Vélez vence San Lorenzo por 3 a 1 e revive polêmica da Copa 1970
Vélez Sarsfield bate San Lorenzo por 3 a 1 na Copa Argentina, avança às quartas e reacende a disputa indefinida da final de 1970 entre os clubes, sem campeão oficial há 54 anos.

Copa Argentina
Vélez avança às quartas após vitória e reabre debate sobre a final não oficializada de 1970 contra San Lorenzo.
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Vélez Sarsfield venceu o San Lorenzo por 3 a 1, em campo neutro no Estádio Libertadores da América, em Buenos Aires, garantiu vaga nas quartas de final da Copa Argentina de 2024 e reabriu um debate engavetado há 54 anos: quem é, afinal, o campeão da Copa Argentina de 1970, cuja final entre os mesmos clubes nunca foi concluída.
Qual foi o placar do jogo entre Vélez Sarsfield e San Lorenzo?
O placar foi 3 a 1 para o Vélez Sarsfield, resultado que confirmou a classificação da equipe às quartas de final da Copa Argentina. O duelo, disputado na última terça-feira, teve gols de Ordoñez, Brian Romero e Maher Carrizo para o Vélez, enquanto Cuello marcou para o San Lorenzo.
O Vélez começou em cima e abriu o placar logo no início, com Ordoñez aproveitando a primeira grande chance da partida. O San Lorenzo reagiu apenas no segundo tempo: Cuello, atacante com passagens por Athletico-PR e RB Bragantino, empatou e recolocou o time de Boedo no jogo.
Na reta final, Brian Romero apareceu para devolver a vantagem ao time de Liniers, num lance que mudou o clima no estádio. Já nos acréscimos, veio o momento que ligou passado e presente: o jovem Maher Carrizo, de 18 anos, marcou o terceiro gol e fechou o 3 a 1, inflamando a torcida do Vélez.
Quem são os jogadores em destaque no Vélez Sarsfield contra o San Lorenzo?
O principal destaque foi Maher Carrizo, atacante de 18 anos do Vélez Sarsfield, autor do gol que sacramentou a vitória por 3 a 1 nos acréscimos. Como sintetiza a narrativa que tomou conta do clássico, “quando Maher Carrizo marcou o terceiro gol da vitória do Vélez Sarsfield sobre o San Lorenzo pelas oitavas de final da Copa Argentina, o atacante de 18 anos não só sacramentou a classificação da equipe para as quartas, mas também pode ter decidido um título de 54 anos atrás”.
Além dele, Ordoñez, autor do primeiro gol, teve atuação sólida abrindo o caminho do resultado. Brian Romero também foi decisivo ao marcar o segundo gol, aquele que desmontou a reação do San Lorenzo no momento em que o jogo parecia caminhar para um fim dramático.
Do lado azulgrana, Cuello foi o nome mais visível ao anotar o gol de empate e criar problemas pela movimentação no ataque, num time que claramente divide atenções com a Copa Libertadores.
Entenda o contexto
A vitória do Vélez não valeu apenas uma vaga nas quartas de final. O confronto reviveu a história da Copa Argentina de 1970, quando Vélez Sarsfield e San Lorenzo fizeram apenas a partida de ida da final, que terminou empatada, e nunca voltaram a se enfrentar pelo jogo de volta.
Naquela decisão, disputada em Buenos Aires, o San Lorenzo abriu 2 a 0 com apenas seis minutos de jogo, mas o Vélez buscou o empate ainda no primeiro tempo. A volta deveria definir o campeão e garantir vaga na antiga Copa Ganhadores de Copa, torneio da Conmebol paralelo à Libertadores.
Uma sequência de adiamentos, mudanças de calendário e, principalmente, a decisão da Conmebol de transformar a Copa Ganhadores de Copa em competição amistosa tiraram o peso esportivo do título. Sem a vaga internacional em jogo, dirigentes dos dois clubes acabaram deixando a final em suspenso. O jogo de volta nunca aconteceu, e o título permanece indefinido há 54 anos.
O 3 a 1 deu o título da Copa Argentina de 1970 ao Vélez?
Não. O 3 a 1 pelas oitavas de final de 2024 não tornou o Vélez oficialmente campeão da Copa Argentina de 1970. A dúvida virou até bordão entre torcedores: “Afinal, o 3 a 1 pelas oitavas de final de 2024 deu o título de 1970 ao Vélez? A resposta é não”.
Desde que a Copa Argentina foi retomada após um hiato de 40 anos sem ser disputada, em 2011, ganhou força nos bastidores a versão de que Vélez e San Lorenzo teriam um “acordo de cavalheiros”: qualquer novo encontro entre os dois na competição serviria como uma espécie de final tardia, definindo o campeão de 1970.
Esses rumores nunca foram confirmados por AFA, Vélez ou San Lorenzo. Não há ata, documento ou regulamento que reconheça a partida desta semana como desfecho oficial do torneio antigo. Por isso, mesmo com parte da torcida cantando como se fosse um título histórico, o Vélez celebrou apenas a classificação às quartas de final.
A indefinição permanece: no registro formal, a edição de 1970 segue sem campeão, mantendo vivo um dos capítulos mais curiosos do futebol argentino.
Copa antiga, formato novo e pressão sobre a AFA
A retomada da Copa Argentina em 2011 trouxe de volta o nome e um formato semelhante ao torneio original, com jogos em mata-mata e campo neutro. Mas a Associação do Futebol Argentino nunca deixou claro, de forma categórica, se considera a competição atual uma continuação direta daquela iniciada nos anos 1970 ou um torneio novo com apenas o mesmo nome.
Essa zona cinzenta alimenta o debate. Se houver continuidade histórica, a final de 1970 ainda estaria “em aberto”. Se for um torneio completamente distinto, a edição antiga seria tratada como uma competição extinta, sem campeão declarado.
O reencontro entre Vélez e San Lorenzo em pleno mata-mata, após 54 anos da final inacabada, reacende a pressão sobre a AFA para assumir uma posição clara: reconhecer um campeão, homologar a ausência de título ou, ao menos, explicar que os dois torneios não se conversam do ponto de vista histórico.
Impacto para Vélez, San Lorenzo e entidades
Esportivamente, o Vélez sai fortalecido em dois planos. No curto prazo, avança às quartas de final embalado pela boa atuação e pelo protagonismo de jovens como Maher Carrizo, que ganha espaço e simboliza a renovação do elenco. No plano simbólico, parte da torcida se sente “vingada” pela final nunca jogada, ainda que nada mude oficialmente nos registros.
O San Lorenzo, por sua vez, perde a chance de seguir na Copa Argentina, mas mantém o foco na Libertadores, competição na qual recebe o Atlético-MG em casa na próxima terça-feira. Dirigentes e comissão técnica tratam a eliminação como um dano colateral de uma temporada com prioridades definidas.
Nos bastidores, decisões antigas da AFA e da Conmebol voltam ao centro da discussão. A opção, lá atrás, de esvaziar a Copa Ganhadores de Copa e aceitar que a final da Copa Argentina não fosse concluída criou um precedente incômodo. Hoje, esse vácuo alimenta controvérsias sobre títulos, estatísticas oficiais e narrativas de grandeza dos clubes.
Se novos cruzamentos entre Vélez e San Lorenzo acontecerem nas próximas edições da Copa Argentina, a pressão por uma solução institucional tende a crescer. Não apenas para este caso: outros títulos cinzentos na história do futebol argentino podem voltar à pauta, com torcidas e dirigentes exigindo definições claras para suas prateleiras de troféus.


