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Bank of America é multado em US$ 1,2 bi por falhas em compliance

Bank of America é multado em US$ 1,2 bilhão por falhas em controles contra lavagem de dinheiro e corre para corrigir milhares de vulnerabilidades, após auditoria com IA.

Bank of America é multado em US$ 1,2 bi por falhas em compliance

Tech Desk

Instituição financeira enfrenta penalidade bilionária por falhas em controles anti-lavagem, destacando a importância da auditoria com IA.

Leia também: Desafios de recuperação em IA agentiva impactam precisão

O Bank of America foi multado em US$ 1,2 bilhão por autoridades bancárias dos Estados Unidos por falhas graves em seus controles de combate à lavagem de dinheiro, mesmo após investir bilhões de dólares em tecnologia e equipes para enfrentar crimes financeiros. A punição veio à tona nesta semana, durante a divulgação dos resultados do terceiro trimestre, e pressiona o banco a reforçar a supervisão interna e a segurança cibernética.

Por que o Bank of America foi multado em US$ 1,2 bilhão?

A multa de US$ 1,2 bilhão foi aplicada porque reguladores entenderam que o Bank of America manteve uma postura negligente em relação às normas de combate à lavagem de dinheiro, permitindo brechas em seus sistemas de monitoramento. Na prática, os controles de conformidade não foram considerados robustos o suficiente para detectar e prevenir operações suspeitas em escala compatível com o tamanho da instituição.

Ao comentar o caso em teleconferência com analistas, o CEO Brian Moynihan admitiu a gravidade das falhas. “Entendemos a seriedade da conformidade, e somos responsáveis por acertar”, afirmou. Segundo ele, o banco “investiu bilhões de dólares em tecnologia e dedicou milhares de funcionários para combater o crime financeiro”, mas isso não impediu a penalidade bilionária.

Moynihan detalhou que “algumas centenas de milhões” de dólares foram destinados apenas no terceiro trimestre para remediar problemas específicos em seus sistemas de combate à lavagem de dinheiro (AML, na sigla em inglês). Ainda assim, os reguladores concluíram que houve atraso e insuficiência nas correções, justificando a multa recorde.

Falhas de AML e vulnerabilidades em larga escala

As falhas não se limitaram aos procedimentos de compliance. A área de tecnologia do Bank of America também precisou reagir a um quadro considerado crítico de vulnerabilidades de software. Segundo o CEO, a equipe de TI gastou valor semelhante ao destinado ao AML para corrigir brechas em seus sistemas internos, o que exigiu a contratação de aproximadamente 1.000 consultores especializados.

Essas vulnerabilidades vieram à tona depois que o banco recebeu uma versão preliminar da ferramenta Claude Mythos Preview, desenvolvida pela Anthropic, voltada à detecção de falhas de segurança em larga escala. Em relatório ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados dos EUA, a Anthropic afirmou que o Claude Mythos Preview “já encontrou milhares de vulnerabilidades de alta gravidade, incluindo em todos os principais sistemas operacionais e navegadores web”.

O uso da ferramenta expôs fragilidades em sistemas que suportam operações críticas do banco, aumentando a preocupação de reguladores com a possibilidade de ataques cibernéticos e de uso indevido da infraestrutura para encobrir movimentações ilícitas.

Quais falhas no sistema de combate à lavagem de dinheiro do Bank of America foram identificadas?

As falhas apontadas giram em torno da eficácia e da abrangência dos controles de AML, que deveriam monitorar transações suspeitas e perfis de risco de clientes em tempo real. Os reguladores identificaram brechas que permitiram que movimentações potencialmente ligadas à lavagem de dinheiro não fossem devidamente sinalizadas ou investigadas.

Segundo as autoridades, houve problemas na calibragem de sistemas automatizados de alerta, gargalos na análise manual de casos complexos e deficiência na integração entre áreas de tecnologia, compliance e negócios. O resultado foi uma “atitude relaxada” frente à obrigação de identificar, reportar e bloquear operações irregulares.

A descoberta paralela de milhares de vulnerabilidades de alta gravidade em sistemas operacionais e navegadores usados pelo banco reforçou a avaliação de que a infraestrutura tecnológica não acompanhou o nível de risco. Isso aumenta a chance de criminosos explorarem falhas tanto para acessar dados sensíveis quanto para mascarar trilhas financeiras.

Entenda o contexto

A punição ao Bank of America ocorre em um momento de endurecimento da supervisão regulatória sobre grandes bancos globais, especialmente em temas de combate à lavagem de dinheiro e segurança cibernética. Autoridades americanas vêm cobrando que instituições de grande porte não apenas invistam em tecnologia, mas comprovem que esses sistemas funcionam na prática.

No caso do Bank of America, o contraste entre os “bilhões de dólares” aplicados em ferramentas e equipes e a descoberta de falhas estruturais em AML e TI virou símbolo de um problema maior: a dificuldade de transformar gastos em proteção efetiva. A leitura dos reguladores é de que o banco reagiu tarde e de forma incompleta, o que abriu espaço para o rigor da multa.

Quais medidas o Bank of America pretende tomar após a multa?

Após a penalidade, o Bank of America promete aprofundar as mudanças já iniciadas em seus sistemas e processos de conformidade. No curto prazo, a prioridade é concluir a remediação de controles de AML, revisar modelos de monitoramento de risco e acelerar a correção das vulnerabilidades detectadas pela Claude Mythos Preview, em parceria com os cerca de 1.000 consultores contratados.

Internamente, o banco deve reforçar estruturas dedicadas a compliance e segurança cibernética, com mais integração entre tecnologia e equipes responsáveis por analisar transações suspeitas. A instituição também tende a intensificar o uso de inteligência artificial e análise de dados para rastrear padrões de lavagem de dinheiro.

A expectativa no mercado é que os custos operacionais sigam pressionados nos próximos trimestres, com impacto sobre os resultados, enquanto o banco tenta recuperar a confiança de investidores, reguladores e clientes. Para o restante do setor financeiro, o caso funciona como alerta: investimentos em tecnologia sem governança eficaz e supervisão rígida podem sair muito caro.

Fonte: matéria original