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Final de Dom de Iludir mistura acerto de contas e perdão

Último episódio de Dom de Iludir, série brasileira da Netflix, termina com confronto sangrento entre Rossetti e Petrov, segredos de família revelados e uma reaproximação tensa entre Lúcia e Maíra.

Final de Dom de Iludir mistura acerto de contas e perdão

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O desfecho da série revela conflitos intensos e reconciliações inesperadas entre os personagens principais.

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O final de Dom de Iludir, série brasileira da Netflix, leva o confronto entre as famílias Rossetti e Petrov ao limite com sequestro, troca de tiros na maior cobertura do Rio de Janeiro e revelações sobre o passado de Lúcia (Marieta Severo) e Maíra, antes de encerrar em tom de acerto de contas e tentativa de perdão entre mãe e filha.

Lançada em 28 de outubro, a produção amarra a trama de golpes financeiros, romance, crimes e segredos de família que sustentou a temporada, ao mesmo tempo em que deixa brechas para possíveis continuações no streaming.

Qual é o final da série Dom de Iludir?

O final de Dom de Iludir mostra a queda do clã Petrov, a exposição dos crimes dos Rossetti e uma reaproximação frágil entre Lúcia e Maíra depois de anos de mentiras. Irina termina presa, Bóris morre após fazer reféns na cobertura no Flamengo, e Lúcia revela o luto pela filha gêmea morta, Teresa, que moldou sua obsessão pela herdeira.

O último episódio começa com um flashback de três décadas, quando Lúcia viaja grávida a Paris para comprar o quadro Mulher com Filho Morto, de Candido Portinari. Ignorando recomendações médicas, ela passa mal e volta ao Brasil, onde o parto prematuro e com complicações cardíacas resulta na morte de uma das bebês, Teresa. “Eu não tenho condição de escolher qual filha vai viver e qual vai morrer”, diz Lúcia, em um dos momentos mais duros da série.

No presente, Maíra deixa a prisão após o julgamento e volta para a cobertura da família, enquanto Irina permanece detida. Lúcia tenta manter a filha sob controle e pressiona o advogado Orlando a acelerar o inventário de Frederico Rossetti, mas esbarra no casamento ainda válido entre Maíra e Irina, que mantém a golpista com direito potencial à herança.

Fora dali, Bóris Petrov reaparece foragido e procura a neta Natália antes de executar sua vingança. Ele tenta justificar o passado criminoso como gesto de cuidado paterno. “Eu fui o melhor pai que podia ser para as minhas filhas”, afirma. A resposta vem como sentença: “Você não foi pai porra nenhuma. Foi, no máximo, um chefe de quadrilha”, rebate Natália, sintetizando o julgamento moral que a série faz do patriarca.

Decidido a derrubar a imagem pública dos Rossetti, Bóris invade a cobertura no Flamengo, faz Lúcia e Maíra reféns e obriga a colecionadora a confessar em vídeo os crimes e segredos da família. Questionado sobre o que teria a ganhar com aquilo, ele explica: “Não é o que eu ganho, mas o que você perde”.

Do lado de fora, a policial Elaine conduz a negociação e põe em xeque o julgamento que levou Irina à prisão. Vem à tona a suspeita de que o laudo psicológico usado no processo foi comprado por R$ 100 mil, favorecendo a tese de semi-imputabilidade de Maíra e pesando na condenação da ex-companheira. O diálogo é interrompido pela invasão do grupo tático.

No confronto, Bóris atira em direção a Maíra; Lúcia se coloca na frente da filha e é atingida. Na sequência, o patriarca Petrov é morto por um disparo de um atirador de elite. A cena encerra a trajetória do chefe da quadrilha, mas mantém em aberto desdobramentos de sua rede criminosa e das consequências judiciais para os demais envolvidos.

Levado ao hospital, Lúcia sobrevive, mas passa a chamar insistentemente por Teresa, nome que Maíra desconhecia. De volta à cobertura, a jovem vasculha o armário da mãe e encontra roupas bordadas, pulseiras de recém-nascidas e certidões que revelam a existência da irmã gêmea morta ainda bebê. É o estopim para que Maíra enxergue a obsessão materna sob outra luz.

Flashbacks explicam que as gêmeas nasceram prematuras e com problemas cardíacos após a viagem arriscada de Lúcia. Marcada pela culpa, ela transformou o amor pela filha sobrevivente em vigilância permanente, sufocando a autonomia de Maíra e alimentando conflitos que a série explora desde o início.

O roteiro também desmonta a imagem idealizada de Frederico Rossetti. O empresário, reverenciado por Maíra, surge no capítulo final como alguém que construiu parte da fortuna com atividades ilegais. Lúcia, envergonhada, ocultou a verdade e criou uma narrativa heroica para o pai da filha. “Vivi a minha vida inteira com mentira atrás de mentira. Eu não aguento mais”, desabafa Maíra ao encarar o passado forjado da família.

Irina, por sua vez, paga pelos crimes. A golpista que se apresentou como terapeuta espiritual, manipulou o adoecimento de Maíra e articulou, ao lado de Bóris e Bárbara, o roubo e a revenda das obras de arte, permanece presa após o julgamento. Ao longo da trama, ela chega a declarar: “Eu nunca amei ninguém como amo você”, frase que resume a mistura de paixão e interesse no relacionamento com Maíra.

O desfecho emocional se concentra na cena em que, de volta à cobertura, Maíra lava o cabelo de Lúcia em casa. A inversão de papéis — a filha cuidando da mãe ferida — sinaliza uma tentativa de reconstruir a relação, agora exposta a todos os segredos: a gêmea morta, os golpes do pai, o controle sufocante. Não há reconciliação plena, mas um início de trégua, sem a “mentira atrás de mentira” que sustentou a família.

O final aberto, com Irina encarcerada, Maíra marcada pelo sequestro e Lúcia tentando se desfazer das obras que antes valiam mais que qualquer afeto, deixa espaço para que futuras temporadas explorem a busca de redenção das personagens e os desdobramentos jurídicos do golpe de arte e dos crimes financeiros.

Dom de Iludir é baseada em uma história real?

Dom de Iludir não é apresentada como uma série documental ou biográfica, e a Netflix trata a produção como uma obra de ficção. A trama mistura temas reais — golpes financeiros, mercado clandestino de arte, lavagem de dinheiro e dinâmicas familiares marcadas por culpa e obsessão —, mas os personagens Lúcia, Maíra, Irina e Bóris são construções dramáticas, usadas para discutir questões como violência patrimonial, relações abusivas, manipulação espiritual e impunidade.

A narrativa também dialoga com casos conhecidos de estelionato afetivo, esquemas de desvio de obras de arte e uso de empresas de fachada, mas sem assumir ligação direta com um episódio específico ou com um golpe de valores determinados. O foco está menos na reconstituição de um crime verdadeiro e mais na tensão entre afeto e interesse, amor e dinheiro, lealdade e traição.

Onde fica a casa usada como cenário em Dom de Iludir?

A casa da família Rossetti em Dom de Iludir é, na vida real, a maior cobertura da cidade do Rio de Janeiro, localizada no bairro do Flamengo, com vista para a Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar. O imóvel tem 3,9 mil metros quadrados distribuídos em quatro andares.

Com cinco quartos, jardim suspenso com piscina, sauna, spa, área de churrasco, sala de jogos, piso de mármore e coleção de obras de arte, a cobertura se tornou praticamente um personagem na série, reforçando o contraste entre o luxo da elite carioca e o submundo de golpes e crimes que sustentam parte daquela riqueza na ficção.

A propriedade, avaliada em cerca de R$ 65 milhões em 2020, já serviu de cenário para novelas e outras produções e ganha ainda mais projeção agora ao abrigar a residência de Lúcia Rossetti. A escolha da locação aproxima a série do mercado imobiliário de alto padrão do Rio, valoriza o bairro do Flamengo e ajuda a consolidar a imagem da cidade como vitrine de produções nacionais de suspense e drama no streaming.

Entenda o contexto

Dom de Iludir chega à Netflix como mais uma aposta em séries brasileiras que combinam suspense, drama familiar e crime. A história acompanha a colecionadora de arte Lúcia Rossetti, sua filha Maíra, a golpista Irina e o clã criminoso dos Petrov, liderado por Bóris.

Irina entra na vida dos Rossetti se passando por terapeuta espiritual, aproveitando a doença misteriosa de Maíra para se aproximar e roubar quadros de alto valor da coleção de Lúcia, em parceria com Bóris, Bárbara e Nilo. A caça ao quadro Mulher com Filho Morto, de Portinari, funciona como fio condutor emocional da trama.

O clímax da temporada acontece na cerimônia de união dos Petrov, que termina em tiroteio com a polícia, morte de Bárbara e Nilo e prisão de Irina. A partir daí, a série acelera investigações, flashbacks e acertos de contas até desembocar no sequestro na cobertura do Flamengo e no acerto final entre Rossetti e Petrov.

Além de movimentar o debate sobre produções nacionais sofisticadas no streaming, a série mexe com mercados paralelos: estimula o turismo ligado a locações icônicas do Rio, joga luz sobre o mercado de arte — legal e clandestino — e expõe fissuras da elite carioca, usando a ficção para provocar discussões sobre herança, culpa, maternidade e o preço das mentiras familiares.