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Weverton Rocha aciona STF contra vazamento de foto íntima na PF

Vice-líder de Lula no Senado, Weverton Rocha pede ao ministro André Mendonça que investigue o vazamento de foto íntima extraída de celular apreendido pela PF na Operação Sem Desconto.

27/08/2026 14:01 7 min de leitura
Weverton Rocha aciona STF contra vazamento de foto íntima na PF
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Política

Senador Weverton Rocha solicita investigação ao STF sobre divulgação não autorizada de imagem pessoal ligada à PF.

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula, pede ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, uma investigação sobre o vazamento de uma foto pessoal extraída de seu celular pela Polícia Federal. A imagem, em que aparece em uma piscina com líderes políticos, circula publicamente e vira novo foco de disputa em torno da Operação Sem Desconto.

Foto íntima vira caso no Supremo e pressiona PF

A foto mostra Weverton ao lado de Arthur Lira, Elmar Nascimento, Alexandre Ramagem, Paulo Azi e Juscelino Filho em uma piscina, em encontro registrado em 2023 no rancho do advogado Willer Tomaz, nos arredores de Brasília. O arquivo está entre os dados do celular do senador apreendido em dezembro de 2025, hoje sob custódia da PF, e foi recentemente divulgado pela revista piauí.

Ao levar o caso ao STF nesta semana, o senador tenta transformar um constrangimento político em questão institucional. Ele sustenta que a divulgação viola sua intimidade, o sigilo da investigação e a presunção de inocência, em um momento em que busca a reeleição pelo Maranhão e enfrenta o desgaste público da Operação Sem Desconto, que apura fraudes milionárias ligadas ao INSS.

Na petição enviada a Mendonça, relator do caso, Weverton pede a preservação integral dos registros de acesso ao material apreendido, a identificação de todos os servidores que tiveram contato com os dados e uma apuração rigorosa da origem do vazamento. O senador cita nominalmente o delegado responsável pelo inquérito e pela guarda das provas, mas afirma que não se trata de acusação direta.

“A indicação nominal do delegado que preside o feito não é acusação de autoria direta — é consequência da sua posição de responsável pela guarda do acervo de onde o material saiu. Se a entrega à imprensa foi obra de subordinado, os registros de acesso o revelarão; se houve autorização ou tolerância, igualmente”, escreve o parlamentar.

PGR e Corregedoria da PF são acionadas

Weverton quer que o ministro André Mendonça encaminhe o caso à Procuradoria-Geral da República para apurar eventuais crimes, como violação de sigilo funcional, e comunique a Corregedoria-Geral da Polícia Federal para abertura de procedimento disciplinar. O pedido mira diretamente a cadeia de custódia das provas da Operação Sem Desconto, que investiga contratos suspeitos e possíveis esquemas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas, sociedades patrimoniais e postos de combustíveis.

A ofensiva chega em um momento em que a PF examina licitações que somam R$ 406 milhões no Rio Grande do Sul, ligadas à mesma teia de fraudes previdenciárias. Nas decisões anteriores do inquérito, Weverton é descrito como político influente no suposto esquema, responsável por formular demandas, indicar beneficiários, acompanhar repasses e tratar de imóveis relacionados ao circuito financeiro sob suspeita.

O senador tenta, agora, separar sua defesa jurídica da exposição da foto no noticiário. Argumenta que a imagem não tem qualquer vínculo com as irregularidades investigadas e que o vazamento, ao atingir outros políticos que aparecem na piscina, amplia o dano político. Entre os retratados estão figuras centrais da política nacional, como o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o ex-diretor da Abin e hoje deputado Alexandre Ramagem.

O dono do rancho, o advogado Willer Tomaz, também investigado na operação, repudia a divulgação. “A imagem foi vazada do celular do senador sem relação com sua atividade profissional ou com os fatos noticiados”, afirma ele, em nota. A defesa dele sustenta que o encontro tinha caráter privado, sem conexão com contratos ou decisões ligadas ao INSS.

Campanha de 2026 e constrangimento ao governo Lula

O caso estoura em plena campanha de 2026, quando Weverton tenta renovar o mandato no Senado apoiado na aliança com o presidente Lula. A estratégia do PT no Maranhão tem sido evitar ataques frontais aos investigados, em especial porque a Operação Sem Desconto alcança também a família do presidente. A circulação da foto, no entanto, reaquece críticas da oposição e gera novo ruído nas redes sociais.

O episódio alimenta perguntas sobre a segurança das provas digitais sob guarda da PF, em um cenário em que investigações de grande porte dependem de dados extraídos de celulares e computadores. Se o STF identificar falhas na proteção do acervo, a corporação pode ser forçada a rever protocolos internos, reforçar controles de acesso e ampliar a responsabilização de servidores que lidam com material sigiloso.

Antes de recorrer diretamente a Mendonça, Weverton havia pedido à Mesa do Senado que encaminhasse as mesmas providências ao ministro. A solicitação incluía preservar as provas, cobrar do Ministério da Justiça medidas para evitar novos vazamentos e comunicar o episódio a órgãos internos do próprio Senado. O gesto buscou sinalizar que o tema extrapola sua situação pessoal e atinge a relação entre Poderes.

Nos bastidores de Brasília, aliados do senador avaliam que a reação rápida ao vazamento é tentativa de conter danos eleitorais e deslocar a narrativa. Em vez de discutir a foto, ele tenta forçar o debate sobre abuso de autoridade, proteção de dados e responsabilidade funcional de agentes públicos. A oposição, por sua vez, explora a imagem como símbolo de proximidade entre adversários políticos em torno de um mesmo ambiente de poder.

Instituições em teste e precedentes para investigações digitais

A resposta de André Mendonça ao pedido ainda não é pública, mas a expectativa no Supremo e no meio jurídico é de que ele determine ao menos a preservação detalhada dos registros de acesso ao celular do senador. Esse passo é visto como mínimo para garantir que eventual rastreamento de responsabilidades não esbarre em alegações de perda de dados ou dificuldades técnicas.

Se a apuração apontar para vazamento interno, a PF pode enfrentar processos administrativos e até denúncias criminais contra servidores envolvidos. A confirmação de falha na cadeia de custódia fragilizaria a confiança em outras operações sensíveis e municiaria defesas de investigados que contestam o uso de material apreendido em inquéritos de grande repercussão.

Uma investigação robusta, por outro lado, pode estabelecer precedentes importantes para a tutela de dados pessoais em procedimentos criminais. O resultado tende a influenciar manual de procedimentos, rotinas de auditoria de acesso e a própria forma como juízes autorizam, controlam e revisam perícias em celulares e computadores.

O desenrolar do caso se cruza com o calendário eleitoral e com o avanço das apurações da Operação Sem Desconto. Enquanto o STF avalia o pedido de Weverton, a PF segue mapeando contratos e fluxos financeiros suspeitos ligados às fraudes no INSS. A depender de como o Supremo enquadrar o vazamento da foto, o episódio pode tanto reforçar a credibilidade das instituições quanto aprofundar a desconfiança pública sobre o manuseio de provas sensíveis.

O que exatamente Weverton Rocha pediu ao STF?

Weverton Rocha pediu ao ministro André Mendonça que determine a preservação integral dos registros de acesso ao conteúdo do seu celular apreendido, identifique todos os servidores da PF que tiveram contato com a foto vazada, investigue a origem do vazamento e acione a Procuradoria-Geral da República e a Corregedoria-Geral da Polícia Federal por possível infração funcional.

Por que o vazamento da foto preocupa além do caso de Weverton?

O vazamento da foto preocupa porque expõe fragilidades na guarda de provas digitais pela Polícia Federal, compromete o sigilo de uma investigação sensível e pode afetar a confiança em inquéritos que dependem de dados de celulares e computadores, abrindo espaço para contestações judiciais e pressões por revisão de protocolos internos.

Como o episódio pode influenciar a campanha de 2026 no Maranhão?

O episódio pode influenciar a campanha de 2026 no Maranhão ao desgastar a imagem de Weverton Rocha, hoje candidato à reeleição e aliado de Lula, alimentando narrativas de adversários sobre ética e proximidade com investigados, e forçando o PT local a equilibrar defesa do governo com a tentativa de limitar o dano eleitoral.


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