Morre aos 30 anos Matheus Sabbá, ator e diretor de Manaus
Ator e diretor de Manaus, referência em musicais e óperas como “Onheama” e “A Caixa Mágica do Natal”, morreu aos 30 anos. Causa da morte não foi divulgada.

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Artista de Manaus deixa legado em musicais e óperas, emocionando o público com seu talento precoce.
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O ator e diretor amazonense Matheus Domingues Sabbá, de 30 anos, morreu nesta quarta-feira (28). Natural de Manaus e referência em musicais e óperas como “A Caixa Mágica do Natal” e “Onheama”, ele tinha trajetória em expansão no cenário cultural brasileiro. A morte foi confirmada pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, mas a causa e o local não foram divulgados.
Artista de Manaus para palcos do país
Formado em Teatro pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Matheus Sabbá começou a estudar teatro aos nove anos e cresceu artisticamente em Manaus. Ao longo de uma década na Companhia de Teatro Metamorfose, participou de montagens como “Chapeuzinho Amarelo”, de Chico Buarque, e integrou produções do Festival Amazonas de Ópera e de espetáculos natalinos promovidos pelo governo estadual.
O trabalho no Norte abriu caminho para outros palcos. O artista atuou em instituições como o Theatro Municipal de São Paulo, o Theatro São Pedro, o Festival Amazonas de Ópera e o Festival Internacional de Música de Santa Catarina (Femusc), consolidando-se como nome em ascensão no teatro musical e na ópera.
Legado em ópera e teatro musical
Um de seus projetos mais recentes e emblemáticos foi a direção de cena da ópera “Onheama”, de João Guilherme Ripper, apresentada neste ano no Femusc, em Jaraguá do Sul (SC). A montagem reuniu mais de 80 artistas e marcou a primeira vez em que uma ópera brasileira ocupou o destaque central da programação do festival, com a Amazônia no centro da narrativa.
Inspirada na mitologia amazônica, “Onheama” aborda ancestralidade, pertencimento e a relação com a floresta. Em entrevista sobre a produção, Matheus explicou a potência da obra. “Onheama é inspirada na mitologia amazônica e aborda ancestralidade, pertencimento e conexão com a natureza. A ópera fala sobre ter coragem de ocupar o seu lugar no mundo. E é isso que Iporangaba faz: sai para uma aventura e não sabe o que vai encontrar pela frente, mas ainda enfrenta. É o que todos nós fazemos quando temos um sonho, uma vontade”, disse o diretor.
Na versão assinada por Sabbá, o protagonista foi transformado em uma jovem guerreira indígena, escolha que reforçou o protagonismo feminino e a identidade amazônica em cena. No mesmo festival, em 2025, ele já havia trabalhado na montagem de “Madama Butterfly”, experiência que ajudou a projetar seu nome na ópera contemporânea brasileira.
No teatro musical, Matheus dirigiu “A Caixa Mágica do Natal”, encenado no Teatro Amazonas. O espetáculo conquistou três categorias do Prêmio Cenym de Teatro Nacional e venceu a categoria Musical Norte do Prêmio Brasil Musical, por votação popular, destacando-se por figurino, maquiagem e pelo diálogo com temas sensíveis, como o luto e a memória afetiva.
Repercussão e homenagens
A morte do diretor provocou manifestações de pesar de instituições culturais do Amazonas e de outras regiões. A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas ressaltou a contribuição de Matheus para o fortalecimento da cena local e sua participação em edições do Festival Amazonas de Ópera e em grandes montagens natalinas.
A Federação de Teatro do Amazonas e a Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) também divulgaram notas em que destacam a dedicação do artista ao teatro, aos musicais e à ópera, e o papel dele como representante de uma nova geração de criadores da região.
O Femusc lamentou a morte e exaltou a liderança de Sabbá em “Onheama”. O diretor artístico do festival, Alex Klein, definiu o impacto da perda. “O Brasil perdeu um gênio, cuja genialidade estava só começando a se revelar”, afirmou.
Nas redes sociais, colegas de elenco, cantores líricos, técnicos e produtores lembraram a generosidade de Matheus nos processos criativos e a forma como ele levava a cultura amazônica para os palcos, conectando tradições regionais a produções de grande porte.
Sepultamento em Manaus e preservação do legado
De acordo com comunicado da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural, o sepultamento de Matheus Sabbá será em Manaus, sua cidade natal. A data e demais detalhes da cerimônia ainda serão divulgados pela família e pelas instituições que acompanham a organização do velório.
A ausência de informações sobre a causa da morte tem sido tratada com reserva por colegas e instituições, em respeito à privacidade dos familiares. Em paralelo, produtores, diretores e artistas ligados ao teatro musical e à ópera discutem ações para preservar o legado do diretor, incluindo a possibilidade de criar projetos, bolsas ou premiações em homenagem ao trabalho que ele desenvolveu a partir da Amazônia para o restante do país.


