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Inteligência Artificial

Big techs perdem US$ 900 bi em 2 dias por aposta pesada em IA

Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft encolhem quase US$ 900 bilhões em valor de mercado após balanços com gastos recordes em IA. Nasdaq cai, e fortuna de Page, Brin e Bezos recua US$ 70 bi.

Big techs perdem US$ 900 bi em 2 dias por aposta pesada em IA

Inteligência Artificial

Grandes empresas de tecnologia enfrentam queda bilionária após investimentos significativos em inteligência artificial.

Leia também: Como IA e dados garantem avanço rápido na carreira em 2026

Uma onda de vendas derruba as ações de Alphabet, Amazon, Meta, Microsoft e outras gigantes de tecnologia nas bolsas dos Estados Unidos e apaga quase US$ 900 bilhões em valor de mercado em dois dias, depois que os balanços mais recentes escancaram a disparada dos investimentos em inteligência artificial e projetam novos gastos bilionários à frente.

Alphabet puxa tombo com maior queda diária desde a estreia em bolsa

Na quinta-feira (29), as ações da Alphabet, dona do Google, despencaram 12,64%, na maior queda diária da empresa desde sua abertura de capital. A reação veio após a divulgação de resultados trimestrais com investimentos muito acima do esperado em infraestrutura de IA e sinalização de que o ritmo intenso de gastos vai continuar.

Com o tombo, a empresa perdeu US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em um único pregão, segundo levantamento de consultoria. O montante equivale a 55,82% de todo o valor das companhias listadas na bolsa brasileira, estimado em US$ 885 bilhões.

A pressão sobre a Alphabet contaminou todo o setor de tecnologia e abriu espaço para uma correção mais ampla nos índices de Nova York, em um momento em que investidores começam a duvidar do retorno, no curto prazo, dos aportes bilionários em IA.

Queda se espalha por Amazon, chips e índices de Wall Street

O movimento negativo continuou na sexta-feira (30). Após o fechamento do pregão da véspera, a Amazon chegou a cair cerca de 7%, apagando quase US$ 200 bilhões de seu valor de mercado. No dia seguinte, os papéis da companhia ainda recuaram 1,49% no fechamento.

A aversão a risco derrubou também fabricantes de chips, que estão no centro da corrida por inteligência artificial. A Intel afundou 28,6%, na maior desvalorização diária da empresa em décadas, em meio a alertas sobre consumo de caixa, fraqueza no mercado de PCs e altos gastos para ampliar fábricas. A Nvidia cedeu 4,2%, e a AMD perdeu 10,9%.

Os índices de referência da bolsa americana fecharam em forte baixa. O Nasdaq recuou 2,9%, o S&P 500 caiu 1,8% e o Dow Jones perdeu 1,1%. Ao longo de outubro, o Nasdaq 100 já acumulava queda superior a 5,8%, com potencial de eliminar mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado no mês.

Fortuna de Page, Brin e Bezos encolhe mais de US$ 70 bilhões

A desvalorização das big techs atingiu em cheio os bilionários que concentram patrimônio nas ações das empresas que fundaram. Em um só dia, Larry Page, Sergey Brin e Jeff Bezos viram a soma de suas fortunas encolher em US$ 70,18 bilhões, de acordo com estimativas de mercado.

Larry Page perdeu aproximadamente US$ 31,6 bilhões, enquanto Sergey Brin teve uma redução de US$ 29,1 bilhões em sua fortuna, impacto direto da queda de 12,64% da Alphabet na quinta-feira. Jeff Bezos registrou uma redução estimada de US$ 9,48 bilhões em seu patrimônio no mesmo período, refletindo a desvalorização da Amazon.

Essas perdas representam a queda no valor das participações acionárias e não significam que os empresários venderam papéis ou sacaram dinheiro. Se as ações se recuperarem, o patrimônio estimado volta a subir.

Entenda o contexto

No centro da turbulência está a corrida das gigantes de tecnologia para liderar a nova geração de serviços baseados em inteligência artificial. Nos últimos trimestres, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft aumentaram agressivamente os investimentos em data centers, chips especializados e infraestrutura de nuvem.

As quatro companhias elevam, juntas, os aportes em IA para US$ 207 bilhões, em um salto em relação ao período anterior. Só no terceiro trimestre, algumas delas gastaram bem acima do que o mercado projetava com expansão de capacidade e compra de hardware.

Analistas reconhecem que a demanda por IA cresce rápido, principalmente em serviços de nuvem e ferramentas corporativas, mas apontam um descompasso entre o volume de capital comprometido agora e a velocidade com que essa estrutura vai se transformar em receita e lucro.

Investidores cobram retorno e se preocupam com endividamento

Do ponto de vista dos investidores, o problema não é a aposta na tecnologia em si, mas o “quando”. O mercado começa a questionar o prazo necessário para que essas despesas elevadas se traduzam em fluxo de caixa positivo, em um cenário em que juros globais ainda estão num patamar que encarece o crédito.

Parte relevante dos aportes em IA vinha sendo financiada pelo próprio caixa robusto das empresas. Com o salto dos gastos, porém, as gigantes passaram a recorrer com mais frequência à emissão de dívidas e, em alguns casos, à venda de ações para bancar a expansão.

A Microsoft, por exemplo, levantou dezenas de bilhões de dólares em títulos de dívida, com a possibilidade de direcionar parte desses recursos para investimentos de capital. Esse movimento aumenta o custo financeiro dos projetos e deixa investidores mais sensíveis a qualquer sinal de que o retorno pode demorar.

Na prática, o mercado faz um ajuste de preço nas ações para refletir o risco maior: ou as companhias entregam rapidamente novas receitas e margens vindas de IA, ou terão de desacelerar o ritmo de gastos, rever planos de expansão e conviver com um custo de capital mais alto.

Pressão por resultado e possível freio nos planos de expansão

A sequência de quedas acende o alerta dentro das próprias empresas. A perda conjunta de quase US$ 900 bilhões em valor de mercado e o recuo bilionário na fortuna de seus principais acionistas aumentam a pressão para que Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft apresentem números mais claros de monetização de IA nos próximos trimestres.

Analistas avaliam que as companhias terão de calibrar melhor o equilíbrio entre ambição tecnológica e disciplina financeira. Isso pode significar priorizar projetos com retorno mais rápido, ser mais seletivo em novas frentes de pesquisa e repensar o ritmo de construção de data centers e compra de chips.

Enquanto esse ajuste não fica claro, a expectativa é de que a volatilidade permaneça alta nas ações de tecnologia, com impacto direto sobre índices como Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones e sobre a disposição dos investidores de assumir risco em empresas altamente expostas à corrida da inteligência artificial.