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Esporte

Botafogo reduz dívida em R$123 mi e define futuro de 6 jogadores

Atualização da recuperação judicial reduz dívida da SAF Botafogo para R$ 1,163 bilhão, clube se aproxima de decisões sobre contratos de seis jogadores e patrocinadora VBet reage à proibição das apostas no Brasil.

Botafogo reduz dívida em R$123 mi e define futuro de 6 jogadores

Esportes

Clube avança na recuperação financeira e toma decisões importantes sobre elenco e patrocinador.

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A SAF Botafogo tem agora dívida sujeita à recuperação judicial de R$ 1,163 bilhão após a exclusão da investidora GDA Luma da lista de credores, em movimento que reduz a pressão financeira enquanto o clube decide o futuro de seis jogadores com contrato até dezembro de 2026 e lida com a reação da patrocinadora máster VBet à proibição das apostas no Brasil.

Dívida cai para R$ 1,163 bilhão após saída da GDA Luma

A nova relação de credores, divulgada pela 2ª Vara Empresarial da Comarca Central do Rio de Janeiro, atualiza o valor total da dívida sujeita à recuperação judicial de R$ 1,286 bilhão para R$ 1,163 bilhão. A queda, na casa de R$ 123 milhões, ocorre com a retirada da GDA Luma, empresa do investidor mexicano Gabriel de Alba, que havia se tornado a segunda maior credora da SAF.

A GDA Luma firmou acordo vinculante de investimentos com o Botafogo em junho, com aportes feitos via financiamento DIP (Debtor-in-Possession Financing), modalidade que exige aval do administrador judicial, do juiz e do Ministério Público. Segundo relatório mensal da recuperação judicial, “os valores aportados via DIP podem ser quitados pela conversão dos créditos em ações”, o que explica a migração da posição de credora para participacionista e a exclusão da empresa da lista.

Com a atualização, a relação da SAF Botafogo passa a ter 384 credores: 190 quirografários, sem garantia real sobre bens do clube; 38 ligados a dívidas trabalhistas; e 156 micro e pequenas empresas (ME e EPP). A assembleia de credores seguirá como espaço central para aprovar ou contestar os termos do plano de pagamento e a forma como a reestruturação de capital será implementada.

Credores estrangeiros seguem à espera

Mesmo com a redução da dívida formal, o Botafogo ainda convive com valores expressivos a pagar a clubes estrangeiros e à liga norte-americana. O Atlanta United figura como principal credor, com R$ 124 milhões a receber na negociação do meia Thiago Almada. O Nottingham Forest aparece em seguida, com R$ 119,7 milhões relativos ao volante Danilo.

Fechando o trio de maiores credores está a Major League Soccer (MLS), com R$ 74,3 milhões vinculados à operação envolvendo o meia Santi Rodríguez. Um acordo já foi firmado com a liga, em setembro, como parte da preparação para a assembleia geral de credores, mas os valores seguem dentro do quadro da recuperação e condicionam o fluxo de caixa do clube para os próximos anos.

A retirada da GDA Luma da lista sinaliza uma mudança relevante na estrutura de capital: parte do que era dívida passa a ser participação acionária na SAF. Na prática, isso alivia obrigações de curto prazo e abre espaço para que novos aportes, também via DIP, sejam estruturados sob supervisão judicial, ao mesmo tempo em que preserva a cobrança dos demais credores, especialmente os internacionais.

Botafogo terá que decidir futuro de seis jogadores até dezembro

Enquanto reorganiza as contas, o Botafogo também precisa tratar de decisões esportivas imediatas. Seis jogadores do elenco têm vínculos que vão até dezembro de 2026 e podem deixar o clube ao fim da próxima temporada se não houver renovação ou exercício de cláusulas.

Entre os atletas com contratos a vencer estão o atacante Tiquinho Soares e três dos jogadores mais experientes do grupo: os volantes Allan, de 35 anos, e Edenilson, de 36, e o lateral-esquerdo Marçal, de 37. Todos são peças utilizadas com frequência e terão o desempenho na reta final do Campeonato Brasileiro observado de perto pela diretoria e pela comissão técnica.

As situações de Júnior Santos e Kadu são diferentes. Júnior Santos pertence ao Atlético-MG e está emprestado ao Botafogo, com opção de compra prevista no acordo. Kadu, lateral-direito de 21 anos, é jogador do Remo e também atua por empréstimo no Nilton Santos. A eventual permanência dos dois exigirá negociação com os clubes de origem e compatibilização com o orçamento da SAF.

As conversas internas ganharam um novo ator de peso: o técnico Tite, recém-chegado e aprovado pela cúpula alvinegra, terá papel decisivo no desenho do elenco para 2027. “A diretoria alvinegra terá papel importante na análise do grupo pensando na próxima temporada”, aponta a avaliação interna, que tenta equilibrar experiência, renovação e custos salariais em meio ao cenário de recuperação judicial.

Objetivo imediato é fugir do rebaixamento

Apesar das discussões de médio prazo, a prioridade do Botafogo segue sendo o desempenho em campo. Em situação ainda delicada na tabela, o clube mira pontos para afastar de vez o risco de queda. “O Botafogo busca somar pontos para se afastar definitivamente da zona de rebaixamento e ganhar tranquilidade na reta final do Brasileirão”, resume a análise da situação esportiva.

Depois da derrota para o Mirassol por 2 a 0 fora de casa antes da pausa para a Data Fifa, o time volta a campo no Estádio Nilton Santos, diante do Vasco, em jogo válido pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida marca a primeira atuação de Tite à frente do time em casa, com expectativa de estádio cheio e ambiente de cobrança por reação rápida.

VBet critica proibição das apostas e alerta para mercado ilegal

Fora das quatro linhas, a principal patrocinadora do Botafogo entrou no centro de um debate nacional. A casa de apostas VBet, que estampa a camisa alvinegra desde o início de 2025, divulgou manifesto contra a Medida Provisória nº 1.394/2026, que proibiu a operação de bets no Brasil.

No texto, a empresa se alinha à Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), entidades que acionaram o Supremo Tribunal Federal para barrar a MP. A VBet afirma que a suspensão das apostas legais não elimina o hábito de jogar, mas empurra os apostadores para plataformas clandestinas. “A proibição não acaba com as apostas no Brasil, mas com a proteção de quem aposta”, diz o comunicado oficial.

A empresa argumenta que o mercado regulado permite ferramentas de proteção ao consumidor, como políticas de saúde mental, mecanismos de autoexclusão e cobrança de impostos, enquanto sites ilegais operam sem controle, aceitando inclusive cartões de crédito e cadastros de menores. “Se o objetivo é proteger o cidadão, o caminho é mais fiscalização, não menos”, reforça o manifesto.

Entenda o contexto

O Ministério da Fazenda estima que 31 milhões de brasileiros apostam legalmente hoje, em um mercado que já convive com forte presença de operadores ilegais. De acordo com dados apresentados pelo setor, “o mercado clandestino já responde por 41% do volume apostado no país” e tende a crescer se a proibição for mantida.

Levantamento da consultoria LCA indica que até R$ 73 bilhões em arrecadação tributária podem estar em risco entre 2027 e 2030 caso a demanda migre totalmente para o mercado ilegal. Para clubes como o Botafogo, o impacto potencial é direto: contratos de patrocínio com casas de apostas, como o firmado com a VBet até o fim de 2027, ficam sob incerteza e podem sofrer revisões ou até interrupções, a depender do desfecho no STF.

Enquanto o debate avança no Judiciário e na política, a SAF Botafogo monitora de perto dois frontes que podem redefinir seu futuro próximo: a consolidação do plano de recuperação judicial e a sobrevivência de uma das principais fontes de receita do futebol brasileiro na atualidade.

Fontes: matéria original 1 · matéria original 2 · matéria original 3