Mercados
S&P 5007.377▲ 0,31%Nasdaq24.579▲ 1,09%Dow Jones51.286▼ 0,46%Ibovespa168.498▲ 1,39%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,50▼ 0,14%EuroR$ 6,13▼ 0,67%BitcoinR$ 416.369▼ 0,12%Powered by WIREDESK OSS&P 5007.377▲ 0,31%Nasdaq24.579▲ 1,09%Dow Jones51.286▼ 0,46%Ibovespa168.498▲ 1,39%FTSE 10010.674▼ 1,01%DAX25.820▼ 1,92%Nikkei57.435▼ 5,96%DólarR$ 5,50▼ 0,14%EuroR$ 6,13▼ 0,67%BitcoinR$ 416.369▼ 0,12%Powered by WIREDESK OS
Powered by WIREDESK OS
AIDevOps

Engenheiro lidera gestão digital e reduz 1 ano em projetos BIM

Transformação digital reposiciona engenheiros brasileiros como gestores de processos, com BIM na construção e 3D EXPERIENCE na Marcopolo encurtando prazos e reduzindo retrabalho.

Engenheiro lidera gestão digital e reduz 1 ano em projetos BIM

Transformação Digital

Engenheiros brasileiros ganham destaque na gestão de processos com BIM e 3D EXPERIENCE, acelerando projetos e diminuindo erros.

Leia também: Computadores dominam análise em nuvem e mudam equipes de TI

Engenheiros brasileiros começam a trocar a prancheta e o cálculo isolado pelo papel de gestores de processos digitais, responsáveis por integrar dados, pessoas e etapas de projetos complexos. Na construção civil e na indústria de mobilidade, ferramentas como o BIM e a plataforma 3D EXPERIENCE vêm mudando a rotina de escritórios e fábricas, encurtando prazos, reduzindo retrabalho e exigindo uma nova formação desses profissionais.

Como a Marcopolo está se transformando com a plataforma 3DEXPERIENCE?

Na Marcopolo, gigante brasileira de carrocerias de ônibus com sede em Caxias do Sul, a adoção da plataforma 3D EXPERIENCE centralizou os dados de produto e permitiu reduzir em até um ano o tempo de lançamento da nova geração de veículos.

Com mais de 750 engenheiros distribuídos em 11 unidades fabris, a empresa lida com uma complexidade diária de desenvolvimento. Um único ônibus de dois andares pode ter cerca de 5.000 componentes, e o banco de dados da companhia já soma mais de 2 milhões de peças únicas. “Nós criamos em média 600 novas peças todos os dias”, afirma Tiago Mendes da Silva, coordenador de engenharia da Marcopolo.

Antes da plataforma integrada, as equipes de design, engenharia e manufatura trabalhavam em silos, cada uma com arquivos e versões próprias. Problemas de incompatibilidade entre sistemas e partes do veículo eram descobertos apenas no protótipo físico, gerando atrasos e retrabalho em cadeia.

Com a implementação do 3D EXPERIENCE, o modelo 3D do ônibus passou a ser o centro do processo: todos os times acessam as mesmas informações, integradas à gestão de dados e compatíveis com sistemas de gestão empresarial (ERP). “Implementando a plataforma 3D EXPERIENCE, centralizamos todos os dados do produto e aceleramos o lançamento dos ônibus em um ano”, diz Mendes da Silva.

A mudança, porém, não foi apenas tecnológica. A empresa estruturou um programa de gestão da mudança para preparar engenheiros acostumados a softwares e rotinas antigas. “Mudança é difícil. Muitos engenheiros usavam as mesmas ferramentas há mais de 20 anos”, reconhece o coordenador.

Nesse novo cenário, o engenheiro deixa de ser apenas o especialista em um componente e passa a atuar como engenheiro de processos: acompanha o ciclo completo do produto, garante que o fluxo de dados entre design, análise, fabricação e fornecedores seja coerente e antecipa conflitos entre áreas ainda no ambiente virtual.

Quais são as barreiras para a adoção do BIM no Brasil?

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Paraná e da Universidade de Strathclyde, no Reino Unido, mapeou as dificuldades de uma grande construtora de infraestrutura brasileira para implantar o BIM de forma plena.

A pesquisa, realizada ao longo de seis meses com entrevistas, análise de documentos e observação em campo, identificou um cenário ambivalente. De um lado, ganhos claros na fase de projeto. “O BIM melhorou o gerenciamento da informação do projeto e sua interface com a construção”, resumem os pesquisadores envolvidos. O modelo 3D facilitou a detecção de interferências entre disciplinas, melhorou a comunicação entre projetistas e equipe de obra e deu mais previsibilidade a trechos complexos.

Do outro lado, a adoção na fase de construção encontrou limites práticos. A extração de dados do modelo 3D era difícil e, na obra, isso praticamente inviabilizou o uso do chamado 4D, que associa o modelo ao cronograma para simular o avanço físico da construção. A equipe passou a enxergar o problema como oportunidade de mapear falhas do modelo e definir parâmetros mínimos de informação para futuros projetos, automatizando a checagem de lacunas e inconsistências.

A principal conclusão do trabalho é que tecnologia sozinha não basta. “O BIM como ferramenta tecnológica não promove sozinho a integração entre projeto e construção”, registra o estudo. Para que a integração aconteça de fato, os autores defendem rever contratos e envolver desde o início todos os atores da cadeia — projetistas, gestores de obra, fornecedores e subcontratados — em um processo colaborativo único.

As barreiras, portanto, não são apenas de software ou hardware. Envolvem cultura organizacional, medo de mudar rotinas consolidadas, falta de processos estruturados e contratos que ainda premiam soluções individuais e não o resultado integrado do empreendimento.

Entenda o contexto

O BIM (sigla em inglês para modelagem da informação da construção) é hoje a espinha dorsal de muitos projetos no mundo ao permitir que arquitetos, engenheiros e construtoras trabalhem sobre um mesmo modelo digital, que concentra informações geométricas e técnicas da obra.

No Brasil, iniciativas de universidades e de empresas pioneiras em infraestrutura vêm empurrando o setor para esse modelo digital, impulsionadas também por exigências regulatórias crescentes e por contratos públicos que já começam a pedir o uso da tecnologia em determinadas etapas.

Na prática, isso desloca o foco do engenheiro: ele passa a ser responsável por garantir a qualidade e a consistência dos dados que circulam entre disciplinas, pela interface entre projeto e obra e pela orquestração de equipes multidisciplinares, e não apenas pela solução técnica isolada de uma estrutura ou sistema.

Engenheiro técnico x engenheiro de processos

Nos dois casos — BIM na construção e 3D EXPERIENCE na indústria de mobilidade —, a função tradicional do engenheiro dá lugar a um perfil mais próximo da engenharia de processos.

Em vez de atuar apenas no “seu pedaço” do projeto, esses profissionais passam a:

• desenhar e revisar fluxos de trabalho digitais, definindo quem acessa e atualiza quais dados em cada fase;
• conectar plataformas de modelagem 3D a sistemas de planejamento, orçamento, compras e fábrica;
• garantir rastreabilidade e consistência das informações do início ao fim do ciclo de vida do produto ou da obra;
• mediar conflitos entre áreas diferentes, usando o modelo digital como base comum de decisão.

Ganha espaço quem domina tanto a linguagem técnica da engenharia quanto conceitos de gestão de dados, processos e colaboração. Empresas que conseguem alinhar tecnologia, contratos e cultura organizacional colhem ganhos de competitividade: reduzem retrabalhos, encurtam o tempo de desenvolvimento e aumentam a capacidade de oferecer soluções personalizadas em mercados mais exigentes.

Já métodos tradicionais e profissionais resistentes à mudança tendem a perder relevância. A pressão por eficiência, transparência e conformidade regulatória empurra toda a cadeia produtiva — de fornecedores a construtoras — para uma indústria mais conectada, em que o engenheiro deixa de ser apenas calculista e se torna, cada vez mais, o arquiteto dos processos que fazem os projetos acontecerem.