EUA ordenam remoção imediata da IA chinesa DeepSeek por risco
Departamento de Segurança Interna dos EUA determinou a remoção imediata das ferramentas de IA da chinesa DeepSeek de todos os dispositivos de agências civis, citando risco de vazamento de dados sigilosos para a China.

Segurança
Agências civis americanas devem eliminar software de IA da DeepSeek para proteger dados sensíveis.
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O governo dos Estados Unidos determinou a remoção imediata das ferramentas de inteligência artificial da startup chinesa DeepSeek de todos os dispositivos usados por suas agências civis, em uma ordem emitida pelo Departamento de Segurança Interna em 19 de outubro de 2026. A medida, motivada por riscos de segurança e de transferência de dados sigilosos para a China, atinge também sistemas desenvolvidos por terceiros que utilizam a tecnologia da empresa.
Ordem vale para setor civil, mas exclui Defesa e inteligência
O Departamento de Segurança Interna, responsável por definir diretrizes para a estrutura civil do governo federal, informou que a proibição se aplica a agências civis e seus fornecedores, mas não alcança as Forças Armadas nem os serviços de inteligência, que mantêm autonomia para decidir sobre o uso de tecnologias da DeepSeek.
No documento que embasa a decisão, o órgão afirma que “os modelos da DeepSeek apresentam múltiplos vetores de ameaça” e alerta que “o uso das ferramentas de IA da DeepSeek pode resultar na transferência de dados sigilosos para a China caso sejam utilizadas por funcionários ou fornecedores do governo dos Estados Unidos”.
A ordem determina que todos os produtos da DeepSeek, bem como aplicações desenvolvidas sobre seus modelos, sejam identificados e removidos de computadores, celulares, servidores e demais equipamentos conectados às redes governamentais civis.
Entenda o contexto
O endurecimento da postura americana ocorre em meio à disputa com a China pela liderança em inteligência artificial, vista em Washington como um dos pilares da segurança nacional e da competitividade econômica nas próximas décadas.
No comunicado, o Departamento de Segurança Interna ressalta ainda que os servidores usados pela DeepSeek estão localizados na China e menciona que “o sistema jurídico chinês permite ao governo ter uma ampla autoridade para acessar a infraestrutura de empresas privadas”. Na avaliação das autoridades americanas, esse quadro aumenta o risco de que dados sensíveis do governo dos EUA sejam acessados, direta ou indiretamente, por órgãos do Estado chinês.
A DeepSeek é apontada como um dos principais laboratórios de IA da China e ganhou projeção internacional em janeiro de 2025, quando lançou um chatbot de baixo custo e alto desempenho que pressionou concorrentes americanos e acelerou a corrida por modelos mais eficientes. Desde então, autoridades e empresas dos EUA acusam a companhia e outras startups chinesas de IA de copiar ou se apropriar de capacidades de modelos avançados desenvolvidos por grupos americanos, o que tem alimentado tensões tecnológicas entre os dois países.
Impacto para governo, empresas e disputa tecnológica
Na prática, a ordem obriga o setor público civil dos EUA a desligar, em curto prazo, sistemas de automação, análise de dados e suporte que utilizem a tecnologia da DeepSeek, o que pode gerar atrasos operacionais e custos adicionais de substituição. Agências terão de migrar para soluções desenvolvidas por empresas americanas ou de países aliados, em um movimento que tende a favorecer o mercado doméstico de IA.
Para a DeepSeek, a exclusão do ecossistema governamental dos EUA representa um revés relevante em sua estratégia de expansão internacional, afetando tanto receitas potenciais quanto sua reputação em contratos com outros governos e grandes corporações. O episódio também acende um alerta para outras startups chinesas de tecnologia que buscam acesso a mercados ocidentais em áreas consideradas sensíveis.
Especialistas em segurança digital e políticas públicas de tecnologia avaliam que a decisão deve estimular uma revisão mais ampla das regras de contratação de ferramentas estrangeiras de IA pelo governo americano, com tendência de novas restrições e exigências de transparência sobre onde os dados são armazenados e quem pode acessá-los.
No plano internacional, a medida dos EUA pode influenciar outros países a reavaliar a dependência de tecnologias de IA desenvolvidas em potências rivais, especialmente quando envolvem dados governamentais e infraestruturas críticas. A escalada da rivalidade entre Washington e Pequim no campo da inteligência artificial tende a se aprofundar, com reflexos na inovação, no comércio global de tecnologia e na segurança cibernética.
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