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Brasil

Ativistas nos EUA acusam Flávio Bolsonaro; ele não é foragido

Ativistas de esquerda espalham cartazes com acusações contra Flávio Bolsonaro nos EUA, enquanto senador permanece no país e segue alvo de inquéritos no STF, mas não é considerado foragido.

Ativistas nos EUA acusam Flávio Bolsonaro; ele não é foragido

Política

Cartazes nos EUA denunciam Flávio Bolsonaro, que permanece no país e enfrenta inquéritos no STF sem ser foragido.

Leia também: Flávio Bolsonaro anuncia candidatura à Presidência antes de 2030

Ativistas de esquerda nos Estados Unidos estão distribuindo cartazes com a foto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e uma lista de acusações graves, ao mesmo tempo em que o parlamentar permanece em território norte-americano após deixar o Brasil na esteira da eleição presidencial de 25 de outubro. Apesar da palavra “procurado” nas peças, Flávio não é considerado foragido nem consta como procurado pelas autoridades brasileiras.

Cartazes são ato político, não aviso oficial

Os cartazes, espalhados em cidades norte-americanas, trazem a imagem de Flávio Bolsonaro ao lado de acusações como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes contra o Estado Democrático de Direito. O material não tem qualquer vínculo com a Justiça brasileira ou com órgãos policiais e é classificado como manifestação política de militantes.

Não há condenações contra o senador por esses crimes, nem ordem de prisão ou mandado de busca em seu nome. Juridicamente, ele não se enquadra na condição de foragido. Como explicam fontes do Supremo Tribunal Federal (STF), “a sequência dos acontecimentos não transforma o senador em foragido”. Essa situação só se configuraria com uma ordem judicial descumprida e com a pessoa efetivamente em fuga.

Por isso, os cartazes produzidos por ativistas nos EUA não podem ser interpretados como avisos oficiais de busca, mas como parte da disputa política em torno da figura de Flávio Bolsonaro e de seu grupo.

Inquéritos no STF miram lavagem de dinheiro e financiamento de filme

Flávio é alvo de dois inquéritos em andamento no STF. Um deles, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas. O outro apura o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No inquérito das apostas, a Polícia Federal acompanha movimentações financeiras consideradas atípicas ligadas ao entorno do senador. Já no caso do filme, a apuração mira a origem dos recursos usados na produção e eventuais irregularidades eleitorais relacionadas à obra.

Os avanços dessas investigações, especialmente após a eleição presidencial, ajudam a explicar o clima de tensão em torno do parlamentar e alimentam tanto a ofensiva de adversários quanto a narrativa de perseguição defendida por aliados.

Saída do Brasil após eleição e decisão de Moraes

Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 25 de outubro, dois dias depois de perder a disputa presidencial, acompanhado da mulher e das duas filhas adolescentes. A saída ocorreu em meio ao temor, no entorno do senador, de novas decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes.

Na noite da eleição, a Polícia Federal pediu ao STF a apreensão do passaporte do parlamentar e a proibição de sua saída do país. Moraes autorizou as medidas poucos minutos depois do anúncio do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral. “A Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte do parlamentar sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral anunciar o resultado da votação”, relatou o ministro ao homologar o pedido.

Mesmo com a autorização para apreender o passaporte e restringir a saída do Brasil, a ausência de mandado de prisão impede que o senador seja classificado formalmente como foragido. Até o momento, Flávio não aparece em cadastros de procurados de órgãos policiais.

Trump autorizou entrada, mas Casa Branca nega interferência

Os cartazes exibidos nos EUA também associam o nome do presidente Donald Trump à saída de Flávio do Brasil e sugerem tentativa de interferência nas eleições brasileiras. De acordo com o texto das peças, Trump teria ajudado diretamente na retirada do senador do território nacional.

O governo norte-americano contestou essa versão. “O governo norte-americano nega envolvimento direto na saída do senador”, dizem comunicados oficiais. Em declaração recente, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reforçou a posição. “Trump autorizou a entrada do parlamentar nos Estados Unidos e declarou que ele poderia permanecer no país pelo tempo que desejasse”, afirmou Rubio, ao frisar que Washington não participou de qualquer operação de saída do parlamentar do Brasil.

Mesmo assim, o tema entrou no radar da diplomacia brasileira. Antes do segundo turno, “o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que representantes do governo Trump haviam tomado parte no debate eleitoral”, o que levou o Itamaraty a manifestar preocupação com possível interferência estrangeira no pleito.

Entenda o contexto

A circulação dos cartazes nos Estados Unidos ocorre em um momento de forte polarização política no Brasil e amplia a exposição internacional das acusações ligadas a Flávio Bolsonaro. A iniciativa fortalece a narrativa de adversários, que associam o senador a temas sensíveis como golpe de Estado, corrupção e ataques ao Estado Democrático de Direito.

Do outro lado, aliados do PL e de Jair Bolsonaro veem na campanha uma tentativa de linchamento político no exterior e de pressão sobre as investigações no STF. A permanência do senador fora do país pode ainda trazer dificuldades práticas para a tramitação dos inquéritos, sobretudo em eventuais oitivas presenciais ou depoimentos em juízo.

Na área diplomática, a combinação de acusações públicas, suspeitas de interferência estrangeira e presença prolongada de um senador investigado em território norte-americano é acompanhada com cautela por Brasília e Washington, que tentam evitar que o caso contamine a relação bilateral.

Flávio aparece em culto evangélico na Flórida

Instalado nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro mantém agenda pública. No domingo (1º), ele participou de um culto evangélico na igreja Celeiro, em Fort Lauderdale, na Flórida. Imagens divulgadas pela própria instituição mostram o senador no templo, ao lado da mulher, Fernanda Bolsonaro, do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e da cunhada Heloísa Bolsonaro.

A presença em eventos religiosos e comunitários é vista por analistas políticos como tentativa de preservar capital político entre brasileiros que vivem no exterior e reforçar laços com grupos alinhados ao bolsonarismo nos Estados Unidos.

Enquanto isso, os inquéritos no Supremo seguem em curso. Novas decisões de Alexandre de Moraes e futuras movimentações da Polícia Federal podem redefinir o grau de pressão judicial sobre o senador e influenciar o cálculo político em torno de um eventual retorno ao Brasil, em um cenário já marcado por disputas internas e novas eleições no horizonte.

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