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Google Cloud libera VMware Cloud Foundation autogerenciado

Google Cloud passa a oferecer VMware Cloud Foundation 9.x autogerenciado em bare metal dedicado, com acesso root e uso de licenças portáteis, em 22 regiões globais.

Google Cloud libera VMware Cloud Foundation autogerenciado

Cloud Computing

Novo serviço do Google Cloud oferece VMware Cloud Foundation autogerenciado com controle total e licenças portáteis em diversas regiões.

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Google Cloud anunciou a disponibilidade geral de uma solução autogerenciada de VMware Cloud Foundation (VCF) 9.x em servidores bare metal dedicados, em 22 regiões globais, dando a clientes e parceiros acesso root completo ao ambiente e o controle sobre atualizações e patches, em complemento ao serviço gerenciado VMware Engine.

O que muda com o VMware Cloud Foundation autogerenciado

Na nova oferta, o VCF 9.x roda em instâncias z3-highmem-192-highlssd-metal, cada uma com 96 núcleos físicos de processadores Intel Xeon de última geração, 1,5 TB de memória RAM, 72 TB de armazenamento NVMe local e rede de 200 Gbps. Diferentemente do VMware Engine, em que o ciclo de vida da pilha fica nas mãos da própria Google, clientes passam a decidir quando e como aplicar upgrades e correções.

O ambiente inclui acesso root a ESXi, vCenter e NSX, algo que não está disponível no modelo totalmente gerenciado. A operação pode ser feita diretamente pela equipe de TI do cliente ou delegada a parceiros especializados, usando as próprias assinaturas VCF portáteis já contratadas com a Broadcom.

Segundo Sunny Dua, group product manager, “The launch of VMware Cloud Foundation 9.x by Broadcom is a key driver behind this self-managed deployment option”. Já Abhay Kumar, executivo da divisão de VCF na Broadcom, destaca que “License portability lets customers move existing subscriptions and run workloads unchanged”.

Como funciona a implantação na prática

A Google provisiona o hardware bare metal e, a partir daí, o controle passa para o cliente. A instalação é disparada pelo console da nuvem ou por Terraform, por meio de um toolkit que configura os nós ESXi com espalhamento de carga, ajusta interfaces VMkernel, cria registros no Cloud DNS e implanta o VCF Installer com uma configuração pré-validada.

Antes disso, é preciso habilitar o projeto para rede baseada em VLAN, configurar uma VPC com MTU de 8896 bytes e criar sub-redes específicas para gerenciamento, vSAN, vMotion e NSX. Após a fase do instalador, o ambiente torna-se totalmente administrado pelo cliente, incluindo políticas de segurança, janelas de manutenção e ritmo de atualizações.

O armazenamento principal é feito com vSAN sobre o NVMe local, com suporte a NetApp Volumes como datastore externo. A Google cita ganhos de até 40% de redução do custo total de propriedade (TCO) em servidores com o uso de tiering em NVMe e até 39% de queda no TCO de armazenamento com vSAN ESA, números apresentados como estimativas internas.

Entenda o contexto

Com a novidade, a Google Cloud passa a operar com dois modelos distintos para workloads VMware. O VMware Engine, já disponível, segue como solução gerenciada, com privilégios limitados em vCenter e o ciclo de vida do VCF mantido pela própria nuvem, hoje em uma versão anterior. Já o novo VCF 9.x autogerenciado coloca a responsabilidade de operação nas mãos do cliente, mas oferece acesso total e alinhamento mais rápido com os lançamentos da Broadcom.

Na prática, isso responde a um movimento que já vinha se consolidando em outros grandes provedores, como as ofertas equivalentes da Oracle e da Amazon para VCF em bare metal, voltadas a empresas que exigem controle fino da infraestrutura e querem acompanhar de perto o ritmo de releases, mudanças de licenciamento e customizações avançadas.

Quem ganha com o novo modelo

Setores que dependem de ambientes altamente customizados e com requisitos rígidos de segurança e performance, como logística, financeiro e grandes prestadores de serviços de TI, tendem a ser os principais beneficiados. Clientes como a GXO Logistics são citados em avaliações iniciais da plataforma.

Para essas organizações, o acesso root e a possibilidade de ajustar a pilha VMware de ponta a ponta — do hypervisor às redes virtuais — permitem adequar o ambiente às necessidades específicas de aplicações legadas, políticas internas de compliance e integrações com ferramentas próprias de observabilidade e backup.

Por outro lado, o modelo exige equipes preparadas para lidar com a complexidade operacional de um stack VMware completo, incluindo janelas de patching, troubleshooting de baixo nível e coordenação com o calendário de releases da Broadcom. A consultoria Xtravirt resume o dilema: “Full control over your VCF estate is only worth having if someone in your organisation wants that responsibility. For plenty of organisations, the answer will be yes. For others, it’ll be: ‘we want the flexibility, but we don’t want to be the ones doing the patching at 2am.’”

Papel de parceiros e impacto no ecossistema

Para quem busca flexibilidade sem assumir o peso da operação 24×7, a Google destaca uma rede de parceiros globais como Accenture, HCL, IBM, Infosys, TCS e Wipro, entre outros, preparados para atuar como operadores desses ambientes autogerenciados. Nesse modelo, a pilha permanece sob controle técnico do cliente, mas o dia a dia de gestão pode ser terceirizado como serviço.

A abertura para licenças portáteis de VCF também é vista como ponto estratégico. Empresas com contratos em vigor com a Broadcom podem migrar assinaturas existentes para a nuvem da Google e rodar workloads sem alterações significativas, reduzindo fricção em projetos de migração ou expansão de data centers para um modelo híbrido.

Especialistas apontam que a combinação de hardware de alta performance, corte potencial de custos em servidores e armazenamento e liberdade para definir o modelo operacional tende a pressionar concorrentes diretos, em especial outras nuvens que ainda mantêm apenas ofertas totalmente gerenciadas para VMware.

O que ainda falta definir

Apesar da liberação geral em 22 regiões, a Google Cloud ainda não divulgou detalhes públicos de preços, acordos de nível de serviço (SLA), lista completa das regiões contempladas nem caminhos oficiais de migração do VMware Engine atual para o novo VCF 9.x autogerenciado.

A empresa indica que a solução será expandida para mais regiões nos próximos trimestres e orienta clientes interessados a procurar as equipes comerciais ou parceiros autorizados para discutir sizing, arquitetura e condições comerciais. Até lá, o mercado de grandes usuários de VMware acompanha de perto como o modelo será adotado e de que forma ele vai redesenhar o equilíbrio entre serviços gerenciados e autogerenciados na nuvem.