Gestores globais se dividem sobre futuro da IA e miram cibersegurança
Na cúpula em Hong Kong, gigantes do mercado financeiro divergem sobre bolha em IA, enquanto projeções bilionárias convivem com alertas macroeconômicos e foco crescente em cibersegurança.

Inteligência Artificial
Especialistas debatem riscos e oportunidades da IA, destacando a importância da segurança digital no cenário financeiro global.
Leia também: Bombeiros do Rio criam dupla checagem após trote com vídeo falso
Os maiores gestores do mercado financeiro global saem da Cúpula de Investimento dos Líderes Financeiros Globais, em Hong Kong, sem consenso sobre o futuro da inteligência artificial (IA): enquanto parte vê “bolhas que vão estourar” e valuations exagerados, outra ala projeta até US$ 15 trilhões em novos investimentos e enxerga na tecnologia uma “oportunidade de uma vida”, com a cibersegurança despontando como um dos principais alvos da próxima onda de crescimento.
Wall Street racha entre medo de bolha e aposta trilionária
No encontro realizado em 3 de novembro, a liderança da Bain Capital soou o alerta ao afirmar que há “bolhas que vão estourar” no setor de IA e que as avaliações das empresas já estão muito altas. A Capital Group destacou um descompasso entre o que muitas companhias prometem e o ritmo real de adoção das soluções de inteligência artificial.
A Oaktree Capital foi além e classificou a IA como uma “oportunidade de investimento superlotada”, sugerindo que o mercado já está muito congestionado. A Pimco, por sua vez, chamou atenção para riscos macroeconômicos que, em sua visão, vêm sendo subestimados: possível nova alta de juros nos Estados Unidos, conflitos no Oriente Médio e uma eventual crise na zona do euro, fatores que poderiam esfriar o apetite por ativos ligados à tecnologia.
Na outra ponta, bancos e grandes gestoras alternativas defendem que o ciclo da IA ainda está só no começo. O Morgan Stanley projetou que os gastos de capital com a tecnologia podem chegar a algo entre US$ 10 trilhões e US$ 15 trilhões nas próximas etapas de expansão. No Goldman Sachs, a avaliação é de que haverá “solavancos no caminho”, mas que o mercado precisa aprender a lidar com eles sem abandonar as teses estruturais.
A Brookfield adotou o tom mais entusiasmado entre os participantes ao descrever o momento como “oportunidade de uma vida” para quem estiver do lado certo da transformação. Apesar das divergências, há um ponto de convergência entre os grandes nomes: ninguém questiona que a inteligência artificial seguirá avançando e criando novas frentes de negócios, a dúvida é quais empresas conseguirão capturar esse valor e em qual velocidade.
Cibersegurança vira peça central da nova infraestrutura digital
Enquanto a discussão sobre bolha ou novo superciclo domina os painéis, um segmento específico ganha cada vez mais espaço nas conversas: a cibersegurança. A avaliação entre gestores e analistas é que, à medida que a IA se espalha por praticamente todos os setores da economia, cresce também a superfície de ataque para criminosos digitais e grupos organizados.
O Relatório do Custo das Violações de Dados 2026, elaborado pela IBM, mostra como ataques cada vez mais sofisticados — muitos deles já impulsionados por algoritmos de IA — remodelam a economia, elevando os custos de prevenção, resposta a incidentes e perda de confiança de clientes. O estudo reforça a percepção de que segurança digital deixa de ser apenas um item de TI para se tornar questão estratégica de negócios.
Para analistas, isso significa que a segunda perna da corrida da inteligência artificial tende a favorecer empresas que fornecem ferramentas para proteger a nova infraestrutura digital, e não apenas aquelas que constroem chips e grandes data centers. Em outras palavras, a demanda por cibersegurança cresce junto com a própria adoção da IA, abrindo uma frente de investimentos vista como menos exposta às discussões de bolha em torno de nomes já consagrados.
Entenda o contexto
A primeira onda de valorização ligada à inteligência artificial se concentrou em fabricantes de semicondutores, provedores de infraestrutura em nuvem e gigantes de tecnologia que passaram a liderar o desenvolvimento de modelos de linguagem e outras aplicações. O salto de receitas e expectativas para essas empresas puxou índices de ações e ajudou a sustentar parte do desempenho dos mercados globais neste ciclo.
Agora, com os valuations em patamares elevados e a adoção da tecnologia se espalhando para setores tradicionais, o foco de muitos gestores migra para onde a relação risco-retorno parece mais favorável. É nesse movimento que entram companhias de segurança digital, softwares de monitoramento, proteção de dados sensíveis e defesa de infraestruturas críticas, vistas como beneficiárias diretas da nova fase da IA.
Evento IA Tech discute “próxima onda” de oportunidades
Surfando esse debate, a Empiricus organiza para esta segunda-feira, 9 de novembro, o evento online e gratuito IA Tech, voltado a investidores interessados em entender como navegar a nova fase da revolução da inteligência artificial.
No encontro virtual, o estrategista de macroeconomia Matheus Spiess e o especialista em ativos digitais Luis Kuniyoshi vão apresentar teses que, segundo eles, podem se beneficiar justamente da combinação entre expansão da IA e necessidade crescente de proteção de dados e sistemas. A dupla identificou três ações ligadas à revolução da inteligência artificial com potencial de dobrar de valor nos próximos meses, além de uma tese considerada assimétrica, que mira uma multiplicação de até 42 vezes em 12 meses.
A proposta do IA Tech é falar com o investidor que sente ter perdido a “primeira onda” dos ganhos em IA e busca alternativas na esteira da cibersegurança e de empresas menos óbvias ligadas à infraestrutura digital. As inscrições são gratuitas e o evento será transmitido pela internet.
Enquanto isso, o mercado financeiro segue dividido: de um lado, quem prefere reduzir exposição temendo correções bruscas caso o cenário macro piore; de outro, quem mantém a aposta de que, mesmo com ajustes e volatilidade, a inteligência artificial e os negócios que orbitam a proteção dessa tecnologia continuarão entre os vetores centrais de crescimento global nos próximos anos.

