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Lançamentos de IA

OpenAI capta US$ 11 bi, mas fracassa em meta de US$ 30 bi

OpenAI capta US$ 11 bilhões a valuation de US$ 1,25 trilhão, bem abaixo da meta de US$ 30 bilhões. Rodada pressiona expectativas de Microsoft e NVIDIA e expõe freio no boom da IA.

OpenAI capta US$ 11 bi, mas fracassa em meta de US$ 30 bi

Investimentos

Rodada de captação da OpenAI revela desafios no crescimento acelerado do setor de inteligência artificial.

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A OpenAI levantou cerca de US$ 11 bilhões na primeira parte de uma nova rodada de financiamento avaliada em US$ 1,25 trilhão pré-money, abaixo da meta inicial de US$ 30 bilhões e de um valuation mais ambicioso, e expôs um freio no apetite dos investidores por IA que atinge em cheio gigantes como Microsoft e NVIDIA.

Rodada menor, valuation abaixo e apetite em queda

O dinheiro entrou nas contas da OpenAI até sexta-feira, 6 de novembro, segundo pessoas próximas ao negócio. O montante corresponde a cerca de 37% do objetivo inicial de US$ 30 bilhões, num acordo que traz SoftBank e o fundo MGX, de Abu Dhabi, entre os participantes. A rodada ainda pode chegar a US$ 20 bilhões caso uma segunda parcela, estimada em até US$ 9 bilhões, seja fechada nas próximas semanas.

Em entrevista na TV, a diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, confirmou o valuation pré-money de US$ 1,25 trilhão e rebateu as cifras mais altas que circularam nos últimos meses. Ela afirmou que o preço atual está “quase 50% acima de março, quando a OpenAI levantou US$ 122 bilhões a US$ 852 bilhões”, e insistiu que os números maiores não partiram da empresa.

A percepção, porém, é de ajuste de rota. A combinação de uma captação menor do que o pretendido com um preço abaixo do que alguns investidores projetavam reflete a correção recente das ações ligadas à IA e uma postura mais cautelosa de grandes fundos, mesmo diante de indicadores de crescimento acelerado da companhia.

Entenda o contexto

Apesar da revisão das expectativas, a OpenAI vive uma fase de expansão agressiva. Sarah Friar disse que o negócio cresceu 70% no terceiro trimestre, com a receita empresarial dobrando no período e uma divisão equilibrada de faturamento entre consumidores e empresas. Segundo ela, o ChatGPT já soma 1,2 bilhão de usuários semanais, e a receita publicitária atingiu a marca de US$ 1 bilhão em agosto.

Os números ajudam a explicar por que a empresa ainda consegue um valuation trilionário, mesmo num mercado mais seletivo. Friar resumiu o momento em uma frase: “A demanda por IA é real”. A conta que preocupa investidores é outra: o custo de manter esse crescimento, em especial na infraestrutura computacional — dominada hoje por NVIDIA — e na nuvem da Microsoft.

Impacto em Microsoft e NVIDIA

Com a rodada menor e o valuation de US$ 1,25 trilhão, os ganhos contábeis futuros de acionistas como a Microsoft tendem a ser mais modestos. No terceiro trimestre, a gigante de software já havia registrado um efeito positivo de US$ 207 milhões em seu lucro líquido com a valorização da participação na OpenAI, ao mesmo tempo em que o negócio em nuvem Azure avançou 48%, impulsionado pela demanda por serviços de IA.

A ação da Microsoft fechou o último pregão a US$ 530,61, queda de 0,99%, com valor de mercado de US$ 3,94 trilhões. O ajuste na avaliação da OpenAI pesa menos nos resultados operacionais da companhia e mais na linha de ganhos de investimento, mas reforça a leitura de que o ciclo mais eufórico de preços em IA começa a ceder.

Para a NVIDIA, o risco é mais direto. A empresa fornece à OpenAI algo em torno de 12 gigawatts em capacidade computacional e depende do fluxo contínuo de capital para que grandes laboratórios mantenham o ritmo de compra de chips e servidores. A ação da fabricante de processadores acumula queda de 21,4% no último mês, apesar de uma recuperação recente, refletindo a preocupação do mercado com a sustentabilidade desse investimento pesado em infraestrutura.

Em apresentações recentes, a gestão da NVIDIA admitiu o descompasso: “Os laboratórios estão crescendo mais rápido do que seus balanços e perfis de crédito podem suportar”. O fato de a OpenAI preencher a rodada em etapas e abaixo da ambição inicial é visto como sinal concreto dessa pressão financeira.

Setor de IA sob teste com OpenAI, NVIDIA e Anthropic

O mercado global de tecnologia, nuvem, publicidade digital e IA acompanha de perto os próximos passos. De um lado, a OpenAI ainda pode ampliar a rodada até os US$ 20 bilhões planejados, o que daria fôlego extra para seguir investindo em novos modelos e serviços. De outro, qualquer corte adicional na meta ou atraso na segunda parcela tende a reforçar a tese de que o setor entrou numa fase de financiamento mais seletivo.

O relatório de resultados da NVIDIA, previsto para 17 de novembro, é visto como um termômetro importante: a empresa orienta o mercado para uma receita de US$ 108 bilhões no terceiro trimestre, número que precisa ser confirmado para sustentar a narrativa de que a demanda por chips de IA continua maior do que a oferta.

Ao mesmo tempo, a rival Anthropic planeja abrir capital na Nasdaq em meados deste mês, com um valuation esperado na casa de US$ 1,5 trilhão — também abaixo das expectativas iniciais de parte dos investidores, que falavam em US$ 2 trilhões. Um desempenho fraco na estreia poderia pressionar ainda mais as avaliações privadas de laboratórios como OpenAI e testar o apetite por novas rodadas bilionárias.

Por ora, o recado é de cautela: a adoção da IA segue acelerada, mas o dinheiro para financiar essa corrida começa a ser medido com mais rigor, e empresas como Microsoft e, principalmente, NVIDIA terão de provar que conseguem crescer num ambiente em que nem mesmo a OpenAI fecha todas as metas de captação que traçou.