IA Claude desvenda em 30 min mistério de 25 anos do ECDSA
IA Claude, da Anthropic, decifra em cerca de 30 minutos a origem das sementes da NSA usadas nas curvas elípticas do ECDSA, reduz suspeitas de backdoor e reforça confiança em padrões criptográficos.

Criptografia
Inteligência artificial revela detalhes inéditos sobre as sementes da NSA nas curvas elípticas, fortalecendo a segurança do ECDSA.
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A inteligência artificial Claude, da Anthropic, resolveu em cerca de 30 minutos um mistério criptográfico que durava 25 anos sobre as sementes usadas pela NSA para gerar as curvas elípticas padronizadas pelo NIST no ECDSA, o padrão mais usado hoje para assinaturas digitais, e ajudou a afastar suspeitas de backdoors nesses parâmetros.
IA identifica padrão nas sementes da NSA
A dúvida acompanhava a comunidade de segurança desde que o NIST adotou as curvas elípticas indicadas pela NSA para o ECDSA. As chamadas sementes — valores iniciais a partir dos quais os parâmetros das curvas são calculados — eram fornecidas pela agência de inteligência sem explicação, o que alimentou teorias sobre possíveis portas dos fundos embutidas no padrão.
Nesta semana, pesquisadores recorreram a Claude para analisar os números. A IA rapidamente identificou que as sementes foram geradas com o “lrand48”, descrito pela Anthropic como “um gerador simples de números aleatórios em C que só produz 31 bits”. O algoritmo foi inicializado com timestamps Unix entre maio de 1997 e abril de 1998.
O detalhe técnico que chamou a atenção foi o padrão de bits: como o “lrand48” só gera 31 bits úteis, os bits mais significativos em algumas das sementes apareciam sistematicamente como zero. Esse traço, improvável em valores totalmente aleatórios ou cuidadosamente maquiados, apontou de forma convincente para o uso do gerador padrão em C.
Entenda o contexto
A ausência de explicação oficial sobre as sementes fez com que pesquisadores considerassem, por anos, a hipótese de que a NSA tivesse inserido um atalho matemático secreto nas curvas elípticas. Se isso fosse verdade, quem conhecesse o truque poderia quebrar assinaturas digitais e decifrar comunicações protegidas pelo ECDSA, usado em sites, aplicativos, sistemas bancários, carteiras de criptomoedas e uma série de serviços digitais críticos.
O mistério chegou a motivar uma recompensa pública de US$ 36.864 para quem desvendasse a origem das sementes. Tentativas anteriores, como a do ex-funcionário da NSA Jerry Solinas — que sugeriu que os valores teriam vindo de um hash de uma frase bem-humorada — não resistiram à verificação técnica.
Com a nova análise, a Anthropic afirma que o padrão observado nas sementes é justamente o que se esperaria de uma rotina simples de geração de números pseudoaleatórios, alimentada por carimbos de tempo daquele período do fim dos anos 1990.
O que a descoberta muda para a segurança digital
Ao apontar o uso de um gerador banal e amplamente conhecido, a descoberta reduz de forma significativa a possibilidade de que haja um atalho secreto proposital nas curvas padronizadas. Segundo a Anthropic, “isso torna backdoors deliberados menos prováveis”.
Na prática, a conclusão reforça a confiança nos sistemas que dependem do ECDSA para garantir a autenticidade de transações e comunicações. Instituições financeiras, órgãos públicos, empresas de tecnologia e usuários em geral passam a ter um argumento técnico mais sólido de que, pelo menos nesse ponto específico, os parâmetros da NSA não escondem uma vulnerabilidade intencional.
A descoberta também tem efeito simbólico para a própria NSA e para processos futuros de padronização. A falta de transparência na época alimentou por décadas a suspeita de interferência maliciosa. Agora, especialistas apontam que a agência pode ser pressionada a adotar procedimentos mais abertos e auditáveis quando contribuir com novos padrões criptográficos.
Papel da IA e destino da recompensa
O caso ganha peso adicional por ter sido resolvido por uma IA generalista, em minutos, após décadas de especulação humana. Para pesquisadores de segurança, o episódio é um exemplo concreto de como ferramentas de inteligência artificial podem acelerar auditorias complexas e revelar padrões sutis em sistemas criptográficos consolidados.
A Anthropic anunciou que vai doar integralmente a recompensa de US$ 36.864 ao Internet Security Research Group, organização dedicada a fortalecer a segurança na internet. O gesto busca reforçar a ideia de que a solução do enigma não é apenas uma vitória técnica, mas um passo para ampliar a transparência e a confiança em infraestrutura digital crítica.
Nos bastidores da comunidade de criptografia, a expectativa é que o sucesso com o ECDSA incentive o uso sistemático de IA em revisões independentes de algoritmos, protocolos e implementações, em busca de vulnerabilidades ocultas e de maior clareza sobre decisões técnicas tomadas no passado.
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