Ana Minuto alerta: IA sem preparo pode custar milhões às empresas
No CONPARH 2026, em Curitiba, Ana Minuto defende que a inteligência artificial só traz resultado quando vem acompanhada de mudança de cultura, liderança preparada e equipes treinadas.

Inteligência Artificial
Especialista destaca a importância da cultura e capacitação para evitar prejuízos financeiros com IA nas empresas.
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A adoção apressada de inteligência artificial nas empresas, sem preparo de lideranças e equipes, tende a virar frustração e desperdício de dinheiro, avaliou a consultora Ana Minuto durante o 19º Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH 2026), em Curitiba. Para ela, a tecnologia só gera resultado quando amplia capacidades humanas e se encaixa na cultura organizacional, em vez de tentar substituir profissionais.
IA não é solução mágica sem cultura e pessoas
Fundadora da Minuto Consultoria e especialista em liderança, cultura organizacional e futuro do trabalho, Ana critica a visão de que basta comprar sistemas para modernizar a empresa. “A primeira coisa e o primeiro erro que acontece é: eu não penso em pessoas. Eu simplesmente trago a inteligência artificial, jogo lá e digo: te vira para usar”, afirmou.
Na avaliação da consultora, o ponto de partida não é a ferramenta, e sim a forma como a organização funciona hoje: como as equipes trabalham, onde estão os gargalos, que conhecimento já existe internamente e qual é o objetivo de negócio a ser alcançado. Sem isso, a automação vira mais uma camada de complexidade, e não um atalho para produtividade.
A cultura tem papel central nessa equação. “A cultura dita as regras. A cultura dita se eu vou utilizar a ferramenta ou não. A cultura dita em qual local eu vou utilizar a inteligência artificial ou não vou utilizar”, disse. Segundo ela, a mesma solução tecnológica pode ter impactos totalmente diferentes em empresas com maneiras distintas de tomar decisão, lidar com erro e compartilhar informação.
Resistência e medo quando o objetivo não está claro
Um dos efeitos mais visíveis da adoção mal planejada de IA é a resistência dos profissionais, que muitas vezes não entendem por que a tecnologia está sendo introduzida ou temem perder relevância. Sem comunicação clara, treinamento e espaço para dúvidas, cresce o medo de substituição e cai o engajamento.
Ana reforça que a transformação é técnica e também emocional. Envolve explicar a finalidade dos projetos, ouvir receios, mostrar ganhos concretos no dia a dia e oferecer oportunidades reais de desenvolvimento. Quando a empresa simplesmente libera uma ferramenta e espera que todos aprendam sozinhos, o risco é aumentar custos com tecnologia sem avanço nos resultados — e ainda gerar insegurança nas equipes.
Como implementar IA nas empresas de forma gradual?
Para reduzir riscos e medir melhor o impacto da IA, Ana defende uma estratégia gradual, começando pequeno e em áreas controladas. O primeiro passo é identificar quais processos precisam, de fato, ser melhorados e quem, dentro da empresa, conhece a fundo essas rotinas para ajudar na implementação.
Em vez de lançar uma ferramenta para toda a organização de uma vez, a recomendação é criar projetos-piloto em setores específicos, com riscos limitados e métricas bem definidas. A empresa estabelece um ponto de partida, como um indicador de desempenho, e acompanha a evolução ao longo de um período de dois a seis meses, antes de decidir se expande ou não a solução.
Na entrevista, a consultora usou o exemplo de um indicador que a empresa quer elevar de 10% para 15%. A ideia é monitorar esse avanço com cuidado, entender o que funcionou, onde houve dificuldades e que ajustes são necessários antes de levar a mesma abordagem para outras áreas. “É mais fácil testar num lugar controlado, numa área controlada que não gere tanto impacto no negócio, mas que eu consiga medir constantemente e fazer melhoria contínua”, afirmou.
Essa lógica vale tanto para ferramentas voltadas a atividades operacionais quanto para soluções aplicadas em recursos humanos, atendimento ao cliente ou áreas estratégicas. Em comum, está a necessidade de conectar cada projeto de IA a um objetivo de negócio concreto — reduzir retrabalho, encurtar prazos, melhorar a experiência do cliente — e de garantir apoio diário às equipes durante a transição.
Entenda o contexto
A expansão da inteligência artificial no ambiente corporativo vem mudando o perfil de competências exigidas dos profissionais. Se antes boa parte do valor estava na execução e no domínio de informações, agora se destacam habilidades como pensamento crítico, interpretação de cenários, criatividade e relações interpessoais.
Ferramentas de IA já ajudam a elaborar apresentações, organizar dados, revisar processos e preparar treinamentos. Mas a definição de objetivos, a leitura dos resultados e as decisões sobre o que fazer com essas informações continuam nas mãos das pessoas. Para Ana, saber formular boas perguntas e avaliar as respostas da tecnologia passa a ser tão importante quanto dominar a ferramenta em si.
Essa mudança pressiona as empresas a investir não só em infraestrutura tecnológica, mas em desenvolvimento humano e formação de lideranças capazes de conduzir a transformação. Programas de capacitação precisam partir da escuta dos gestores, entender os desafios específicos de cada liderança e combinar treinamento técnico com apoio à gestão de pessoas.
Na prática, ganham as organizações que tratam a IA como parte de uma estratégia integrada de negócios, alinhando cultura, tecnologia e gente. As que enxergam a inteligência artificial apenas como moda ou atalho técnico tendem a enfrentar resistência interna, baixo uso das ferramentas e perda de competitividade em um mercado cada vez mais digital.


