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Lançamentos de IA

Democratas querem proibir resgate federal a big techs de IA agora

Resolução liderada por Greg Casar e Maxine Waters quer vetar qualquer socorro federal a empresas e executivos de IA em caso de estouro de bolha e focar a ajuda em trabalhadores e comunidades vulneráveis.

Tech Desk

Democratas propõem vetar auxílio federal a grandes empresas de IA para priorizar apoio a trabalhadores e comunidades afetadas.

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Líderes democratas na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos apresentaram nesta semana, em Washington, uma resolução que alerta para o risco de uma bolha financeira ligada à inteligência artificial, rejeita qualquer socorro federal a grandes empresas de tecnologia e seus executivos se o mercado desandar e prioriza proteção direta a trabalhadores, aposentados e comunidades vulneráveis.

O que propõem os deputados democratas contra o socorro financeiro às grandes empresas de tecnologia de IA?

A resolução apresentada por Greg Casar (Texas) e Maxine Waters (Califórnia) determina que, se uma bolha de ativos de inteligência artificial estourar, empresas insolventes do setor não devem ser resgatadas pelo governo federal nem ter executivos blindados de responsabilidade civil ou criminal.

O texto afirma que companhias de IA que quebrarem precisam seguir o caminho normal da falência, sem linhas especiais de crédito emergencial, sem injeções diretas de capital público e sem esquemas de proteção para altos executivos. A proposta condena explicitamente os chamados “paraquedas dourados” — pacotes milionários de saída para dirigentes envolvidos em condutas arriscadas ou ilegais — e defende que esses executivos possam ser obrigados a devolver ganhos considerados indevidos, como mansões, jatos privados e iates.

Ao mesmo tempo, a resolução pede uma atuação agressiva do governo para sustentar a economia real em caso de crise. Entre as medidas defendidas estão programas federais para criação de empregos, reforço de serviços públicos estaduais e locais, ampliação do seguro-desemprego, de benefícios de alimentação e de assistência habitacional, além de proteção específica para fundos de pensão e aposentadoria expostos a ativos de IA.

Os deputados também querem reformas estruturais para aumentar a transparência e a responsabilização de empresas e investidores que operam no boom da inteligência artificial, bem como a adoção de “estabilizadores automáticos” — gatilhos de gasto social e apoio a trabalhadores que são acionados automaticamente quando a economia entra em recessão, sem depender de novas votações no Congresso.

Por que os deputados Casar e Waters lideram a resolução contra o ‘bailout’ para big techs de IA?

Greg Casar, presidente do Congressional Progressive Caucus, e Maxine Waters, líder da minoria no Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, dizem ver na escalada dos investimentos em IA sinais claros de uma bolha de risco sistêmico, financiada com dívidas em mercados privados pouco transparentes – e não querem repetir o roteiro da crise financeira de 2008.

Casar acusa bilionários da tecnologia de apostarem cada vez mais alto e de contarem com o contribuinte como rede de segurança. “Big Tech billionaires are making increasingly reckless bets on A.I. They got richer off Trump’s deregulation and Republican tax breaks. Now they expect taxpayers to bail them out if those bets go bad. We won’t let them. A.I. companies that fail should go bankrupt, and executives who commit fraud should be held accountable. Federal help should go to workers and retirees”, afirmou o deputado.

Waters, referência democrata em regulação financeira, faz um paralelo direto com o colapso de 2008, quando o resgate aos grandes bancos não impediu que milhões de famílias perdessem tudo. “Big tech and Wall Street are taking enormous risks with billions in borrowed money to fuel the AI boom, despite growing warning signs of a dangerous bubble and if it all comes crashing down they should not expect taxpayers to rescue them”, disse.

Ela lembrou que, na crise de então, bancos considerados grandes demais para quebrar foram salvos com trilhões de dólares em liquidez, enquanto cerca de 10 milhões de proprietários perderam suas casas e trabalhadores ficaram anos sem emprego adequado. “We saw what happened in 2008 when reckless Wall Street practices brought our economy to its knees. The banks got bailed out while millions of hardworking Americans lost their jobs, homes, and retirement savings. We cannot let history repeat itself. The American people should never again be forced to foot the bill for billionaires’ reckless bets”, afirmou.

Entenda o contexto

A resolução descreve um ambiente de euforia em torno da inteligência artificial, com empresas do setor acumulando trilhões de dólares em dívidas, boa parte levantada em mercados de crédito privado considerados opacos e pouco regulados. Os parlamentares apontam ainda que o índice médio de preço/lucro das ações está próximo ao pico observado na bolha das empresas de tecnologia dos anos 1990, outro sinal de possível sobrevalorização.

Segundo os autores, reguladores federais têm evitado escrutinar com rigor as estruturas complexas de dívida e ações usadas por empresas de IA, ambiente que teria sido favorecido por uma agenda de desregulamentação recente em Washington. Esse cenário, argumentam, aumenta a probabilidade de um estouro de bolha com impacto sobre fundos de pensão, poupança de milhões de americanos e finanças públicas.

A iniciativa é apoiada por um grupo amplo de democratas progressistas, entre eles Danny Davis, Chris Deluzio, Valerie P. Foushee, Jesús “Chuy” García, Pramila Jayapal, Analilia Mejia, Delia Ramirez, André Carson, Jan Schakowsky, Brad Sherman e Rashida Tlaib. Organizações ligadas a direitos trabalhistas, reforma do sistema financeiro e responsabilidade corporativa também endossam o texto.

Na prática, a resolução não muda a lei por si só, mas funciona como pressão política sobre a Casa Branca, reguladores e o próprio Congresso para que, diante de uma eventual crise ligada à IA, a prioridade seja manter empregos, serviços públicos e proteção social – e não repetir um novo ciclo de “bailouts” para gigantes de tecnologia e seus financiadores em Wall Street.