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Esporte

Vasco x Flamengo: clássico sai do Maracanã e aumenta crise hoje

Clássico da 33ª rodada do Brasileiro, hoje às 20h, sai do Maracanã e vai para o Nilton Santos em meio a briga por SAF, disputa pelo estádio, ações na Justiça e reforço na segurança.

Vasco x Flamengo: clássico sai do Maracanã e aumenta crise hoje

Esportes

O clássico entre Vasco e Flamengo muda de local e intensifica tensões envolvendo SAF, estádio e segurança.

Leia também: Jogo do Santos hoje: empate 0 a 0 com Palmeiras na 33ª rodada

O clássico entre Vasco e Flamengo pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, nesta quinta-feira (29), às 20h, será disputado no estádio Nilton Santos sob clima de ruptura entre as diretorias, depois de ataques públicos pela venda da SAF cruz-maltina, vetos ao uso do Maracanã, ações na Justiça e preocupação extra com a segurança dos torcedores.

Como a escalada de tensão entre as diretorias afetou o clássico recente?

A tensão entre Vasco e Flamengo tirou o clássico do Maracanã e levou o jogo de hoje para o Nilton Santos, alterando a logística do evento e obrigando um esquema de segurança reforçado. A decisão do Vasco de mandar a partida no estádio botafoguense é uma resposta direta à deterioração da relação com o consórcio que administra o Maracanã, controlado por Flamengo e Fluminense, e às críticas do presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista, o Bap.

O estopim mais recente foi a venda da Sociedade Anônima do Futebol do Vasco para o grupo de Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, e marido de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O negócio foi aprovado em Assembleia Geral Extraordinária no dia 23, na Sede Náutica do clube, e agora aguarda avaliação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf). Bap passou a questionar publicamente um possível conflito de interesses na operação, irritando profundamente a diretoria cruz-maltina.

Em resposta, o presidente vascaíno Pedrinho partiu para o ataque pessoal e chamou o dirigente rubro-negro de “mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita”. Desde então, as trocas de farpas deixaram de ser apenas debate sobre modelo de gestão e passaram a influenciar diretamente a organização das partidas, culminando na transferência do clássico para o Nilton Santos.

A mudança de palco tem impacto esportivo e financeiro. O Vasco, mandante e ameaçado pelo rebaixamento, abre mão do ambiente tradicional do Maracanã, mas busca se afastar da esfera de influência do rival justamente num momento em que o Flamengo disputa o título e tenta reafirmar seu poder político no futebol carioca.

Quais foram os principais vetos e ofensas registrados no clássico entre Vasco e Flamengo?

Os vetos ao uso do Maracanã e as ofensas trocadas entre dirigentes estão no centro da crise que cerca o clássico desta quinta-feira. Ao avançar na Copa do Brasil e na Sul-Americana, o Vasco esbarrou em uma série de negativas do consórcio Fla-Flu Serviços para mandar jogos no estádio, incluindo duelos contra Vitória, Santa Fe-COL e Boca Juniors-ARG.

No caso da semifinal da Sul-Americana contra o Boca Juniors, a disputa saiu do campo administrativo e chegou aos tribunais do Rio e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O Vasco acabou obtendo uma decisão favorável para atuar no Maracanã, contrariando o veto do consórcio liderado por Flamengo e Fluminense e ampliando o desgaste entre os clubes.

No plano pessoal, a relação entre Bap e Pedrinho se deteriorou em público. Além de responsabilizar o presidente do Flamengo pelas dificuldades de acesso ao Maracanã, o vascaíno reagiu às críticas sobre a venda da SAF com a série de adjetivos que escancarou a hostilidade entre as partes. Do outro lado, Bap não se limitou à troca de declarações e levou o caso à Justiça.

Há processos judiciais em andamento entre Vasco e Flamengo relacionados ao clássico?

Há pelo menos duas frentes jurídicas que alimentam o clima do clássico: a disputa pelo uso do Maracanã e a ação pessoal movida por Bap contra Pedrinho. No campo esportivo-administrativo, o Vasco recorreu ao STJ e conseguiu o direito de mandar a semifinal da Sul-Americana no Maracanã, apesar da resistência do consórcio administrado por Flamengo e Fluminense. A decisão reforça o entendimento de que o estádio, embora gerido pelo rival, não pode ser fechado ao clube cruz-maltino em competições relevantes.

No campo pessoal, Bap ingressou com processo pedindo indenização de R$ 40 mil e retratação pública após ser chamado por Pedrinho de “mau-caráter, arrogante, prepotente, soberbo e hipócrita”. O processo ainda não tem data marcada para julgamento, mas ajuda a manter a temperatura elevada justamente na semana do clássico que vale pontos importantes tanto para a luta vascaína contra o rebaixamento quanto para a briga rubro-negra pelo título.

Entenda o contexto

O ambiente ao redor de Vasco x Flamengo também é afetado por um episódio grave de violência recente. Após o duelo do primeiro turno, no Maracanã, o torcedor cruz-maltino Arthur Cortines Laxe, de 18 anos, perdeu a visão do olho direito depois de ser atingido por bala de borracha disparada por um policial militar durante uma confusão nos arredores do estádio. O caso tornou-se símbolo da necessidade de revisão dos protocolos de segurança em grandes jogos no Rio.

Diante desse histórico, o Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (Bepe) montou um plano específico para o clássico desta noite no Nilton Santos. As torcidas organizadas serão escoltadas diretamente da estação de trem até o interior do estádio, em vagões reservados, em esquema articulado com a TrensRJ. A concessionária de trens cobrou um planejamento integrado que contemple tanto a chegada quanto a saída do público, para tentar evitar novos episódios de violência.

Enquanto isso, o Vasco encara o jogo como decisivo para se afastar da zona de rebaixamento e consolidar o projeto da SAF que promete fôlego financeiro ao clube nos próximos anos. O Flamengo, por sua vez, busca pontos fundamentais na corrida pelo título e tenta preservar sua influência na gestão do Maracanã e no cenário político do futebol brasileiro. O resultado em campo e os próximos capítulos na Justiça tendem a moldar não apenas a tabela do Brasileiro, mas também o equilíbrio de forças no Rio.