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Corpo é achado em Angra em busca por Berenice, de Ubatuba

Corpo de mulher é localizado em mata de Angra dos Reis durante buscas por Berenice, cozinheira de 60 anos desaparecida em Ubatuba. Polícia apura possível homicídio.

17/07/2026 22:16 7 min de leitura

Desaparecimento

Mulher de 60 anos desaparecida em Ubatuba é encontrada morta em Angra dos Reis, investigação aponta possível homicídio.

Equipes da Polícia Civil de São Paulo encontram na tarde desta sexta-feira (17) o corpo de uma mulher em área de mata em Angra dos Reis (RJ), durante as buscas pela cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, desaparecida desde 30 de junho em Ubatuba. O cadáver está sob análise pericial, e a polícia trabalha com a hipótese de que seja da funcionária desaparecida.

Buscas em dois estados e corpo a 30 metros de altura

O corpo é localizado na localidade de Serra d’Água, às margens da Estrada de Lídice, em um trecho íngreme e de difícil acesso. A vítima aparece presa a uma árvore cerca de 30 metros abaixo do nível da estrada, segundo os relatos de equipes que participam da operação.

O terreno obriga a chamada do Corpo de Bombeiros de Angra dos Reis, que utiliza técnicas de rapel para chegar ao ponto exato. O resgate começa no fim da tarde e se estende até o início da noite desta sexta-feira. Depois da retirada, o corpo segue para o Instituto Médico Legal, onde passará por exames de identificação e para a definição da causa da morte.

A ação integra uma força-tarefa montada pela Polícia Civil paulista, com apoio do Grupo de Pronta Resposta do 3º Batalhão de Ações Especiais (3º BAEP). As buscas se concentram em uma área delimitada a partir do trajeto percorrido pela caminhonete da patroa de Berenice, monitorado por câmeras e radares entre o litoral norte de São Paulo e o sul do Rio de Janeiro.

Patroa presa e vestígios de sangue na caminhonete

A principal suspeita no caso é a empresária Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, patroa de Berenice em Ubatuba. Ela está presa temporariamente desde 10 de julho, enquanto a polícia apura o desaparecimento e um possível homicídio.

Investigadores encontram vestígios de sangue no banco do carona da caminhonete de Eliane. O material é identificado com apoio de cães farejadores e confirmado com luminol, reagente químico que faz brilhar, em azul, marcas de sangue invisíveis a olho nu. A maior concentração aparece justamente na posição em que um passageiro se sentaria.

O veículo, apreendido durante o cumprimento de mandados, também apresenta marcas de reparos compatíveis, segundo a polícia, com danos provocados por disparos de arma de fogo. Na casa da empresária, agentes recolhem três armas registradas e dois celulares. Os laudos ainda não estão concluídos.

O delegado André Luiz Matera Costilhas, responsável pelo inquérito, afirma que a descoberta em Angra dos Reis se encaixa na trilha seguida pela investigação. “A principal linha de trabalho é que o corpo seja o da cozinheira”, diz. A confirmação, reforça, depende dos exames do IML, que devem ser concluídos nos próximos dias.

Contradições, áudios e a angústia do filho

Berenice some em 30 de junho, após deixar o restaurante onde trabalha em Ubatuba. A versão inicial de Eliane é que teria deixado a cozinheira no bairro Toninhas, para um trabalho temporário. Depois, muda o relato e diz que a deixou no trevo de Ubatumirim, de onde ela seguiria sozinha.

Imagens de câmeras de segurança e registros de radares, porém, mostram a caminhonete da empresária pela Estrada do Pasto Grande, em direção a Paraty, no sentido do Rio de Janeiro, rota diferente da indicada nos depoimentos. As contradições passam a ser um dos eixos centrais do inquérito.

Um áudio divulgado nesta semana pela Rede Vanguarda expõe a tensão entre a família de Berenice e a patroa. No diálogo, o filho da cozinheira, José Carlos de Faria, cobra explicações sobre o dia do sumiço. “O que aconteceu? Porque minha mãe sumiu”, pergunta. Eliane responde: “Ela não chegou ainda? Ela saiu daqui falando que ia para Toninhas. Ela tinha um trabalho lá.”

Ao longo da conversa, o filho relata a aflição diante da falta de notícias desde o fim de junho e diz ter acionado a polícia. O conteúdo não integra formalmente o inquérito, mas ajuda a revelar o clima de desconfiança e pressão em torno da empresária, agora presa por suspeita de homicídio.

Operação complexa e suspeita de participação de terceiros

A localização do corpo em uma encosta, a dezenas de metros abaixo da estrada, reforça, na avaliação de investigadores, a hipótese de que o crime não tenha sido executado por apenas uma pessoa. O ponto onde a vítima aparece presa à árvore exige força física, conhecimento da região e algum nível de planejamento para o descarte do cadáver.

A polícia apura se Eliane contou com ajuda para transportar o corpo até Serra d’Água. A rota até o local coincide, em parte, com o caminho registrado pelos sistemas de monitoramento viário para a caminhonete da empresária. A investigação agora tenta cruzar esses dados com outras imagens de câmeras, pedágios e possíveis testemunhas em municípios entre Ubatuba e Angra.

A operação que resulta na localização do corpo mobiliza policiais civis, equipes especializadas do 3º BAEP, bombeiros e agentes que operam drones em área de mata fechada. O uso de tecnologia forense e de técnicas de resgate típicas de operações de alto risco mostra o grau de complexidade do caso, que começa com o registro de desaparecimento em uma delegacia do litoral paulista e se desdobra em outro estado.

Do desaparecimento ao possível homicídio

O caso Berenice, como passa a ser conhecido em Ubatuba e nas cidades vizinhas, deixa de ser apenas um boletim de desaparecimento e caminha para um inquérito de homicídio. Com a localização do corpo, esse movimento ganha força jurídica e emocional.

Para a família, a possibilidade de confirmação da morte representa ao mesmo tempo um passo para o fim da busca e o início de um luto formal. Para a principal suspeita, a empresária de 46 anos, os próximos dias podem significar a transformação da prisão temporária em preventiva e o oferecimento de denúncia por homicídio, caso a polícia consolide o conjunto de provas.

A repercussão do caso, impulsionada por áudios, imagens de câmeras e sucessivos desdobramentos, pressiona as instituições de segurança a darem respostas rápidas e bem fundamentadas. O inquérito, conduzido em São Paulo, precisa agora articular perícias e diligências também no Rio de Janeiro.

Os laudos do IML e da Polícia Científica devem balizar os próximos passos: confirmação ou não de que o corpo é de Berenice, definição da causa da morte, identificação de eventuais ferimentos por arma de fogo e compatibilidade com vestígios encontrados no veículo e nas armas apreendidas. A partir daí, a investigação tenta montar uma linha do tempo precisa para os momentos finais da cozinheira.

Enquanto familiares e amigos aguardam por respostas, a polícia trabalha com a perspectiva de novas oitivas, análises de dados e, possivelmente, novas prisões, caso fique comprovado que mais pessoas participaram do crime. O desfecho dos exames periciais, esperado para os próximos dias, deve definir se o caso Berenice entra definitivamente na estatística de homicídios e em que condições isso ocorreu.

O corpo encontrado já é oficialmente de Berenice?

Não. A principal hipótese da polícia é de que seja Berenice, mas a confirmação depende dos exames de identificação do Instituto Médico Legal.

Por que a patroa de Berenice está presa?

Eliane Alves dos Santos está presa temporariamente desde 10 de julho por suspeita de envolvimento no desaparecimento. Vestígios de sangue foram achados em sua caminhonete, e há contradições em seus depoimentos.

O caso já é tratado como homicídio?

A polícia investiga o caso como possível homicídio. A confirmação oficial depende dos laudos periciais sobre o corpo encontrado e os vestígios coletados na investigação.

Onde Berenice foi vista pela última vez?

Ela é vista pela última vez em 30 de junho de 2026, em Ubatuba, após deixar o restaurante onde trabalhava. A partir daí, seu paradeiro se torna desconhecido.


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