Lázaro Ramos em ‘Feito Pipa’ mira Oscar e viraliza no Rock in Rio
Astro de ‘Feito Pipa’, Lázaro Ramos vive ano de consagração com filme pré-selecionado para o Oscar 2027 e ação publicitária no Rock in Rio sem beber álcool.
Cinema
Lázaro Ramos destaca-se com filme indicado ao Oscar e presença marcante no Rock in Rio, mantendo postura sóbria.
Lázaro Ramos atravessa 2024 no centro dos holofotes. Protagonista de “Feito Pipa”, longa cearense que avança na disputa para representar o Brasil no Oscar 2027, o ator também vira assunto ao participar de uma ação publicitária no Rock in Rio, em que abre latas de cerveja sem beber um gole.
Filme cearense ganha força rumo ao Oscar
“Feito Pipa”, dirigido por Allan Deberton e filmado em Quixadá, no sertão do Ceará, está entre os seis títulos pré-selecionados pela Academia Brasileira de Cinema para disputar a vaga brasileira na categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2027. O anúncio do escolhido ocorre em 16 de setembro de 2024.
O longa concorre com “100 Dias”, “A Fabulosa Máquina do Tempo”, “A Natureza das Coisas Invisíveis”, “Nosso Segredo” e “Vicentina Pede Desculpas”. A seleção coroa uma trajetória que começa em festivais e desemboca em um momento raro de visibilidade internacional para um filme brasileiro centrado em temas LGBTQIA+ e relações familiares no interior do país.
A história gira em torno de Gugu, vivido por Yuri Gomes, um menino queer de quase 12 anos que sonha em ser jogador de futebol, gosta de dançar e usar maquiagem. Criado pela avó Dilma, papel de Teca Pereira, ele enfrenta a progressão do Alzheimer da cuidadora e o medo de ser levado para morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos, homem de visão rígida sobre masculinidade.
Trama íntima, impacto público
O conflito entre pai e filho, em uma casa marcada pela doença e pelo afeto da avó, transforma uma trama doméstica em comentário social. A forma direta com que o filme trata identidade de gênero, preconceito e envelhecimento dialoga com debates que transbordam a tela e ganham escolas, famílias e redes sociais.
Ao escolher um menino queer como protagonista em cenário sertanejo, “Feito Pipa” confronta estereótipos recorrentes no cinema nacional. O personagem de Lázaro Ramos encarna a resistência de um modelo de masculinidade que não enxerga o filho por inteiro. A relação entre os dois, mediada pela avó, expõe o choque entre gerações e valores que ainda pautam muitas famílias brasileiras.
Essa combinação de intimidade e urgência social ajuda a explicar o interesse de festivais internacionais e o lugar do filme na disputa pelo Oscar. Em um cenário em que a indústria audiovisual global busca narrativas de diversidade, o longa se apresenta como carta forte do país no Mundial de Seleções do cinema.
Roteiro de prêmios antes da estreia
Antes de chegar ao público brasileiro, “Feito Pipa” monta uma coleção de troféus. Em fevereiro, na Berlinale, vence os dois principais prêmios da mostra Generation Kplus: o Urso de Cristal, concedido pelo Júri Jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional. Em seguida, acumula mais três reconhecimentos internacionais e soma cinco prêmios fora do Brasil antes mesmo do circuito comercial.
No Festival de Guadalajara, no México, o filme leva Melhor Filme na mostra Maguey. Teca Pereira e Yuri Gomes dividem o prêmio de Melhor Interpretação, reforçando o peso do trio central de atores. A recepção calorosa fora do país antecipa o que se confirma em Gramado, um dos principais termômetros do cinema nacional.
Em agosto, no Festival de Gramado, Allan Deberton recebe o Kikito de Melhor Direção. Teca Pereira é escolhida Melhor Atriz, enquanto Lázaro Ramos leva o troféu de Melhor Ator Coadjuvante. “Feito Pipa” ainda é eleito “Melhor Filme pelo Júri Popular”, e Yuri Gomes ganha uma menção honrosa. O longa sai da serra gaúcha como a produção mais premiada entre os brasileiros daquela edição.
O desempenho fortalece a aposta da distribuidora Paris Filmes, que marca a estreia comercial de “Feito Pipa” nos cinemas brasileiros para 5 de novembro de 2024. A poucos meses da estreia, o filme chega com o selo de favorito dos festivais e o empurrão da pré-seleção rumo ao Oscar.
Lázaro Ramos, Rock in Rio e o jogo da publicidade
Enquanto o longa circula por mostras e debates, Lázaro Ramos também ocupa outro palco: a área VIP do Rock in Rio 2024. Ele e o ator Rafa Vitti cruzam o gramado do festival escalados não para subir ao palco, mas para uma campanha de uma marca de cerveja.
Os dois chegam vestidos em tons de verde, dos pés à cabeça, a pedido do patrocinador. Abrem latas de cerveja, posam para fotos, interagem com convidados e fotógrafos. A cena, típica de grandes eventos, ganha um detalhe que chama atenção: “Eles abriram latas de cerveja, posaram para fotos e… Não beberam nenhum gole”, registra a revista VEJA.
A presença dos atores ilustra um movimento cada vez mais frequente na indústria cultural brasileira. Marcas contratam celebridades a cachês robustos para circular em áreas nobres de festivais, gerar imagens espontâneas e abastecer redes sociais com a estética do consumo, mesmo quando o consumo em si não acontece.
No caso de Lázaro, a participação reforça a imagem de um artista em alta, presente tanto no debate sobre diversidade e afeto no cinema quanto na vitrine publicitária de um dos maiores eventos de música do país. A escolha de não beber em frente às câmeras, embora contratado para promover uma bebida alcoólica, ecoa discussões sobre responsabilidade de imagem, público jovem e limites da publicidade.
O que muda para o cinema brasileiro
O percurso de “Feito Pipa” chega em um momento de reconstrução da indústria audiovisual no país. O sucesso em Berlim, Guadalajara e Gramado, somado à pré-seleção entre seis títulos rumo ao Oscar 2027, dá fôlego a produtores e diretores interessados em narrativas autorais e temáticas sociais.
Para o cinema brasileiro, a visibilidade internacional de um filme sobre um menino queer do sertão amplia o repertório de histórias reconhecidas lá fora. Aposta-se que esse reconhecimento encoraje novas produções LGBTQIA+, fortaleça editais e atraia investidores privados dispostos a bancar projetos com diversidade no centro.
O movimento também impõe pressão. Obras futuras, especialmente as que tratam de temas contemporâneos, tendem a ser comparadas a “Feito Pipa” em qualidade artística e impacto social. Filmes com propostas mais comerciais ou distantes desse debate podem enfrentar dificuldade para obter espaço semelhante em festivais e prêmios.
Para Lázaro Ramos, a combinação de prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em Gramado, papel central em um dos filmes mais comentados do ano e presença disputada por marcas reforça sua posição de protagonista da cultura brasileira hoje. A biografia do ator, marcada por novelas, filmes e projetos diversos, ganha um novo capítulo com potencial de projeção global.
Os próximos passos já têm data: em 16 de setembro, o anúncio do filme que carrega a bandeira brasileira no Oscar 2027 define o lugar de “Feito Pipa” na corrida internacional. Em 5 de novembro, a estreia nos cinemas testa a força do boca a boca fora do circuito de festivais. Se mantiver o fôlego, o longa pode consolidar um ciclo raro em que um drama íntimo, rodado no sertão, altera o horizonte de expectativas para o cinema nacional.
Quantos filhos tem o ator Lázaro Ramos?
Lázaro Ramos tem dois filhos com a atriz Taís Araújo.
O que aconteceu com Lázaro Ramos no Rock in Rio?
Ele participou de uma ação publicitária de uma marca de cerveja ao lado de Rafa Vitti, abriu latas, posou para fotos, mas não consumiu bebida alcoólica.
Quem é a esposa de Lázaro Ramos na vida real?
A esposa de Lázaro Ramos é a atriz Taís Araújo.
Quais filmes recentes de Lázaro Ramos estão concorrendo ao Oscar?
Entre os trabalhos recentes, “Feito Pipa” é o longa que avança na seleção brasileira e está entre os seis pré-selecionados para disputar vaga no Oscar 2027.
Quais novelas Lázaro Ramos já participou?
Lázaro Ramos já atuou em diversas produções de TV ao longo da carreira, em papéis de destaque em novelas e séries da teledramaturgia brasileira.


