Ramit Sethi revela 5 passos para conseguir aumento em 6 meses
Autor Ramit Sethi explica por que a negociação de aumento começa 3 a 6 meses antes da avaliação e mostra, passo a passo, como transformar desempenho em reajuste salarial.

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Negociar um aumento salarial, para o autor e milionário Ramit Sethi, começa muito antes da frase “eu quero ganhar mais”. Durante o evento virtual Your Money, do CNBC Make It, ele defendeu que o pedido só tem real chance de sucesso quando o profissional se prepara por 3 a 6 meses, combina metas claras com o chefe e documenta cada resultado.
Quais estratégias um milionário self-made recomenda para pedir aumento?
Para Sethi, autor do best-seller “I Will Teach You To Be Rich”, o primeiro passo é marcar uma conversa específica com o gestor, meses antes da avaliação de desempenho, para alinhar o que significa ir além do básico naquela função. Ele sugere abrir a reunião com uma frase direta: “É realmente importante para mim ser extraordinário neste trabalho, e quero saber o que será necessário para eu fazer um trabalho extraordinário. Podemos conversar sobre isso?”.
Nessa conversa inicial, funcionário e chefe devem definir de 2 a 3 metas bem objetivas, que possam ser medidas e verificadas. A ideia é transformar o conceito genérico de “bom desempenho” em entregas concretas, como projetos concluídos, indicadores batidos ou melhorias específicas no time.
Com as metas combinadas, começa a segunda etapa: registrar o avanço. Sethi orienta que o profissional envie e-mails periódicos ao gestor, a cada poucas semanas, com atualizações curtas sobre o que foi feito e quais resultados já aparecem. Esse histórico cria uma trilha escrita que, na hora da avaliação, ajuda a lembrar tudo o que foi realizado.
Na reunião de avaliação, o roteiro sugerido por Sethi é revisitar o combinado: relembrar que, meses antes, metas foram definidas, mostrar que foram atingidas e mencionar os e-mails enviados nesse período como prova de consistência. Em seguida, entra a parte financeira. “Eu olhei o que outras pessoas na minha posição estão ganhando, e gostaria de discutir um ajuste de compensação”, propõe ele como frase para introduzir o pedido.
Essa referência ao mercado não vem de improviso. Ao longo dos meses de preparação, o profissional deve pesquisar salários para cargos equivalentes em empresas semelhantes, por meio de plataformas de vagas, relatórios de remuneração e redes profissionais. Esse levantamento serve tanto para evitar pedir um valor fora da realidade quanto para embasar o pedido com números concretos.
Sethi insiste também no tom da conversa. Para ele, não se trata de confronto, mas de construção em conjunto. “Negociação é uma dança”, resume o autor, defendendo uma postura firme, porém colaborativa: abrir espaço para o gestor expor limites, fazer perguntas e, se necessário, negociar prazos ou formatos de reajuste.
Quando a resposta é negativa, o autor recomenda atenção ao motivo. Se o gestor alega falta de orçamento ou de poder para aprovar qualquer aumento, isso é um sinal sobre o teto daquela posição. “Se o chefe disser que não pode aumentar seu salário por falta de orçamento ou poder, isso é OK, mas você precisa decidir se quer continuar no emprego”, afirma Sethi. Nessa hora, entra em jogo a avaliação pessoal sobre carreira, aprendizado e possibilidades em outros lugares.
Entenda o contexto
A abordagem de Sethi ganha força em um momento em que quase metade dos trabalhadores americanos declara buscar promoção ou aumento neste ano. Ao deslocar o foco do pedido em si para o planejamento antecipado, ele sugere um modelo em que o aumento é consequência de um desempenho extraordinário comprovado, e não apenas de insatisfação com o salário atual.
Para as empresas, isso significa lidar com conversas mais estruturadas e baseadas em dados, o que tende a exigir feedbacks mais frequentes e clareza sobre critérios de promoção. Para os profissionais, a estratégia oferece um passo a passo concreto para transformar resultados em argumentação na mesa de negociação.
Outro ponto que Sethi destaca é a desigualdade de resultados entre homens e mulheres na hora de negociar. Segundo ele, ainda que homens e mulheres peçam aumento em proporções semelhantes, eles costumam ter mais sucesso. Ao defender preparação prévia, metas claras e uso de dados de mercado, o autor aponta caminhos que podem ajudar a reduzir esse desequilíbrio, ao tornar o processo mais objetivo e transparente.
Qual é a relação entre o comportamento do chefe em reuniões e o sucesso ao pedir aumento?
O comportamento do chefe nas reuniões em que a negociação é construída — ou travada — tem impacto direto nas chances de um aumento sair do papel. Um gestor que topa discutir expectativas com antecedência, detalhar o que é “desempenho extraordinário” e reagir aos e-mails de atualização cria um ambiente em que o pedido, lá na frente, não é surpresa, mas continuidade de um plano.
Quando o chefe ouve mais do que fala, faz perguntas sobre metas, reconhece entregas e dá retornos específicos, o profissional consegue ajustar o rumo ao longo dos meses e chegar à avaliação com menos ruído. Já em ambientes em que a liderança evita esse diálogo, corta a conversa com justificativas vagas ou ignora os registros de desempenho, a negociação tende a ser mais emocional e menos baseada em fatos — o que reduz a previsibilidade do resultado, mesmo para quem entregou bons números.
Na prática, a estratégia de Sethi pressupõe um gestor disposto a se engajar nesse processo contínuo. Para quem trabalha em lugares mais fechados à negociação, o comportamento do chefe ao longo dessas conversas se torna um indicador importante não apenas sobre as chances de reajuste, mas sobre a viabilidade de crescer naquele ambiente.
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