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Política

Gaúcho restaura 46 aviões militares e avião dos EUA intriga no Rio

Colecionador em Porto Alegre monta museu com 46 aeronaves de guerra, enquanto cargueiro Hercules da Marinha dos EUA pousa no Galeão sem missão divulgada e segue para o Peru.

Gaúcho restaura 46 aviões militares e avião dos EUA intriga no Rio

Aviação Militar

Colecionador gaúcho cria museu com 46 aviões de guerra enquanto cargueiro americano chama atenção no Rio.

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Enquanto um hangar no bairro Humaitá, em Porto Alegre, se transforma em museu com 46 aeronaves militares restauradas por um colecionador gaúcho, um avião cargueiro da Marinha dos Estados Unidos pousa no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, sem missão divulgada, e levanta dúvidas sobre exercícios militares internacionais com participação brasileira.

Quem é o colecionador que está preparando o museu de aeronaves militares no RS?

O responsável pelo futuro museu é Luciano Schneider, colecionador e presidente da Associação Cultural de Preservação Patrimônio Histórico Militar. Ele mantém, em um hangar no Humaitá, Zona Norte de Porto Alegre, um acervo de 46 aeronaves militares que passa por um intenso processo de restauro para ser aberto à visitação pública ainda neste ano.

As peças foram compradas em leilões da Força Aérea Brasileira (FAB), da Marinha do Brasil e negociadas com outros colecionadores. Todas chegam descaracterizadas, sem condições de voo, por exigência legal. A partir daí, começa o trabalho de reconstrução, que mistura técnica de funilaria, pesquisa histórica e muita improvisação.

Luciano descreve o helicóptero H-1H, um dos destaques da coleção, como símbolo dessa recuperação da memória: “Ele foi amplamente difundido na Guerra do Vietnã. Foi usado como ‘faz tudo’ do Vietnã, tratorzão voador, fazia transporte de tropa, transporte de munição, incursão pelo ar, fazia lançamento de medicamentos, munições, resgate, aeromédico”, conta o restaurador.

Além do H-1H, o colecionador mantém trabalhos voluntários na FAB, vende peças e presta serviços de restauração para outros donos de aeronaves. “É muito gratificante. Me sinto reconstruindo a história e brincando. É brincar de Lego, eu me divirto muito com isso. Desde que me conheço por gente, passava formação de Xavantes no céu, eu dizia: um dia vou ter um avião”, lembra.

Quais aeronaves estarão expostas no museu de aeronaves militares no RS?

O museu em montagem em Porto Alegre reúne 46 aeronaves, entre aviões e helicópteros, todas destinadas apenas à demonstração em solo. O acervo inclui um helicóptero H-1H da Guerra do Vietnã, dois aviões P-95 que atuaram na Guerra das Malvinas, um caça F-5 que se acidentou em 2016 e a cabine de um Douglas C-47 da Segunda Guerra Mundial.

Os dois P-95, usados em patrulha marítima no conflito das Malvinas, chegaram ao acervo com histórico detalhado. “Tenho o histórico delas, até a época que foram cedidas para a armada argentina para fazer a patrulha marítima durante a guerra”, conta Luciano. Essas aeronaves reforçam o caráter internacional da coleção, que acompanha a rota de aviões brasileiros e estrangeiros em diferentes conflitos.

O F-5 veio de um acidente na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, em que piloto e copiloto se ejetaram e sobreviveram. Considerado armamento, o caça foi cortado em partes para transporte por terra até o Rio Grande do Sul. No hangar de Luciano, ganhou nova forma: “A gente acabou soldando as partes dele e colocando tudo de volta no lugar. Então a gente faz um trabalho de chapeação e pintura veicular”, explica.

Já o Douglas C-47, clássico avião militar dos Estados Unidos na Segunda Guerra, chegou em condições extremas. “Quando foi descoberto, já estava sendo todo triturado. O que a gente conseguiu restaurar foi a cabine. Conta com toda a estrutura de painel, manetes de potência, manche, tá todo bonitinho”, diz o colecionador.

Outras aeronaves chegaram completamente desmontadas, sem frente, portas ou para-brisa. Nesses casos, Luciano recorre à criatividade: tira uma peça de um, outra de outro, compra chapas planas, molda à mão e refaz superfícies e encaixes com acabamento e pintura, numa técnica que ele compara a montar um brinquedo em escala real.

O projeto prevê que o próprio hangar de restauração se torne espaço expositivo aberto ao público. “Ainda este ano vai ser aberto espaço para visitação pública em Porto Alegre e essas aeronaves todas vão poder ser visitadas. As aeronaves que são restauradas são apenas, meramente, para demonstração”, afirma Luciano. A estimativa é de que o local funcione como museu, espaço educativo e ponto de turismo histórico na Zona Norte da capital gaúcha.

Entenda o contexto

O acervo reunido em Porto Alegre cobre conflitos centrais da história militar recente: o helicóptero H-1H remete à Guerra do Vietnã; os P-95 fazem ponte com a Guerra das Malvinas; o C-47, com a Segunda Guerra; e o F-5, com a modernização e os riscos da aviação de caça no Brasil.

A iniciativa privada de Luciano expande o alcance da preservação histórica, tradicionalmente concentrada em bases aéreas e museus militares oficiais, e pode atrair parcerias de instituições culturais e órgãos públicos. Na prática, o futuro museu oferece ao público acesso a equipamentos que, até agora, ficavam restritos a áreas militares.

Qual é a missão do avião militar dos EUA que pousou no Brasil?

Até o momento não há explicação oficial para a passagem do avião militar dos Estados Unidos pelo Brasil; autoridades brasileiras e a Marinha norte-americana não divulgaram qual foi a missão do voo que pousou no Galeão e seguiu para o Peru.

O cargueiro Lockheed C-130T Hércules, da Marinha dos EUA, pousou na noite de terça-feira passada no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, após percorrer mais de 4 mil quilômetros desde a Base Aérea Naval de Jacksonville, na Flórida, com escalas em Porto Rico e Barbados. No trajeto até o Rio, a aeronave cruzou o espaço aéreo dos estados do Amapá, Pará e Maranhão.

Identificado pelo código CNV3370 e pela matrícula 164762, o avião é usado em missões de transporte logístico, deslocamento de tropas e apoio a operações militares. A rota foi acompanhada por observadores em plataformas de monitoramento de tráfego aéreo, o que chamou atenção para o pouso em território brasileiro sem anúncio de agenda oficial.

Uma das hipóteses levantadas no meio militar é de que o voo esteja ligado ao Exercício Operacional Carranca 2026, treinamento internacional de busca e salvamento realizado em Santa Catarina, que costuma reunir meios aéreos de diferentes países. Nenhuma das partes envolvidas, porém, confirmou a participação do C-130 nesse exercício específico.

Na manhã seguinte ao pouso no Galeão, a aeronave deixou o Rio de Janeiro e seguiu para Lima, no Peru, reforçando a leitura de que o traslado pode fazer parte de uma rota logística regional, possivelmente ligada a uma série de atividades na América do Sul.

Por que o avião militar dos EUA que fez escala no Rio seguiu viagem sem explicação oficial?

O avião C-130T da Marinha dos EUA deixou o Galeão rumo a Lima sem explicação oficial porque nem o governo brasileiro nem os militares norte-americanos tornaram pública a missão ou o objetivo da passagem pelo país.

Em operações militares, sobretudo envolvendo forças estrangeiras em solo nacional, é comum que parte das informações seja mantida sob sigilo por razões de segurança, logística ou diplomacia. No caso do C-130T, não houve comunicado público sobre carga, número de militares a bordo, participação em exercícios ou apoio a ações específicas.

A ausência de esclarecimentos alimenta especulações sobre eventual vínculo com exercícios de busca e salvamento, cooperação em defesa ou simples escala técnica em rota para outros compromissos na região. Internamente, órgãos de defesa e de controle de espaço aéreo acompanham esse tipo de movimentação, que exige coordenação prévia, autorizações formais e alinhamento político entre os países.

Por ora, o episódio adiciona um componente de discreta tensão à agenda militar, em um momento em que o Brasil amplia exercícios conjuntos com parceiros estrangeiros, ao mesmo tempo em que o país recebe um novo museu de aeronaves de guerra que ajuda a contar, em solo gaúcho, a história desses aviões que cruzam o espaço aéreo e a política internacional.