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Trump suspende sanções à Rússia e fecha acordo por diesel

Trump suspende sanções e tarifas previstas contra a Rússia para preservar negociações de paz na guerra da Ucrânia e anuncia importação inicial de 300 mil toneladas de diesel russo pelos EUA.

Trump suspende sanções à Rússia e fecha acordo por diesel

Relações Internacionais

Medida visa manter diálogo aberto para avanços na resolução do conflito ucraniano.

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Donald Trump suspendeu a aplicação de novas sanções e tarifas contra a Rússia e vinculou a decisão às negociações de paz na guerra da Ucrânia, ao mesmo tempo em que anunciou um acordo para importação inicial de 300 mil toneladas métricas de diesel russo pelos Estados Unidos.

Trump condiciona punições à Rússia ao andamento de negociações

A suspensão foi definida na sexta-feira, na véspera da entrada em vigor das medidas previstas na chamada Lei Graham, e voltou a ser defendida por Trump neste domingo, em publicação na rede Truth Social. O presidente argumenta que punir Moscou agora poderia atrapalhar conversas para um cessar-fogo e para a libertação de reféns.

“Minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação da paz na guerra entre Rússia e Ucrânia e não quero fazer nada que, de maneira insensata, afaste a Rússia da mesa de negociações. Grandes avanços estão sendo feitos, e isso inclui as atuais negociações sobre reféns!”, escreveu Trump, ao justificar por que segurou a assinatura das sanções.

Pelo texto suspenso, Washington imporia tarifas adicionais sobre produtos russos e penalidades a países que continuassem comprando petróleo e gás de Moscou. O presidente afirma que pode retomar a aplicação das medidas mais adiante, mas não deu prazo.

No sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo pretende usar um período de até 60 dias para avaliar os impactos econômicos da suspensão. Segundo ele, a análise leva em conta efeitos sobre a economia global e sobre o mercado interno americano, em meio ao cenário de incerteza energética provocado pela guerra na Ucrânia e por conflitos no Oriente Médio.

Trump critica Zelensky e ataques a refinarias russas

Ao defender a guinada na estratégia de pressão econômica sobre Moscou, Trump passou ao ataque contra o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Na mesma publicação em que explicou a suspensão das sanções, o republicano acusou o líder ucraniano de prolongar a guerra e de mirar refinarias de diesel na Rússia sabendo do impacto sobre o mercado mundial do combustível.

“Zelensky está usando refinarias de diesel na Rússia como alvo, sabendo que esses ataques estão prejudicando seriamente os mercados mundiais de diesel, inclusive nos EUA. Agricultores, pecuaristas e empresas de todos os tipos estão sofrendo muito com isso, mas a Rússia, apesar disso, está enviando milhões de barris de diesel ao mundo a preços baixos”, afirmou o presidente americano.

Trump também disse que Zelensky “não quer encerrar a guerra” e alegou que o ucraniano poderia ter conseguido um acordo melhor no passado. As críticas atingem diretamente a estratégia de Kiev de atacar infraestrutura energética russa para reduzir a capacidade de financiamento do esforço de guerra de Moscou.

Zelensky reagiu à decisão de Washington e alertou que suspender punições econômicas neste momento pode fortalecer o presidente russo, Vladimir Putin, e prolongar o conflito. Para o governo ucraniano, a pressão por meio de sanções é peça central para tentar limitar a capacidade militar da Rússia.

Entenda o contexto

A reviravolta na política de sanções acontece em um momento em que governos ocidentais lidam com inflação ainda pressionada por energia e alimentos e com cadeias globais de abastecimento instáveis desde o início da guerra na Ucrânia. O diesel é considerado estratégico porque movimenta máquinas agrícolas, caminhões e boa parte da frota comercial, o que torna seu preço um fator direto de custo para produtores rurais e empresas.

Ao suspender as novas punições e criticar ataques a refinarias russas, Trump tenta se posicionar como defensor de agricultores e transportadores americanos, que enfrentam custos altos de combustível. Ao mesmo tempo, a decisão reduz a pressão econômica imediata sobre Moscou e gera preocupação entre aliados da Ucrânia sobre um possível enfraquecimento da frente de sanções.

Importação de 300 mil toneladas de diesel russo

Como parte do redesenho da estratégia, os Estados Unidos acertaram com Moscou a importação inicial de 300 mil toneladas métricas de diesel russo. Segundo o governo americano, os primeiros carregamentos estão previstos para começar a chegar a partir de novembro, com possibilidade de novas remessas depois disso.

O secretário de Energia, Chris Wright, procurou afastar a leitura de que o acordo represente um alívio financeiro deliberado para o Kremlin. “O acordo busca incentivar o fim da guerra, e não oferecer apoio econômico à Rússia”, afirmou. De acordo com Wright, o aumento da oferta de diesel russo no mercado internacional estaria condicionado a uma redução da intensidade do conflito com a Ucrânia.

Na visão da Casa Branca, o reforço da oferta global de diesel ajudaria a aliviar preços, especialmente para setores como o agronegócio e o transporte de carga nos EUA, e criaria incentivos econômicos para que Moscou reduza a escalada militar. Críticos da medida, porém, argumentam que qualquer ampliação de comércio energético com a Rússia tende a gerar receitas adicionais para o governo de Putin, reduzindo o efeito de isolamento buscado por sanções anteriores.

Rubio reiterou que a suspensão das sanções e o acordo de diesel serão monitorados de perto durante o período de até 60 dias de avaliação. Ao fim desse prazo, o governo promete reexaminar a política, à luz do andamento das negociações de paz, da situação no campo de batalha e do comportamento dos preços de energia e de alimentos no mercado global.

Fonte: matéria original

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