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Lançamentos de IA

IA da Microsoft acerta 83% em diagnósticos e supera médicos

Sistema MAI-DxO, da Microsoft, acerta 83% dos diagnósticos em casos médicos complexos simulados, mais que o dobro de médicos generalistas, e aponta para nova era na assistência à saúde.

IA da Microsoft acerta 83% em diagnósticos e supera médicos

Inteligência Artificial

Sistema da Microsoft revoluciona diagnósticos médicos complexos com precisão superior à dos médicos generalistas.

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Um sistema de inteligência artificial da Microsoft, batizado de MAI-DxO, mostrou maior precisão que médicos generalistas na identificação de diagnósticos em casos médicos complexos, em simulações baseadas em relatos clínicos usados por especialistas nos Estados Unidos. O desempenho colocou a tecnologia no centro de uma disputa por quem vai liderar a próxima grande transformação na assistência à saúde.

IA acerta mais que o dobro de médicos generalistas

No estudo divulgado nesta semana, o MAI-DxO acertou o diagnóstico em 83% dos casos complexos simulados, enquanto médicos de atenção primária e clínicos gerais, trabalhando individualmente e com acesso a materiais de referência, chegaram a 36% de acerto nos mesmos cenários.

Os casos usados nos testes são situações raras ou de alta complexidade, normalmente conduzidas por especialistas ou equipes multidisciplinares, que não fizeram parte da comparação. Mesmo assim, o salto em relação aos generalistas é visto pela Microsoft como um indicativo de que a tecnologia pode atuar como um apoio decisivo à tomada de decisão clínica.

“Há algo muito substancial e empolgante aqui”, afirmou Dominic King, vice-presidente de Saúde da Microsoft AI. Para ele, “a maior dificuldade na assistência médica atualmente é o crescente descompasso entre a demanda e a oferta de expertise médica”.

Como funciona o MAI-DxO

O MAI-DxO (ou simplesmente DxO) funciona como um painel virtual de médicos: coordena vários agentes de IA que fazem perguntas ao paciente, sugerem exames, analisam resultados e debatem hipóteses até chegar a um diagnóstico final. Na base desse orquestrador estão modelos avançados de linguagem, com destaque para o GPT-5 e o GPT-5.5, desenvolvidos pela OpenAI.

Nos bastidores, a Microsoft testou o DxO com modelos de diferentes empresas, mas os melhores resultados vieram com os modelos mais potentes. Sozinho, com um comando simples, o GPT-5 atingiu 78,9% de acerto em casos complexos, com custo estimado em US$ 8.400 por caso. Acoplado ao DxO, além de aumentar a acurácia em cerca de quatro pontos percentuais, o custo por atendimento simulado caiu em torno de US$ 3.000.

Com o GPT-5.5, mais recente, o salto foi ainda maior em cenários complexos: o orquestrador elevou a taxa de acerto de 72% para quase 87%, também com leve redução de custo operacional por caso. Em situações de emergência, porém, o ganho praticamente desaparece: com ou sem DxO, o GPT-5.5 atingiu cerca de 85% de acerto, por valores similares.

Os testes sugerem que o impacto do DxO é maior em quadros complexos e quando a IA de base é menos poderosa. No caso do modelo Gemini 2.5 Flash, por exemplo, a taxa de acerto saltou de 46,4% para 69% quando combinado ao sistema de orquestração. Mesmo assim, a diferença entre modelos mais fracos e mais fortes continua maior que o ganho trazido pelo painel de agentes.

Impacto potencial em hospitais e consultórios

Na prática, a Microsoft enxerga o DxO como uma tecnologia de apoio ao diagnóstico que pode aliviar a sobrecarga em hospitais, clínicas e serviços de pronto-atendimento. Ao oferecer uma segunda opinião automatizada, capaz de percorrer rapidamente históricos extensos e literatura médica, o sistema tende a reduzir erros e acelerar decisões, especialmente em casos raros e complexos.

Os cálculos de custo reforçam o apelo econômico: em alguns cenários, o uso do DxO com modelos como o GPT-5.5 combina maior precisão com custos menores por caso, o que interessa diretamente a redes hospitalares pressionadas por orçamentos apertados.

Ao mesmo tempo, a tecnologia deve gerar resistência em parte da classe médica, preocupada com a possibilidade de substituição de funções hoje exercidas por profissionais humanos. Especialistas destacam que diagnósticos envolvem contexto, comunicação e responsabilidade legal — camadas que não se transferem de forma simples para um sistema automatizado.

Além da prática clínica, escolas de medicina e órgãos reguladores terão de se adaptar a um cenário em que a “superinteligência médica”, como a própria Microsoft descreve a meta de longo prazo, passa a fazer parte do dia a dia de consultórios e hospitais.

Entenda o contexto

A iniciativa é liderada por Mustafa Suleyman, CEO da Microsoft AI e um dos principais nomes da corrida global por sistemas de IA de fronteira. Ele e Dominic King já trabalharam juntos em projetos de tecnologia aplicada à saúde em outras empresas antes de assumirem a frente da divisão de inteligência artificial da Microsoft.

A empresa já oferece hoje ferramentas como ditado automático de consultas e apoio à análise de exames de imagem, e vê o DxO como um passo a mais rumo a sistemas capazes de raciocinar sobre casos complexos e integrar-se à rotina dos profissionais de saúde.

Parcerias com Mayo Clinic e hospital em Boston

Para tirar o DxO do ambiente de simulação e levá-lo ao mundo real, a Microsoft firmou parcerias com instituições de referência nos Estados Unidos. Com a Mayo Clinic, a meta é treinar um grande modelo específico para saúde, um “modelo de base” que deve ser lançado em 2027 e servir como plataforma para aplicações clínicas diversas.

“Acredito realmente que em 2027 estaremos à beira de uma revolução no estilo de codificação dos registros médicos”, disse Suleyman. A expectativa dele é que, a partir daí, seja possível gerar previsões “altamente precisas” sobre a evolução de prontuários, algo visto como extremamente valioso para médicos que precisam decidir condutas em tempo real.

“Estamos construindo a infraestrutura fundamental para que ocorram avanços reais na saúde”, afirmou o executivo. Ele estima que “os modelos de saúde melhorem uma ordem de magnitude em capacidade nos próximos 24 a 36 meses”, impulsionados por ciclos rápidos de uso em produção, identificação de falhas e correções sucessivas. “Progresso acontece muito rápido quando se tem um ciclo de produção, uso real, identificação de lacunas e melhorias”, resumiu.

Em outra frente, a Microsoft fechou parceria com o Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, para avaliar o raciocínio clínico do DxO em diferentes contextos hospitalares, incluindo pronto-socorro e unidades de atendimento urgente. Pacientes atendidos pelos serviços humanos padrão poderão, mediante consentimento, interagir em paralelo com o sistema de IA, e os pesquisadores vão comparar as recomendações da máquina com as decisões dos médicos.

King diz esperar que esse se torne “o maior estudo do tipo” já realizado, abrangendo desde emergências até atendimentos de urgência, e fornecendo evidências mais robustas sobre se — e como — sistemas como o DxO podem ser implantados em escala.

IA médica ainda dá primeiros passos

Apesar dos resultados animadores, Suleyman reforça que o uso de IA generativa na saúde ainda está em estágio inicial. Questões éticas, privacidade de dados, responsabilidade sobre erros e critérios de validação regulatória são alguns dos pontos que precisarão ser enfrentados antes que um sistema como o DxO possa ser incorporado em larga escala a sistemas públicos e privados.

Para a Microsoft, porém, o caminho é sem volta. “Somos verdadeiros crentes”, disse o CEO da Microsoft AI, ao defender que a empresa precisa ter “os produtos de suporte à decisão clínica mais avançados do mundo” nos próximos anos. Segundo ele, a saúde será o próximo grande campo a experimentar a aceleração tecnológica já vista em áreas como programação e assistentes virtuais.

Fonte: matéria original