Omen AI compra Aquatic Labs por US$ 16 mi e revoluciona sensores
Startup Omen AI comprou a Aquatic Labs por US$ 16 milhões em dinheiro e ações para unir sensores de monitoramento de água em data centers e reduzir custos, riscos e impacto ambiental.

Tecnologia
Aquatic Labs é adquirida para integrar sensores inovadores que otimizam monitoramento e sustentabilidade em data centers.
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A Omen AI anunciou nesta semana a compra da Aquatic Labs por US$ 16 milhões, em dinheiro e ações, para unir tecnologias de sensores de monitoramento de água usados no resfriamento de data centers nos Estados Unidos, em um movimento que mira corte de custos operacionais, redução de riscos e ganho ambiental em um mercado bilionário de infraestrutura de IA.
O que está em jogo na compra da Aquatic Labs
A operação vem poucos meses após a Omen AI levantar US$ 31 milhões em uma rodada Série A e consolida a estratégia da empresa fundada por Zach Laberge de atacar um ponto sensível da expansão da inteligência artificial: o uso intensivo de água para resfriar chips de alta potência em data centers.
Hoje, centros de dados nos EUA consomem entre 17 bilhões e 19 bilhões de galões de água por ano para resfriamento, volume que deve triplicar nos próximos cinco anos. Esse avanço pressiona investidores, governos locais e operadores, que precisam provar que conseguem crescer sem desperdiçar recursos hídricos nem correr o risco de paradas repentinas em sistemas críticos.
A Aquatic Labs, comandada por Allan Adams, passa a integrar a estrutura da Omen AI. Adams assume agora o cargo de diretor científico da companhia combinada, responsável por liderar a integração das tecnologias e ampliar o alcance dos sensores da empresa.
Como as tecnologias se complementam
A Omen AI desenvolve sensores em tempo real capazes de identificar, na água de resfriamento, problemas como falhas em válvulas e crescimento bacteriano que podem comprometer o fluxo e levar a panes de equipamentos. A Aquatic Labs traz para a mesa um sistema de medição contínua da alcalinidade, um dos parâmetros-chave de qualidade do fluido.
As equipes trabalham para integrar as duas soluções em um único dispositivo. A previsão é que o novo sensor chegue ao mercado no início do próximo ano, já com a capacidade de monitorar, de forma simultânea, a presença de elementos químicos e o equilíbrio químico da água.
“Colocar essas duas tecnologias no mesmo sensor cria uma imagem muito mais rica da água e do fluido”, afirma Allan Adams. Segundo ele, a automação desse monitoramento substitui processos hoje lentos e manuais, que dependem do envio de amostras a laboratórios e de uma espera de dias por resultados.
Adams também destaca o efeito fora dos muros dos data centers. “A água entra nos data centers, depois sai e é descartada na água municipal, e você quer que esse processo todo aconteça de forma segura e responsável — e isso significa que você precisa medir as coisas”, diz o novo diretor científico da Omen AI.
Impacto para operadores de data centers
Ao integrar os sensores em um único equipamento, a Omen AI promete entregar uma visão mais completa e em tempo real da saúde do sistema de resfriamento. A companhia argumenta que o principal valor não está apenas em economizar água, mas em manter os data centers ativos por mais tempo, evitando interrupções inesperadas.
“O valor agregado está no tempo de atividade: se o sistema de fluido falhar, os operadores geralmente optam por descartar a água para não arriscar danos ao equipamento caro, o que implica em paradas custosas”, resume a empresa. Com monitoramento mais preciso, a tendência é prolongar o uso do mesmo fluido, reduzir descartes prematuros e diminuir o custo de limpezas e recargas.
Na prática, o novo sensor pode ajudar a antecipar problemas como corrosão, incrustações internas e desequilíbrios químicos que afetam bombas, tubulações e trocadores de calor. Ao atacar o problema antes que ele se agrave, operadores ganham previsibilidade e conseguem programar manutenção em vez de reagir a falhas.
Entenda o contexto
A corrida global por capacidade de processamento para IA levou à construção acelerada de grandes data centers, com consumo elevado de energia e água. Nos EUA, a expectativa é que o uso de água para resfriamento triplique em poucos anos, o que já desperta alertas em regiões sujeitas a estresse hídrico e torna o tema politicamente sensível.
A proposta da Omen AI atua na linha fina entre eficiência operacional e responsabilidade ambiental. Ao monitorar a água de forma mais precisa, a empresa afirma que consegue reduzir o desperdício, garantir qualidade adequada no ciclo que vai do data center à rede pública e, ao mesmo tempo, dar mais segurança a investidores e reguladores.
Adams, físico com histórico em tecnologias avançadas de sensores oceânicos, enxerga na fusão de competências um passo para criar novos padrões de monitoramento hídrico em infraestrutura crítica. A expectativa é que, com a escala dos grandes centros de dados, essa tecnologia também ganhe espaço em outros setores industriais que lidam com circuitos de água de alta complexidade.
Metas de expansão e tamanho do mercado
Com a aquisição da Aquatic Labs, a Omen AI mira um mercado estimado entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões em chips monitorados pelos seus sensores. A meta da empresa é acompanhar, até o fim deste ano, sistemas de resfriamento de data centers que atendem chips consumindo entre 250 megawatts (MW) e 300 MW de energia.
No horizonte de médio prazo, o plano é mais ambicioso: alcançar a marca de 1 gigawatt (GW) em chips monitorados até o fim de 2027. Se cumprida, essa expansão consolidaria a Omen AI como uma das principais fornecedoras de tecnologia para monitoramento de fluidos em infraestrutura de IA.
Mesmo com a recente correção nas ações de empresas de infraestrutura de IA, que levantou dúvidas sobre o ritmo da expansão do setor, Zach Laberge minimiza o impacto sobre o negócio. “Estamos trabalhando com clientes em projetos que estão construindo hoje ou já construíram, então isso não nos afeta porque todos esses projetos foram financiados há 12 meses”, diz o fundador.
Para ele, a desaceleração não muda o potencial estrutural do mercado, apenas o ritmo. “Nossa visão é que, mesmo que haja restrições, este ainda será o maior mercado da história humana, mesmo se for reduzido pela metade”, afirma.
O otimismo se apoia no fato de que a tecnologia da Omen AI não depende de novos anúncios de mega data centers, mas da base já implantada e em construção, que precisa operar no limite da capacidade sem falhas e sob maior escrutínio regulatório e ambiental.
Com a integração da Aquatic Labs em andamento e o lançamento do novo sensor previsto para o início do próximo ano, a Omen AI se posiciona para disputar contratos em um segmento que tende a atrair mais investimentos, ajustes regulatórios e, inevitavelmente, novos concorrentes em busca de soluções mais eficientes para o uso da água na era da inteligência artificial.


