Flávio Bolsonaro diz que fará do Congresso ‘trincheira’ contra Lula
De viagem nos EUA após entregar passaportes à PF, Flávio Bolsonaro promete transformar o Congresso em 'trincheira' contra o governo Lula e lança Rogério Marinho para a presidência do Senado em 2027.

Política
Após viagem aos EUA, Flávio Bolsonaro anuncia estratégia firme no Congresso contra o governo Lula e apoia Rogério Marinho para o Senado.
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De viagem nos Estados Unidos desde quarta-feira (28), o senador e candidato derrotado à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em live nesta sexta (30) que pretende transformar o Congresso Nacional em “trincheira” contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e anunciou que vai trabalhar pela eleição de Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado a partir de fevereiro de 2027.
Flávio promete oposição dura no Congresso
Na transmissão pelas redes sociais, sua primeira aparição pública desde que deixou o país, Flávio convocou a base aliada para intensificar a atuação contra o Planalto. “Vamos fazer nossa trincheira no Congresso. Deputados e senadores, vocês agora estão comigo para evitar que o mal no nosso país não aconteça”, afirmou.
O senador disse que o Legislativo será o centro de sua estratégia política nos próximos anos e voltou a agradecer os cerca de 60 milhões de votos que recebeu na eleição presidencial. “É uma honra ver que tive 60 milhões de votos e saber que meus eleitores vieram de pessoas reais”, declarou, usando o desempenho como argumento para reivindicar liderança na oposição.
Indicação de Rogério Marinho para o Senado
Flávio também anunciou que vai lançar o nome de Rogério Marinho para disputar a presidência do Senado, hoje ocupada por Davi Alcolumbre (União-AP). O mandato de Alcolumbre à frente da Casa termina em fevereiro de 2027, quando os senadores elegem a nova Mesa Diretora.
Ao antecipar a articulação, o PL busca se colocar como protagonista na sucessão e tentar comandar uma das Casas do Congresso em um cenário de confronto com o Executivo. Se consolidar a candidatura, Marinho tende a ser o nome em torno do qual a oposição no Senado se organiza.
Críticas à eleição e ataques a Lula
Durante a live, Flávio voltou a contestar o resultado da eleição presidencial de domingo (25), que reconduziu Lula ao Planalto. Sem apresentar provas, afirmou que houve situações “matemáticamente impossíveis” na apuração, que comparou a um “gol de mão”. “Muitas coisas são sem explicação nesta eleição, matemáticamente impossíveis se não fosse um ‘gol de mão’”, disse.
O senador também atacou diretamente o presidente reeleito. “O petista joga fora das leis eleitorais”, afirmou, insistindo no discurso de que o pleito ocorreu em condições desiguais. As declarações reforçam a estratégia de manter viva, junto à própria base, a narrativa de questionamento da legitimidade do processo eleitoral.
Saída do Brasil e discurso de perseguição
Flávio relatou que decidiu deixar o país na segunda-feira (26), após a Polícia Federal solicitar a entrega de seus passaportes para impedir sua saída. Segundo ele, a escolha foi tomada em família. “Em conversa com a minha família decidi tomar esta decisão. Não foi fácil, mas entendi qual era o cenário e dei um passo atrás para dar dois para frente”, afirmou.
O senador tentou enquadrar a viagem como gesto em defesa de seus apoiadores. “Digo que não saí do Brasil, saí pelo Brasil”, declarou, reforçando o discurso de que seria alvo de perseguição política — peça central na narrativa bolsonarista desde o início das investigações da PF sobre o entorno da família.
Entenda o contexto
A ida de Flávio aos Estados Unidos em meio à ofensiva da Polícia Federal adiciona tensão ao ambiente político. Ao prometer usar o Congresso como “trincheira” e antecipar a campanha de Rogério Marinho para o comando do Senado em 2027, o PL sinaliza que pretende ampliar o poder de fogo no Legislativo para impor dificuldades à agenda do governo Lula.
Na prática, um Senado sob influência direta da oposição pode travar indicações do Executivo, segurar projetos prioritários e reverter pautas já negociadas pelo Planalto. Do outro lado, o governo tende a buscar acordos com outras siglas do centrão e partidos aliados para neutralizar a ofensiva e garantir maioria nas votações mais sensíveis.


