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Inteligência Artificial

PIB cresce, mas desigualdade digital trava avanço da IA no Brasil

Projeções indicam alta do PIB brasileiro, mas especialistas alertam: desigualdade de acesso à tecnologia e infraestrutura frágil travam a adoção ampla e inclusiva da inteligência artificial no país.

PIB cresce, mas desigualdade digital trava avanço da IA no Brasil

Economia Digital

Apesar do crescimento econômico, limitações tecnológicas impedem o pleno desenvolvimento da inteligência artificial no Brasil.

Leia também: IA turbina fidelização de clientes e salários em carreiras técnicas

As novas projeções de alta para o PIB brasileiro abrem espaço para mais empregos e investimentos, mas expõem um gargalo decisivo: a desigualdade de acesso à tecnologia e a fragilidade das bases digitais do país dificultam que a inteligência artificial seja incorporada de forma ampla e gere ganhos de produtividade para toda a economia.

Quais são os principais desafios da inteligência artificial no Brasil segundo os estudos?

Os estudos apontam como principais desafios da inteligência artificial no Brasil a combinação de desigualdade no acesso à tecnologia, infraestrutura digital insuficiente e falta de qualificação profissional em larga escala. Na prática, isso significa que apenas uma parte dos trabalhadores e dos setores produtivos consegue de fato se beneficiar da nova onda de automação e análise de dados.

Em regiões com melhor rede de internet, presença de empresas de tecnologia e oferta de cursos especializados, a IA já começa a ser usada para aumentar eficiência, reduzir custos e criar novos serviços. Em boa parte do país, porém, faltam desde conexão estável até equipamentos básicos, o que impede empresas menores, escolas e serviços públicos de integrar essas ferramentas ao dia a dia.

Outro ponto recorrente nas análises é o descompasso entre a velocidade da inovação e a formação de mão de obra. Profissionais com domínio em ciência de dados, computação em nuvem e desenvolvimento de modelos de IA seguem concentrados em poucos polos, enquanto o restante do mercado luta para acompanhar mudanças rápidas no perfil das vagas.

Especialistas também chamam atenção para a baixa capacidade de investimento em tecnologia por parte de pequenas e médias empresas, que respondem por grande fatia dos empregos no país. Sem crédito acessível, apoio técnico e incentivos claros, essas empresas tendem a ficar presas a processos manuais, menos produtivos, mesmo em um cenário de PIB em alta.

Entenda o contexto

As projeções de crescimento do PIB criam um ambiente, em tese, mais favorável a investimentos em inovação. Mas, se a base tecnológica do país não acompanha esse movimento, o risco é ampliar a distância entre setores avançados e segmentos que seguem à margem da transformação digital.

De um lado, bancos, grandes indústrias, agronegócio de ponta e serviços intensivos em tecnologia já usam IA para automatizar rotinas, prever demanda, reduzir desperdícios e personalizar produtos. De outro, escolas públicas, pequenos comércios, serviços informais e parte do setor público ainda tentam resolver problemas mais básicos, como acesso à internet de qualidade e equipamentos atualizados.

Economistas ouvidos em análises recentes destacam que, sem enfrentar esse desnível, o país pode até registrar crescimento do PIB, mas terá dificuldade de transformar esse avanço em aumento duradouro de produtividade, melhores salários e redução consistente da desigualdade.

Como os estudos avaliam o impacto da inteligência artificial na sociedade brasileira?

Os estudos avaliam que o impacto da inteligência artificial na sociedade brasileira tende a ser positivo em termos de produtividade e criação de novos serviços, mas potencialmente concentrado em quem já tem mais acesso à tecnologia e educação. Em outras palavras, a IA pode acelerar tanto oportunidades quanto desigualdades.

Na economia, a IA é vista como ferramenta para impulsionar competitividade em setores exportadores, melhorar a gestão de cadeias produtivas e ampliar a inovação em áreas como saúde, finanças e logística. Isso pode se traduzir em crescimento adicional do PIB, abertura de nichos de mercado e novas ocupações especializadas.

No mercado de trabalho, porém, o efeito é desigual. Trabalhadores com maior escolaridade e familiaridade com tecnologia tendem a ser beneficiados, ganhando funções mais analíticas e criativas. Já ocupações repetitivas e de baixa qualificação ficam mais expostas à automação, em especial onde empresas conseguem investir em sistemas avançados.

Sem políticas de capacitação e reciclagem profissional, o risco é ver uma parcela da força de trabalho deslocada por novas tecnologias sem alternativas claras de recolocação. Essa preocupação aparece com força nas avaliações sobre o futuro do trabalho no Brasil.

Na dimensão social, a IA também traz potencial para melhorar serviços públicos, como diagnósticos na saúde, gestão de filas, análise de dados de segurança e políticas sociais mais bem direcionadas. Mas, de novo, isso depende de infraestrutura, dados confiáveis e equipes treinadas, fatores que ainda são desigualmente distribuídos pelo território.

Desigualdade digital ameaça ganhos do PIB

A combinação de crescimento econômico com atraso digital cria um quadro em que os frutos da expansão tendem a se concentrar. Regiões com melhor infraestrutura de conectividade, escolas equipadas e empresas capitalizadas saem na frente, enquanto áreas mais pobres correm o risco de ficar ainda mais distantes da fronteira tecnológica.

Especialistas em políticas públicas alertam que, sem uma agenda coordenada para ampliar acesso à internet, modernizar redes, equipar escolas e formar professores e alunos em competências digitais, a adoção da IA vai reforçar, e não reduzir, o fosso entre grupos sociais.

No setor produtivo, a consequência pode ser um país dividido entre ilhas de alta produtividade, integradas a cadeias globais, e vastas áreas com baixa incorporação tecnológica, dificuldade de competir e renda estagnada, mesmo com indicadores gerais de PIB em trajetória positiva.

Pressão por políticas públicas e parcerias

Diante desse cenário, ganham força as cobranças por políticas públicas que ataquem, ao mesmo tempo, o acesso à infraestrutura digital, a capacitação profissional e o apoio direto à adoção de IA em empresas menores.

Entre as propostas em discussão estão programas de expansão acelerada da conectividade, especialmente em escolas e regiões periféricas; incentivos fiscais e linhas de crédito voltadas a projetos de digitalização; e parcerias entre governo, universidades e empresas para formar especialistas e treinar trabalhadores em larga escala.

Analistas também defendem que a estratégia inclua critérios de inclusão digital, para garantir que investimentos em IA em saúde, educação e serviços públicos reduzam, e não ampliem, desigualdades regionais e sociais.

Nos próximos meses, a expectativa é que o tema ganhe espaço em planos de desenvolvimento e em agendas de diálogo entre governo e setor privado. Sem esses movimentos, o Brasil corre o risco de desperdiçar parte do impulso do PIB e perder terreno na corrida global pela inovação em inteligência artificial.

Fonte: matéria original