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PF investiga Lulinha e lobby de canabidiol na gestão Lula hoje

Polícia Federal investiga se pagamentos de R$ 249 mil a ex-chefe de gabinete de Lula foram contrapartida em lobby por contrato de canabidiol. Presidente nega relação com Roberta Luchsinger.

28/08/2026 12:01 8 min de leitura
PF investiga Lulinha e lobby de canabidiol na gestão Lula hoje
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Polícia Federal

Apurações envolvem pagamentos suspeitos ligados a ex-chefe de gabinete de Lula e lobby por contrato de canabidiol.

A Polícia Federal aprofunda três inquéritos que miram a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais, com foco em uma tentativa de contrato de canabidiol no Ministério da Saúde e em pagamentos ao ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reage em público, nega qualquer relação pessoal ou interlocução com Roberta, e tenta conter o desgaste político enquanto fotos dos dois juntos circulam nas redes da empresária.

Minuta de contrato, canabidiol e a World Cannabis

No centro da apuração está uma minuta de Termo de Referência enviada por Roberta a Marcola por WhatsApp, quando ele ainda ocupava o gabinete presidencial. O documento esboça uma compra de canabidiol pelo Ministério da Saúde com dispensa de licitação, direcionada à empresa World Cannabis, ligada ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O texto prevê que o ministério passe a adquirir frascos de canabidiol de forma centralizada, atendendo demandas judiciais, em vez de compras individuais pulverizadas. Segundo Roberta, a proposta busca corrigir um “problema regulatório” que deixa pacientes dependentes de produtos importados sem controle adequado da Anvisa.

Ela sustenta que o objetivo era qualificar a política pública, não vender um contrato. “Diante de tema tão importante, e por não haver nenhuma relação de compra e venda — até porque são demandas judicializadas —, eu gostaria sim de ter tido apoio, olhos postos sobre o tema”, afirma.

Apesar da movimentação, nenhuma contratação foi formalizada pelo Ministério da Saúde. Isso não impede, porém, que a PF investigue se houve tentativa de direcionar negócios em benefício da World Cannabis, que contratou Roberta para prospectar oportunidades junto à pasta.

Pagamentos a Marcola e amizade com o ‘Careca do INSS’

Outro fio da apuração são os R$ 249 mil pagos por Roberta a Marcola. A PF rastreia as transferências e avalia se o dinheiro funcionou como contrapartida por favores prestados a ela dentro do Planalto. O ex-chefe de gabinete diz que se trata de um empréstimo pessoal já quitado.

Roberta refuta a versão de que pagou por influência. “Não fiz pagamentos ao Marcola. Eu ajudei um amigo. Óbvio, eu deveria ter sido atenta ao fato de ser ele chefe de gabinete do presidente. Mas é covardia ‘linkar’ uma coisa na outra”, sustenta. “Marcola é meu amigo. Eu sou uma pessoa amiga dos meus amigos. Se eu sei que precisam e posso ajudar, eu ajudo.”

A empresária também admite ter recebido R$ 1,5 milhão de Careca do INSS para atuar como lobista da World Cannabis, mas afirma desconhecer suspeitas de que o empresário desviava recursos de aposentadorias. Em sua versão, o vínculo se restringe ao mercado de canabidiol.

Essas relações integram uma investigação mais ampla sobre possíveis fraudes em descontos ilegais em benefícios do INSS. A PF tenta entender se o dinheiro que circulou entre Careca, Roberta e Marcola se conecta à máquina de arrecadação irregular sobre aposentados.

Lulinha na mira e a versão de Lula

Os três inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal reúnem Roberta e Lulinha sob suspeita de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Além do caso do canabidiol, a PF apura tentativas de negócios com a Dataprev e outros órgãos públicos, em empreitadas que teriam combinado lobby político e contratos privados.

Mensagens obtidas nas investigações mostram Roberta dizendo que tem uma “sociedade” com Lulinha. Confrontada, ela recua e define a relação como amizade antiga. “Eu e Fábio somos amigos. Muito amigos. Renata, esposa dele, [é] minha melhor amiga. Já tivemos intenção de fazermos coisas juntos fora do âmbito público, porém, sabemos que qualquer coisa que ele faça sempre será mal vista. Fábio é meu amigo antes de o pai ser presidente”, diz.

O presidente Lula tenta erguer uma barreira entre o filho e o Palácio do Planalto. Em entrevista recente, afirmou que, se Lulinha tiver cometido algum ilícito, “vai responder como qualquer cidadão”. Ao comentar trechos de mensagens atribuídas a Roberta, se irritou e disparou: “o que uma pilantra pode fazer num telefone ou o que um cara qualquer pode fazer num telefone?”

Ao ser questionado diretamente sobre Roberta, Lula negou até proximidade física. “Eu não conheço essa moça [Roberta Luchsinger], nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou, em contraste com registros fotográficos divulgados pela própria lobista.

Disputa de narrativas e impacto político

A versão do presidente é reforçada pela equipe de campanha, que desqualifica o peso das fotos. “O presidente Lula é uma figura pública que, ao longo de sua trajetória e especialmente em campanhas e agendas públicas, é abordado por inúmeras pessoas para registros fotográficos. A existência desses registros não significa relação pessoal, profissional ou política”, diz nota enviada à imprensa.

Roberta, por outro lado, tenta afastar a imagem de articuladora de um esquema de corrupção e enquadra sua atuação como lobby legítimo, ainda que desastrado. “Ter apoio [era o objetivo das conversas com Marcola]. Talvez erro meu de pedir apoio. Ingenuidade. Bobeira”, declara. Ela insiste que não pediu a Lulinha que interviesse junto ao pai para o tema do canabidiol. “Eu poderia ter falado: ‘Fábio, mostra aí para seu pai essa questão do canabidiol, como o Brasil está atrasado. Ele é meu amigo, eu poderia ter pedido. Nunca pedi.”

O embate narrativo se dá enquanto os autos seguem sob sigilo no STF. A defesa de Roberta, conduzida pelo advogado Roberto Podval, pede a retirada desse sigilo para divulgar todas as mensagens e documentos. Segundo ela, os diálogos com Lulinha e outros interlocutores estariam sendo “distorcidos, picotados”.

Na prática, o caso pressiona o governo em duas frentes sensíveis. Na saúde, expõe a vulnerabilidade do processo de contratação de medicamentos controlados, justamente em um segmento que exige rigor máximo de transparência. No campo previdenciário, insere o INSS em mais um escândalo potencial, com reflexos diretos sobre a confiança de milhões de beneficiários.

O que pode vir pela frente

Os três inquéritos ainda não apontam contratos efetivamente firmados, mas a PF trabalha com a hipótese de que já exista estrutura organizada para influenciar decisões em ministérios e estatais. O desfecho pode ir de arquivamentos pontuais a denúncias criminais contra lobistas, empresários, auxiliares do governo e integrantes do entorno presidencial.

Mesmo sem condenações, o caso já alimenta o debate sobre limites do lobby e da atuação de familiares de autoridades. A reação do Planalto tende a envolver reforço em regras de integridade e blindagem administrativa em áreas como o Ministério da Saúde e a Dataprev, na tentativa de conter danos à imagem do governo e reduzir espaço para novas suspeitas.

À medida que o Supremo decidir sobre o sigilo e a PF concluir as investigações, a disputa central será sobre quem controla a narrativa: um governo que se diz vítima de “pilantras” em busca de proximidade com o poder ou uma lobista que alega ingenuidade, enquanto cifras de R$ 249 mil e R$ 1,5 milhão continuam sob escrutínio.

Quem é Roberta Luchsinger e qual sua relação com Lula?

Roberta Luchsinger é empresária e lobista, alvo de três inquéritos da Polícia Federal sobre tráfico de influência, que afirma ser amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mas nega ter relação direta com o presidente Lula, que por sua vez diz não conhecê-la nem ter conversado com ela.

O que Roberta Luchsinger disse sobre pedir apoio a Marcola?

Roberta Luchsinger afirma que buscou apenas “apoio” de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, para discutir a proposta de fornecimento de canabidiol ao Ministério da Saúde, classifica o gesto como “ingenuidade” e “bobeira” e nega ter feito pagamentos em troca de favorecimento político.

Quais provas existem da relação entre Lula e Roberta Luchsinger?

As evidências conhecidas da relação entre Lula e Roberta Luchsinger são fotos em que ambos aparecem juntos em eventos, imagens que a própria lobista divulga nas redes; o presidente nega qualquer vínculo pessoal, profissional ou político e sua campanha sustenta que registros fotográficos não provam interlocução nem relação de confiança entre os dois.

O que a Polícia Federal investiga sobre Lulinha e Roberta Luchsinger?

A Polícia Federal investiga Lulinha e Roberta Luchsinger em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal por suspeita de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, incluindo a tentativa de direcionar contrato de canabidiol ao Ministério da Saúde, negócios com a Dataprev e favorecimentos a empresas em outros órgãos públicos.


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