, pela manhã, Lula participou da cerimônia de promulgação e, mais tarde, em Juiz de Fora, celebrou o texto diante do público, apresentando a mudança como um avanço nas condições de trabalho e dizendo não ver prejuízo para o setor produtivo.

“Chegamos atrasados porque estávamos promulgando a PEC que deu fim à escala 6×1, que garante dois dias de descanso para cinco dias trabalhados. É muito importante que a gente não permita que haja qualquer tipo de retrocesso. Os nossos comerciários e empresários não terão prejuízo algum. Quem vai ganhar é o trabalhador”, disse o presidente.

Lula voltou a afirmar que adversários políticos podem tentar reverter o novo modelo e prometeu resistir a qualquer tentativa de recuo. Para o governo, a mudança melhora a qualidade de vida dos empregados, reduz desgaste físico e psicológico e tende a estabilizar as relações trabalhistas, sem reduzir produtividade.

Entenda o contexto

A combinação de recado político a Cleitinho e exaltação da PEC trabalhista mostra a estratégia do presidente de usar palanques regionais para misturar agenda econômica, social e eleitoral. Em Minas, estado onde foi derrotado no primeiro turno e que é considerado decisivo para o desfecho nacional, Lula tenta reforçar a imagem de fiador de obras e empregos.

Ao vincular a continuidade dos investimentos federais à sua permanência no Planalto e sugerir que o governador eleito “fique quietinho”, o presidente envia um sinal também a outros governadores e lideranças regionais: mesmo sem alinhamento político, espera no mínimo não ser boicotado nas ações de infraestrutura e nas pautas trabalhistas que quer transformar em marcas do seu governo.

Fonte: matéria original

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