Senadora Darline Graham desafia Trump por fim às sanções à Rússia
Republicana da Carolina do Sul defende manter sanções sobre combustíveis fósseis russos, diverge de ordem executiva de Trump e promete cobrar presidente em visita ao Estado.

Política Externa
Senadora da Carolina do Sul se posiciona contra a decisão de Trump e promete pressionar por sanções mais rígidas.
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A senadora republicana Darline Graham confronta publicamente o presidente Donald Trump ao defender a manutenção das sanções sobre a venda de combustíveis fósseis russos, contrariando a ordem executiva anunciada na sexta-feira que suspende essas restrições e aprofunda o racha no Partido Republicano sobre a guerra na Ucrânia.
Graham cobra pressão máxima sobre Moscou
Em evento neste sábado em Mount Pleasant, na Carolina do Sul, Graham disse a jornalistas que discorda da estratégia de Trump de liberar negócios com o setor de petróleo e gás da Rússia, justamente numa legislação batizada em homenagem ao seu irmão, a “Lei Lindsey O. Graham de Sanções à Rússia e ao Irã”.
“O presidente e eu compartilhamos o mesmo objetivo: acabar com a guerra e reduzir os preços da gasolina e do diesel. E a lei de sanções é uma das ferramentas que ele pode utilizar para isso”, afirmou a senadora. Em seguida, deixou clara a divergência: “Eu optaria por manter a pressão sobre a Rússia para encerrar a guerra e reduzir os preços dos combustíveis, pois não confio em Putin nem na Rússia”.
A ordem executiva de Trump suspende sanções que limitavam a venda de petróleo e gás russos, abrindo espaço para que empresas e países retomem ou ampliem contratos com Moscou. A medida é apresentada pela Casa Branca como forma de aliviar os preços dos combustíveis, mas é vista por críticos como um afrouxamento da pressão econômica sobre o Kremlin em plena guerra.
Entenda o contexto
A decisão de Trump de isentar o setor de combustíveis fósseis russos das sanções ocorre em meio a um conflito crescente com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e a sinais de desgaste no apoio de Washington a Kiev.
As sanções energéticas são uma das principais ferramentas usadas pelos Estados Unidos e aliados para tentar cortar fontes de financiamento da máquina de guerra russa. Ao permitir que mais petróleo e gás russos cheguem ao mercado global, a intenção é derrubar o preço da gasolina e do diesel, algo sensível para consumidores, transportadoras e produtores rurais americanos.
Na prática, porém, essa flexibilização reduz o custo da guerra para Moscou e pode prolongar o conflito, avaliam parlamentares de linha dura contra o governo de Vladimir Putin. É essa corrente que Graham tenta vocalizar, ao argumentar que a pressão econômica é essencial para forçar a Rússia à mesa de negociações.
Racha republicano e pressão eleitoral
A contestação feita por Darline Graham, que assumiu a vaga do irmão e tenta agora um mandato completo no Senado, expõe uma divisão no Partido Republicano entre quem defende manter uma política externa mais rígida contra a Rússia e quem prioriza o alívio econômico imediato no preço dos combustíveis nos Estados Unidos.
Além de Graham, outros legisladores americanos, incluindo um número crescente de republicanos, já se manifestam contra a suspensão das sanções, abrindo espaço para iniciativas no Congresso que tentem limitar ou até reverter o alcance da ordem executiva.
Graham afirmou que pretende levar o assunto diretamente a Trump na próxima semana, quando o presidente estará na Carolina do Sul em agenda de campanha. A conversa pode se tornar um momento-chave para medir até onde vai a disposição da senadora de manter o embate público com o líder de seu próprio partido.
Enquanto isso, a mudança na política de sanções dos Estados Unidos alimenta a tensão com o governo Zelensky, que vê na decisão um enfraquecimento do apoio americano, e adiciona incerteza aos mercados globais de energia, com impacto direto sobre o bolso de consumidores em diversos países.
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