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Entretenimento

Sebastián Lelio, diretor de ‘Uma Mulher Fantástica’, morre aos 52

Cineasta chileno morreu em casa, em Santiago, por motivos de saúde. Vencedor do Oscar de filme em língua estrangeira, ele deixa projetos em andamento e um legado central ao cinema latino-americano.

Sebastián Lelio, diretor de ‘Uma Mulher Fantástica’, morre aos 52

Cinema

O cineasta chileno, vencedor do Oscar, faleceu deixando um legado importante para o cinema latino-americano.

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O cineasta chileno Sebastián Lelio, diretor de “Uma Mulher Fantástica” e um dos nomes mais influentes do cinema latino-americano recente, morreu aos 52 anos nesta sexta-feira (6), em sua casa na comuna de Las Condes, em Santiago, no Chile. A família informou que a morte ocorreu por motivos de saúde e não divulgou detalhes, enquanto produtores e artistas lamentam a perda de um autor que redefiniu a presença chilena no cinema mundial.

Companheira e família pedem privacidade

Lelio foi encontrado sem vida em sua residência. A notícia foi confirmada por sua companheira, a atriz Amalia Kassai, e por familiares, em comunicado e publicações em redes sociais. Eles reforçaram o pedido para que o luto seja respeitado.

“Com muita tristeza comunicamos o falecimento por motivos de saúde do cineasta Sebastián Lelio. Estamos atravessando um momento de muita dor e sua lembrança permanecerá para sempre entre nós”, escreveu Amalia Kassai, em mensagem divulgada nas redes.

Em outro trecho, ela destacou o papel do diretor para a cultura do país. “Foi uma pessoa maravilhosa que contribuiu para a cultura chilena em grandes momentos da sua história. Como família, pedimos respeito pela privacidade e consideração nestes momentos difíceis”, afirmou.

Entenda o contexto

Nascido em 8 de março de 1974, em Mendoza, na Argentina, Sebastián Lelio se mudou ainda criança para o Chile, onde se formou na Escola de Cinema da Universidade do Chile. Dos primeiros longas, como “A Sagrada Família”, “Navidad” e “El Año del Tigre”, à consagração internacional, ele construiu uma filmografia marcada por olhares íntimos para personagens à margem e por forte engajamento social.

O reconhecimento mundial veio com “Uma Mulher Fantástica”, lançado em 2017 e protagonizado pela atriz trans Daniela Vega. O drama sobre uma mulher trans que enfrenta o luto e o preconceito após a morte do companheiro conquistou o Oscar de melhor filme em língua estrangeira em 2018, tornando-se a primeira produção chilena a levar a estatueta e um marco para a representação de pessoas trans no cinema.

Antes disso, Lelio já havia chamado a atenção com “Gloria”, de 2013, retrato de uma mulher de meia-idade em busca de novos afetos que rendeu prêmio de atuação em Berlim para Paulina García e consolidou o diretor como um dos principais nomes do cinema de autor chileno.

Obras, parcerias e temas sociais

Ao longo da carreira, Lelio alternou produções no Chile e no exterior, sempre mantendo o foco em personagens complexos e em debates sobre gênero, sexualidade, fé e poder. Em “Desobediência”, de 2017, trabalhou com Rachel Weisz e Rachel McAdams em uma história de amor entre duas mulheres em uma comunidade judaica ortodoxa. Em “Gloria Bell”, de 2018, refilmou em inglês o próprio “Gloria”, desta vez estrelado por Julianne Moore.

Em “O Prodigioso”, de 2022, levou Florence Pugh à Irlanda do século 19 em um embate entre crença religiosa e ciência. Já em seu último longa, “La Ola”, exibido no Festival de Cannes em 2025, voltou ao Chile para acompanhar, em tom de musical, a formação de um movimento feminista universitário contra o assédio e a violência de gênero, misturando manifestações políticas com coreografias.

O conjunto da obra firmou Lelio como uma referência na combinação de cinema de autor com temas urgentes de direitos humanos, diversidade e feminismo. Ele se tornou símbolo de uma geração de realizadores latino-americanos que ganharam espaço em festivais e premiações globais sem abrir mão de pautas sociais.

Projetos em andamento ficam incertos

A morte de Sebastián Lelio interrompe projetos que estavam em fase de desenvolvimento e agora entram em zona de incerteza. O diretor trabalhava na adaptação para o cinema de “Poeta Chileno”, romance do escritor Alejandro Zambra, e tinha outro filme, “Voyagers”, já confirmado.

Produtores e equipes envolvidas ainda vão decidir o futuro dessas obras e de que forma poderão ser levadas adiante, caso optem por concluir os projetos em homenagem ao cineasta. A ausência de Lelio, no entanto, representa a perda de sua visão criativa justamente em um momento em que seu nome estava consolidado e com espaço aberto para novas empreitadas internacionais.

Impacto para o cinema chileno e latino-americano

A morte do diretor tem repercussão imediata no meio cultural chileno, que perde um de seus principais expoentes contemporâneos. Colegas de profissão, atores e representantes de instituições ligadas ao cinema manifestaram pesar e destacaram o papel de Lelio na construção de uma identidade audiovisual chilena reconhecida fora do país.

Internacionalmente, o impacto também é sentido. Ao lado de cineastas de outros países da região, Lelio ajudou a levar o cinema latino-americano a festivais e prêmios de grande visibilidade, servindo como porta de entrada para novas obras e novos nomes. Sua ausência tende a abrir um vácuo na representação do Chile em grandes eventos, ao menos até que outra geração consolide espaço equivalente.

Para o público e a crítica, permanece um catálogo de filmes que dialogam com debates contemporâneos sobre diversidade, enfrentamento ao preconceito e protagonismo feminino. Especialistas avaliam que suas narrativas devem seguir influenciando jovens realizadores interessados em temas trans, feministas e de direitos humanos, reforçando um legado que extrapola fronteiras nacionais.

Nos próximos dias, são esperadas homenagens no Chile e em outros países, em festivais e mostras dedicadas à obra de Lelio. A família não divulgou informações sobre velório ou cerimônia de despedida até o momento.